Resenha do Segundo Tratado sobre o Governo, de John Locke

 

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A filosofia política de John Locke foi uma consequência lógica do protestantismo inglês, e foi a base para o surgimento da maior nação de todos os tempos: os Estados Unidos.

Locke era um contratualista, de maneira que ele também acreditava que o homem vivia em seu estado original uma vida em estado de natureza. Cada homem era o seu próprio juiz, e a propriedade privada encontrava sua existência e limitação pelo trabalho humano, mas como começaram a surgir problemas para a delimitação do tamanho da propriedade, e a necessidade de um poder independente para ser o juíz dos homens, nasceu,assim, o governo, ou Estado.

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Resenha do Compêndio de Teologia, de São Tomás de Aquino

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Escrito no fim da vida de São Tomás, o Compêndio de Teologia resume algumas das principais doutrinas do Aquinate. Questões relativas à Trindade, do Filioque e sobre a perfeição de Deus são esclarecidas logo no início do livro. A linguagem utilizada por São Tomás é simples, da mesma forma como os exemplos de fenômenos da natureza, como o fogo, o qual ele se refere repetidas vezes. São Tomás tinha concepções errôneas em filosofia herdadas de Aristóteles como, por exemplo, a redução da mulher a um papel passivo, pois o filósofo grego acreditava que o sêmem do homem gerava a alma, e a mulher, o corpo. São Tomás repete esse erro, assim como adotou com algumas reservas o universo Ptolomaico, negando, porém, que os astros tivessem algum poder sobre o destino do homem. Seu maior equívoco foi em relação à Imaculada Conceição da Virgem Maria, exibindo um pensamento contraditório e titubeante. Foi outro escolástico, Duns Scot, que corrigiu o erro de São Tomás e estabeleceu o Dogma.

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A Filosofia de Ibn Sina ( Avicena)

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Médico e filósofo persa, Avicena foi de uma enorme influência na filosofia escolástica, sem falar na sua obra Canôn de Medicina, que foi durante séculos a base do ensino desse ciência no Ocidente.

A filosofia de Avicena caracteriza-se por tentar fazer uma síntese do pensamento de Platão com Aristóteles. Essa tentativa foi duramente criticada no século XII por Averróis. Vamos a alguns dos principais pontos da sua filosofia:

O universo, para Avicena, é constituído por três ordens: o mundo terrestre, cujo ponto mais alto é a alma humana; o mundo celeste, cujo ponto mais alto é o primeiro causado; e Deus, que é o cimo supremo.

Avicena explica o mundo à maneira de Aristóteles, pois sua filosofia repete as teorias do ato e potência, matéria e forma e as quatro causas. A diferença é que Avicena propõe uma tese original sobre a inteligência humana, que segundo o filósofo persa, estabelece a união entre o mundo material e o mundo celeste pelos seus cinco graus. Thonnard assim os resume:

A inteligência material, que é a faculdade antes de qualquer operação, e também é potência pura, mas na ordem intencional;

A inteligência possível, que é a faculdade que possui apenas os primeiros princípios intelectuais;

A inteligência em ato, que é o ato primeiro, ou faculdade disposta a agir, porque possui a ideia ( a espécie impressa) e a ciência em ato;

A inteligência adquirida, que conhece o ato segundo;

A faculdade intuitiva de ordem mística, chamada por Avicena de O Espírito Santo, porque une a alma a Deus. Essa faculdade também é conhecida como o Espírito de profecia que, segundo Gilson, era o lugar que Avicena reservou para o profeta Maomé.

Na sua filosofia, essas inteligências estão em potência, e para passarem ao ato, requerem a influência de um Intelecto Agente.

Avicena insiste que a nossa alma está separada do intelecto agente, sendo espiritual e imortal. A existência de Deus, para Avicena, é demonstrada pela noção de Ato puro e do primeiro motor de Aristóteles, de forma que para o filósofo persa, Deus é o único ser cuja essência é idêntica à existência. Avicena esforçou-se para conciliar a noção platônica de participação, a astronomia de Ptolomeu e o Deus aristotélico.

