Primeiras impressões sobre a biografia de Mao Tsé-Tung

Essa é a minha opinião parcial sobre a biografia de Mao de Jon Halliday e Jung Chang.Para quem já leu a biografia de Stalin e sobre a China comunista no Livro Negro do comunismo, a vida de Mao não irá parecer tão surpreendente. Teve uma infância tranquila e uma boa educação, com inclinação para a filosofia e a política. Tornou-se professor e entrou em contato com as ideias comunistas, mas ainda era um moderado em suas crenças.

Sua vida política desde o início teve o apoio de Moscou, já que ingressou como infiltrado no partido nacionalista chinês. Na época do início da carreira de Mao, esse partido disputava seguidores com o partido comunista. Mao, por influência russa, demonstrava preocupação com o campesinato chinês.

Sua vida pessoal era tumultuada, tendo sido obrigado a se casar cedo com uma esposa que logo abandonou. Teve outras esposas, e sua vida amorosa e sentimental é narrada com grande preocupação em mostrar o ponto de vista das mulheres de Mao.

Fica claro lendo o livro que Mao não teria chegado longe sem o apoio decisivo de Stalin, porque o partido comunista chinês era menor e muito menos equipado militarmente do que o partido nacionalista. Os autores a todo o momento desqualificam Mao como líder militar, mas a questão é saber como esse suposto trapalhão no campo de batalha conseguia vencer seus adversários quase todas as vezes.Teria sido melhor admitir que ele possuía algum mérito de estrategista militar.

Como na Rússia comunista, a paranóia com a pureza do partido e com espiões infiltrados dominava a mente de Mao. Seu exército inventou torturas atrozes, e Mao produziu um expurgo sangrento no Jiangxi; esse fato pouco conhecido da história de Mao é revelado pela primeira vez nesse livro. Mao envolveu-se em diversas situações em que sua liderança e credibilidade com Stalin estiveram por um fio. É impressionante como ele conseguia reverter a situação.

Seu exército sofria muito com as frequentes batalhas e com a falta de igualdade no tratamento dos membros do partido comunista. Mao e outros líderes não se envolviam em combates e tinham privilégios de alimentação, vestuário e, principalmente, tratamento médico.

O livro pretende desmistificar a história da grande marcha. Os autores denunciam os privilégios de grande senhor de escravos que Mao possuía, como ser carregado numa liteira, enquanto os soldados sofriam com a má alimentação, falta de higiene e de abrigo. Milhares morreram de exaustão, e sua esposa teve que sofrer com um doloroso parto durante a marcha.

Outra história surpreendente: o exército de Mao escapou de um massacre graças à bondade ou má visão estratégica do líder nacionalista Chiang Kai-Shek, que não atacou o exército comunista quando esse estava cercado em uma determinada localidade.

Estou na metade do livro, até a parte que narra a vida de Mao na segunda guerra, antes dele tomar o poder. Mao, assim como Stalin, desconhecia a sugestão de Maquiavel de que a crueldade deveria ser feita de uma só vez, sem persistir nela durante muito tempo.

Mao era um intelectual, mais voltado para a filosofia e questões teóricas do que a prática militar. Possuía uma estranha atração pelo sacramento católico da confissão, obrigando seus seguidores a escreverem sobre suas próprias culpas, erros reais ou imaginários, em uma frequente denúncia de seus desvios das ordens do partido. O livro é muito bom de se ler e é muito bem escrito. Conhecer alguma coisa sobre um dos líderes mais influentes da história, e que transformou a China para pior ou para melhor, é sempre algo que devemos buscar.

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