Resenha do livro Mao, A História Desconhecida

Depois de tomar o poder em 1949, Mao tinha uma grande obsessão: transformar a China em uma superpotência militar. Como todos os governos comunistas, a meta de Mao era apenas militar, e não de criar uma China produtora de bens manufaturados.

Tendo sempre sido guiado por Stalin, Mao tentou tirar o máximo do tirano russo, mas ele tinha pouco a oferecer em troca. A solução era exportar alimentos para a Rússia em troca de transferência de tecnologia militar.

Mao começou, então, um jogo de revolta e submissão com Stalin. O sonho do chinês foi sempre dividir a liderança do mundo comunista com Stalin, por isso, ao mesmo tempo em que o bajulava, tentava sabotá-lo nos bastidores.

A parceria dos dois chegou ao auge com a guerra da Coréia, que os autores atribuem o início às jogadas de Mao e Stalin.A Coréia do Norte invadiu à Coréia do Sul, e nessa mesma hora Mao garantiu a Stalin que a China daria o seu bem mais precioso para sacrificá-lo em ajuda ao ditador coreano: a sua imensa população. Stalin aprovou na mesma hora.

Dezenas de milhares de soldados chineses morreram na guerra para que Mao ganhasse a confinça definitiva de Stalin. Em troca, Stalin começou a tranferir fábricas para a China. Mas isso teve um preço muito alto: a imensa fome que Mao iria impor aos camponeses para enviar alimentos para a Rússia.

Não existem fotografias dos milhões de mortos por essa fome. Para os comunistas essa é a prova de que ela nunca aconteceu. Falta a evidência do corpo, eles dizem. Mas graças a esse livro e ao livro negro do comunismo, esse crime conseguiu ser denunciado.

O grande salto adiante de Mao produziu milhões de cadáveres e escravos, mas transformou a China em uma potência militar graças à ajuda soviética. Mao jogou com o medo de que os EUA atacariam a China com bombas atômicas, e isso funcionou com os russos.

As crueldades de Mao estão bem detalhadas, mas comparando-o com Stalin, Mao parece menos sinistro. Vários de seus subordinados iam contra suas ordens abertamente, coisa que não acontecia com Stalin. Como em todo regime comunista, depois de exterminar a população, Mao promoveu o expurgo de seus quadros no partido.

Mao e sua maligna esposa, Madame Mao, transformaram a China em um deserto cultural durante a revolução cultural, mas eles mesmos aproveitaram para confiscar livros dos outros e estabeleceram o privilégio de somente eles terem acesso à cultura ocidental. Mais uma vez a classe dominante em um regime comunista possuía privilégios que nem um grande tirano feudal poderia imaginar.

Mao conseguiu enganar vários líderes mundiais com o seu charme pessoal, como Kissinger e Nixon, que consideravam Mao um verdadeiro filósofo. No entanto, a política de Mao de querer dominar o mundo foi um fracasso.

A biografia de Mao escrita pelo casal Jon Halliday e Jung Chang foi muito importante para que o Ocidente conhecesse os crimes de um dos principais ditadores comunistas. Em termos de produção de mortos, Mao foi o campeão, mas ele não possuía o mesmo carisma e poder de atração de Stalin.

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