Mas Avicena negava uma crença fundamental da filosofia aristotélico-tomista, que é a união da alma e do corpo. Sua filosofia, segundo Gilson, está amarrada à noção de necessidade dos filósofos gregos, e essa doutrina teve que ser combatida pelos filósofos da escolástica. Avicena também nega o ato da criação, pois admitia que causas inferiores atuavam como instrumentos da causa primeira.

A doutrina da inteligência ativa e da inteligência passiva em Avicena causou um espanto entre os cristãos, como diz Gilson. No livro da Alma, Avicena diz que a alma é inteligente em potência, e só depois se torna inteligente em ato. Ele compara a iluminação do sol na nossa visão com a nossa faculdade intelectual, que vê os particulares que estão na imaginação e brilha sobre eles.

Bibliografia: F.J.Thonnard, Compêndio de História da Filosofia

Étienne Gilson, A Filosofia na Idade Média

Um resumo da Filosofia de John Locke: Psicologia, Entendimento e Ideias Políticas

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John Locke foi um médico inglês que deu sequência ao empirismo. Sua filosofia é pouco sistemática, com ideias dispersas sobre vários domínios do conhecimento. Como nos diz Thonnard, Locke propõe o amor à tolerância, à ciência positiva e o método cartesiano. Propõe um conhecimento prático. Diz ele: ” não há conhecimentos verdadeiramente dignos deste nome, senão os que conduzem a qualquer invenção nova e útil”( de arte medica). Locke era inimigo de todo o tipo de fanatismo, e para ele, o cristianismo da Bíblia basta.

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Resumo da Filosofia de Hobbes: O Nominalismo e a Negação da Liberdade

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Hobbes define a filosofia como o estado das coisas à luz da razão e exclui dela tudo o que depende da revelação. O sistema de Hobbes pode ser definido por este princípio:” todo ser é corporal e tudo o que acontece se explica pelo movimento”, ele continua:” toda a mudança se reduz a um movimento dos corpos modificados, a saber, das partes do agente ou do paciente”.

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Resenha do Novum Organum, de Francis Bacon

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Francis Bacon é considerado o pai do método científico e tem como obra principal o Novum Organum, O Novo Método, em referência ao Organon de Aristóteles. Quem conhece a história do pensamento científico medieval sabe que Francis Bacon é o representante renascentista de uma grande tradição inglesa de pensadores empiristas. Recordemos de Roger Bacon, cujas palavras parecem às vezes até terem sido plagiadas por Francis; temos Robert Grosseteste, e seus estudos de óptica de inspiração platônica e mestre de Roger Bacon. Há de enfatizar-se que o espírito medieval de tentar ver na natureza provas a posteriori da existência de Deus permeia a obra de Francis Bacon. Sem o espírito escolástico de Idade Média nosso filósofo torna-se incompreensível. [Read more…]

O Tempo e a Teologia

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Santo Agostinho e São Tomás de Aquino refletiram em suas obras sobre a questão do tempo. Agostinho respondeu à indagação sobre o quê Deus fazia antes de criar o mundo com uma reposta simples e profunda: Deus não fazia nada antes de criar o mundo porque não havia tempo. Deus criou o tempo.

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Resenha de O Século Soviético, de Moshe Lewin

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A União Soviética foi a maior experiência revolucionária da história, e sua existência marcou o século XX nas áreas política, econômica, tecnológica e militar. Moshe Lewin defende a ideia de que a revolução foi positiva, apesar dos crimes de Stalin em seu Grande Terror e no processo de industrialização durante a década de 1930. Uma tese polêmica do autor é que ele diz que Lenin em seus últimos dias lutou para evitar que o poder caísse nas mãos de Stalin, e que sua última vontade era de criar um regime que fosse lentamente caminhando para uma democracia.

