The Christian Philosophy of Saint Thomas Aquinas, de Etienne Gilson

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Essa é a versão inglesa para uma obra que é referência sobre a filosofia de São Tomás de Aquino, que é Le Thomisme, de 1948, do filósofo francês Etienne Gilson.

Logo na introdução, Gilson, que escreve com uma erudição ímpar, apresenta o que a filosofia de São Tomás é: Uma tentativa bem sucedida de conciliar a fé com a razão, sem nunca misturar os dois; a diferenciação que São Tomás estabelece  entre a Revelação e o que é revelável; o estabelecimento da Teologia como a grande ciência que o homem contemplativo pode aspirar, sem fazer concessões às ciências puras da natureza, que certamente entre seus defensores existem aqueles que olham com desconfiança para o saber teórico e não-prático da teologia; e, também como um aspecto importante em sua filosofia, a tarefa quase sagrada ( ou diríamos que é realmente sagrada?) de comunicar aos outros a verdade ( doctrina), previamente meditada. São Tomás aceita com naturalidade o título de Mestre e Doutor, sabendo da grande responsabilidade que terá em propagar as verdades teológicas aos seus alunos e outras pessoas menos versadas em Teologia. São Tomás combina as duas grandes atividades que estão ao dispor do homem: a vida ativa e a vida contemplativa.

Sabendo da sentença de Santo Agostinho de que o objeto da fé é precisamente o que a razão não pode compreender. O que São Tomás vai fazer é ensinar ao homem o que está além da filosofia, tendo como base as escrituras, e descendo de uma hierarquia que começa em Deus, passa pelos anjos, os profetas, os santos, até chegar ao homem comum. Tendo como base a fé, que segundo Gilson, tende a suprimir a presunção, a mãe de todos os erros, São Tomás é um filósofo cristão, apoiado nas escrituras, mas sabendo colher o que há de melhor nas filosofias grega, árabe e judaica. São Tomás foi um filósofo original, que soube avançar diante das barreiras que Aristóteles e os Averroístas haviam colocado. O que é aparentemente imcompreensível à razão humana, que é a essência de Deus, passa a ser compreensível com a ajuda da revelação e da fé, e é tarefa do teólogo cristão ser claro e objetivo na tarefa de tornar a teologia acessível ao estudioso e ao fiel comum.

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A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Max Weber

Max Weber A Etica

A origem da riqueza do Ocidente
Max Weber propõe a tese de que a religião protestante deu impulso ao capitalismo no ocidente. Weber sabe que o capitalismo não surgiu com o protestantismo no século XVI, mas sim nas cidades italianas dos séculos XIII e XIV. O capitalismo tem origem na mentalidade cristã e sua ideia de pregresso. O surgimento das nações e a concorrência que estabeleceu-se entre as manufaturas desses países , importantes avanços no transporte marítimo e o aperfeiçoamento das bússolas feitas pelos europeus levaram ao surgimento da mentalidade capitalista.Quando o protestantismo surgiu, essa ideia já estava amadurecida, e grande parte da burguesia e dos mercadores converteu-se ao protestantismo.

A tese de Weber é que o espírito ascético foi o que deu ao capitalismo a sua força. Weber percebeu que esse espírito existia na idade média nos mosteiros, mas que entre a população comum dos fiéis católicos essa crença não penetrava. A vida do fiel católico não era estável, vamos assim dizer, mas era uma sucessão de atos de caridade e de pecados. No caso do fiel pecar, sempre haveria o sacramento da confissão para redimi-lo. No protestantismo, especialmente no calvinismo, isso não existia. Só havia a opção da salvação ou da danação eterna. Calvino exigia que o fiel deveria viver uma vida coerente e estável do começo ao fim de sua vida. Não havia o padre para perdoá-lo.

Weber notou que Lutero tirou a sua noção de vocação não da Bíblia, mas de um místico da idade média. Tanto Lutero quanto Calvino evitaram escrever sobre questões metafísicas, mantendo a herança católica nessa questão. O que Calvino fez foi transformar todo o fiel em monge. O ascetismo saiu dos mosteiros e passou a fazer parte da vida do fiel comum. Calvino e os puritanos transformaram o trabalho diário em um meio de se glorificar a Deus.

Os puritanos, por exemplo, davam grande importância à poupança e abominavam toda a noção feudal de propriedade e ostentação. Para eles o dinheiro e o trabalho eram um meio de expandir a obra de Deus e rejeitavam a tese de um capitalismo de expansão da guerra e da burocracia do governo. Calvino iria libertar as consciências a respeito da legitimidade de se cobrar juros.

A diferença com a mentalidade católica ficaria evidente daí por diante. As nações protestantes prosperaram e atingiram grande riqueza, enquanto as nações católicas ficaram para trás. Ao meu ver, isso tem outras causas também. Por exemplo, a Inglaterra adotou suas ideias sobre liberdades civis não do direito romano, como aconteceu com as nações católicas, mas sim da Carta magna medieval. As universidades inglesas rejeitaram Aristóteles e sua ciência, e foram herdeiras do platonismo que reinava lá desde Roger Bacon.

Outra questão importante foi que as nações protestantes impulsionadas pelo capital deram mais importância às matemáticas e à técnica.É claro que existe também o fator da educação, e aí aparece a ideia protestante de que todo o fiel deve ler a Bíblia. No catolicismo isso não existe, e até hoje o analfabetismo inexiste nos países protestantes, mas é alto nos países católicos.

O que foi importante também é que o protestantismo liberou às consciências e garantiu a liberdade de religião. Como demonstrou o economista alemão Friedrich List, a indústria só pode surgir em um país em que haja liberdade de religião e de pensamento. Foi por isso que a revolução industrial surgiu primeiro na Inglaterra. Espanha e Portugal expulsaram os judeus e mouros de seu território, assim como a França revogou o édito de Nantes. Por isso as nações católicas perderam muito em capital e mão de obra especializada, que acabaram por se abrigar na Inglaterra e na Holanda.

Max Weber demonstrou em seu livro que foi o protestantismo e seu espírito de trabalho, de poupança e seu caráter ascético, que impulsionou o capitalismo e a consequente industrialização do mundo ocidental.