Escritos Políticos-Volume 1, de Antonio Gramsci (2)

Gramsci desenvolve os seus artigos tentando fazer o socialismo parecer agradável, e realmente, as opiniões socialistas de Gramsci parecem mais humanas e tolerantes do que em outros autores e jornais dessa filosofia política. O autor italiano defenda suas opiniões com grande paixão e um leve otimismo em algumas áreas. Tem defendido algumas ideias que podem ser analisadas separadamente:

A Família- Para Gramsci, o capitalismo torna a existência da família em algo extremamente inseguro por causa da luta do pai em buscar manter a propriedade privada. O homem é transformado em uma peça da burocracia e visão fria capitalista quando não pode ter certeza de que sua família e seus filhos poderão ter a sobrevivência garantida pela frágil questão da propriedade privada.  Gramsci propõe o coletivismo, pois isso permitiria ao homem não mais preocupar-se em manter a propriedade privada, sendo que seus filhos teriam a educação e a vida moral garantidas pelo Estado.

A Liberdade de Pensamento- Nessa questão, o filósofo italiano critica a liberdade de pensamento liberal como sendo um privilégio burguês. Gramsci pretendia que o pensamento socialista não fosse dogmático como o liberal, mas como a história demonstrou, não foi isso que aconteceu. Parece que Gramsci pretendia que a liberdade de pensamento não significava a liberdade de propagar o erro. Liberalismo e socialismo foram e são dogmáticos. Ambos lutam pelo domínio do poder e contra a religião. São só aparentemente inimigos.

Liberdade Política- Aqui Gramsci dá uma bela de uma escorregada: defende a ditadura, para ele, a única forma de evitar-se que as minorias tomem o poder. Mas aí está a contradição! A ditadura é válida, mas não a burguesa, porque é opressiva contra o socialismo; ditadura somente a socialista, porque esta impede que o mal ( capitalismo) domine as massas. Incrível “democracia”, esta!

Como todo socialista, Gramsci é otimista e pessimista ao mesmo tempo: otimista quanto às abstrações do socialismo teórico; pessimista quanto à civilização burguesa e capitalista. Quanto ao capitalismo, Marx acertou em algumas de suas críticas, e não há dúvidas em relação aos aspectos desumanos das fábricas do século XIX.  Creio que Gramsci condena fortemente o capitalismo, enquanto estava cego aos problemas práticos do socialismo. Sua análise da guerra civil russa está correta: os países capitalistas não tinham o direito de terem invadido a Rússia para defender o exército branco. Sua paixão e a falta de informções corretas sobre o andamento da revolução não permitiam, no entanto, que Gramsci observasse a brutalidade com que a revolução estava sendo implantada.

Esse primeiro volume dos pensamentos de Gramsci revela um espírito apaixonado pelo socialismo e a revolução, mas também revela um homem que se contradiz em alguns momentos. Defender a liberdade sob o socialismo, ao mesmo tempo em que apoia a revolução para impor a ditadura e derrubar o governo burguês. Gramsci certamente era muito inteligente e escreve bem, mas o socialismo não produziu, talvez, o tipo de sociedade imaginada por ele.

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