Se analisarmos a mentalidade de Lenin, veremos que essa tese de Lewin é falsa. A mentalidade do comunismo só funciona com a existência de um líder que concentre em suas mãos todo o poder. Lenin nunca admitiu concorrência, e viu em Stalin um homem de ação, que ele preferiu ter como homem de confiança muito mais do que o teórico Trotsky. Lewin tenta inocentar Lenin dos futuros crimes de Stalin, mas não convence.

O autor não escreve muito sobre o período stalinista, preferindo se concentrar em Khrushchov e seus sucessores. Ele louva às conquistas do mundo soviético como a educação em massa, uma legião de leitores entre a população e a existência de uma ordem pública.

Lewin também demonstra que a experiência da liberação do aborto na década de 1920 resultou em um grave problema de natalidade e de invalidez entre às mulheres. Stalin dificultou o aborto na década de 1930. Outra distorção foi o fato da busca forçada de igualdade entre homens e mulheres, em que essas últimas foram obrigadas a realizar trabalhos pesados na indústria, o que prejudicou sua saúde física e mental.

Lewin é contraditório em elogiar aos feitos do comunismo, ao mesmo tempo que tenta dissociá-los do regime de Stalin. Ora, se a União Soviética foi o que foi, isso se deve em sua maior parte à personalidade se Stalin, ou Lewin acha que a indústria pesada, e o complexo militar e espacial soviético surgiram graças a quem?

Se o bolchevismo foi vitorioso, diz Lewin, isso se deve ao fato de que o exército Branco na guerra civil russa tinha como objetivo ressuscitar o feudalismo-escravocrata do czarismo, assim como o velho antissemitismo russo. O exército Branco perdeu porque não tinha nada a oferecer à população.

No final do livro, Lewin lamenta a situação atual da Rússia, que está dominada por gângsters, mafiosos e drogados. Todo o sistema soviético de proteção social desapareceu, e nada foi oferecido que fosse superior ao que existia.

Agora, uma reflexão sobre as inegáveis conquistas do regime soviético: Tudo isso fez valer o sacrifício de milhões nos Gulags, no Grande Terror, na perseguição aos religiosos, e sobretudo em uma tentativa que se revelou trágica de criar um homem novo e uma sociedade nova? A resposta é não. O livro de Lewin é uma boa reflexão sobre esse período, especialmente se você gosta de ler sobre a revolução russa e a história do comunismo.

O Intelecto Possível e o Intelecto Agente em Aristóteles e São Tomás de Aquino

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Com base na obra de São Tomás de Aquino, Compêndio de Teologia, vamos expor a doutrina do intelecto possível e do intelecto agente.

Platão havia defendido em sua filosofia a doutrina das ideias subsistentes, que foi combatida por Aristóteles  com a ideia do intelecto agente. Na filosofia aristotélica, o intelecto agente foi a solução encontrada por Aristóteles para a questão do conhecimento. Esse intelecto seria o responsável pela potência ativa, que tem uma função transitiva e não cognoscitiva, de forma a atuar nas imagens para produzir no intelecto possível a espécie impressa. O intelecto possível é passivo e se limita ao conhecimento.

São Tomás irá definir o intelecto possível como aquele mais próximo da substância corpórea, sendo necessário que esse intelecto e suas formas inteligíveis sejam às mais próximas da matéria. O intelecto agente refuta à doutrina platônica que ensina que o conhecimento é dado ao homem por participação e pela influência de formas inteligíveis em ato e subsistentes.Na filosofia de Platão, as formas em ato são  inteligíveis por si mesmas.O intelecto agente é aquele que obtém o conhecimento das coisas materiais pelos sentidos.

Na filosofia de Aristóteles e São Tomás de Aquino do realismo moderado, o homem e sua inteligência só conhecem os universais. O intelecto possível não pode reduzir a um ato inteligível as espécies existentes nas potências sensitivas, nas palavras de São Tomás. Por isso é necessário o intelecto agente, que reduza as espécies inteligíveis em potência, para espécies inteligíveis em ato.

O intelecto possível recebe às espécies inteligíveis, e o intelecto agente torna  possível essas espécies em ato. São Tomás será obrigado a defender a filosofia original de Aristóteles contra à interpretação feita por Averróis, que defendia a unidade do intelecto possível. Qual era, então, a doutrina de Averróis?

O filósofo árabe concebia a inteligência como sendo uma só em todos os homens, de forma que a inteligência seria universal, e não individual, e não será conhecida em ato, mas somente em potência. Da mesma maneira, se a inteligência for uma em você, e outra no seu amigo, logo, deduz Averróis, nós não somos da mesma espécie.

São Tomás vai refutar esses argumentos que perverteram à filosofia aristotélica, demonstrando que os homens conhecem sua própria inteligência, dessa maneira, ninguém pode negar a própria inteligência sem conhecer àquilo que está negando. Se a inteligência fosse única em todos os homens, a sua forma teria que ser diversa, pois coisas diversas possuem formas diferentes, e não possuem o mesmo ser.Logo, é impossível que a inteligência seja a mesma em todos os homens.

São Tomás ensina que o conhecimento intelectual é o mesmo para todos os homens, mas explicando que se trata do objeto do conhecimento, que é a própria essência da coisa. A inteligência é diversa nos homens, mas o objeto permanece o mesmo. Mas a filosofia de Averróis insiste que a inteligência é única, e que cada objeto do conhecimento é variado,e por conseguinte, individualizado. Outros também defenderam a unidade do intelecto agente, mas a filosofia escolástica demonstrou que o intelecto possível e o intelecto agente são vários, e estão unidos na alma de cada homem pela forma substancial.

O Dogma de Imaculada Conceição na Teologia de São Tomás de Aquino e Duns Scot

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Esse artigo é a demonstração do erro terrível da teologia de São Tomás de Aquino sobre a questão da Imaculada Conceição de Maria. Existe uma verdadeira praga de católicos “tradicionalistas” que se recusam a admitir algumas visões desastrosas de São Tomás de Aquino sobre a alma. Demonstrar que ele errou não é coisa de protestante ou de um espírito anticatólico; é ser,sim, honesto em filosofia. No comentário que fiz sobre as 24 teses de Édouard Hugon, já havia percebido que São Tomás negava que o feto tivesse alma até um determinado período da gestação, e que essa tese foi aprovada pela Igreja Católica pelo menos até o início do século XX.

Vamos à doutrina (errônea) de São Tomás de Aquino sobre a Imaculada Conceição, e como Duns Scot estabeleceu corretamente o dogma, sendo justamente beatificado séculos mais tarde.

Para São Tomás de Aquino, a Virgem Maria estava purificada de modo extremo, sendo isenta do pecado mortal e venial, mas ela foi purificada do pecado original, pois convinha  a Ela ser concebida com o pecado original, porque foi concebida pela união dos sexos. Ela teve o privilégio de conceber o Filho de Deus. Como São Tomás de Aquino afirma de forma equivocada, a união dos sexos só pode ser realizada com libidinagem após o pecado original, por isso transmite esse pecado aos filhos, no caso, os pais da Virgem Maria transmitiram o pecado à filha.

Nas palavras de São Tomás de Aquino: ” Além disso, se ela não tivesse sido concebida com pecado original, não teria necessidade de ser redimida por Cristo, assim, Cristo não teria sido o redentor de todos, e isso degradaria a dignidade de Cristo.” A Virgem Maria, para São Tomás de Aquino, permaneceu após sua santificação inclinada ao pecado, porém, quando o Anjo Gabriel lhe anunciou que iria conceber o Filho de Deus, essa inclinação foi extinta, mas até a anunciação, a doutrina Tomista errou de modo desastroso, pois admitia que a Virgem estava inclinada ao pecado.

Essas palavras de São Tomás de Aquino foram retiradas de sua obra Compêndio de Teologia.

Duns Scot corrige o erro de São Tomás de Aquino e estabelece corretamente o dogma. O texto citado está na sua Ordinatio.

“Foi a Bem-Aventurada Virgem Maria concebida em pecado? A resposta é não, pois Agostinho escreve: ” Quando o pecado é tratado, não pode haver a inclusão da Virgem Maria na discussão”. E Santo Anselmo escreve:” Foi correspondendo que a Virgem deve ser resplandescente com uma pureza que ninguém mais debaixo de Deus pode ser concebido”.

O contrário, entretanto, é frequentemente defendido em dois pontos: Primeiro, a dignidade de seu Filho, que, como redentor universal, abriu os portões do céu. Mas se a Bem-Aventurada Virgem Maria não contraiu o pecado original, ela não precisaria de um redentor, nem ele teria aberto os portões do céu para ela, porque o portão nunca estaria fechado. Porque está fechado apenas pelo pecado, acima de todo o pecado original.

Em resposta ao primeiro ponto, alguém pode argumentar que da dignidade de Seu filho qua Redentor, reconciliador e Mediador, que ela não contraiu o pecado original.

Porque o mais perfeito mediador exercita a mais perfeita mediação possível a favor de uma pessoa de quem ele faz a mediação. Por isso Cristo exercitou a mais perfeita mediação a favor de alguma pessoa de quem ele foi mediador. A favor de nenhuma pessoa Ele teve uma relação mais exaltada do que com Maria. Isso, entretanto, não seria verdade se Ele não a tivesse preservado do pecado original.

Existem três provas disso: Em termos de Deus a quem ele reconcilia; em termos do mal que Ele liberta; e em termos da dívida da pessoa a quem Ele reconcilia.

Primeiro, ninguém absoluta e perfeitamente amansa alguém que será ofendido de nenhuma maneira a não ser que ele consiga prevenir a ofensa. Porque aplacar tendo em vista apenas redimir a ofensa já cometida é não aplacar de maneira mais perfeita. Mas Deus não suporta a ofensa  por causa de alguma experiência Nele mesmo, mas por causa somente do pecado da alma de uma criatura. Assim, Cristo não aplaca a Trindade mais perfeitamente pelo pecado a ser contraído pelos filhos de Adão se ele não previne a Trindade de ser ofendida em alguém, e se a alma de algum filho de Adão não contraiu tamanho pecado; e assim é possível que um filho de Adão não tenha esse pecado.

Segundo, os méritos do mais perfeito mediador é remover toda a punição daquele a quem Ele reconcilia. O pecado original, entretanto, é uma maior privação do que a falta da visão de Deus. Por isso, se Cristo mais perfeitamente nos reconcilia com Deus, Seu mérito é mais pesado do que todas as punições removidas da pessoa reconciliada. Esta deve ser a sua mãe.

Além do mais, Cristo é primeiramente nosso redentor e reconciliador do pecado original, mais do que do pecado atual, por isso a necessidade da Encarnação e sofrimento de Cristo é mais comumente atribuída ao pecado original. Mas se Ele é atribuído o fato de ser o perfeito mediador de ao menos uma pessoa, nomeadamente, Maria, quem Ele preservou do pecado atual. Logicamente, deveríamos assumir que Ele preservou-a de todo o pecado original, também.

Em terceiro, a pessoa reconciliada não está absolutamente  endividada com seu mediador, a não ser que receba desse mediador o maior bem possível. Mas esta inocência, nomeadamente, a preservação do pecado contraído, ou do pecado a ser contraído, está disponível pelo mediador. Assim, ninguém está absolutamente livre do débitos  com Cristo como mediador, a não ser que esteja livre do pecado original. É um bem maior ser preservado do mal do que cair nele e depois ser libertado dele. Se Cristo garantiu o mérito da Graça e da Glória para tantas almas, que, por causa desses presentes estão endividadas com Cristo como mediador, por que nenhuma alma seria sua devedora pelo presente de sua inocência? E por que, desde que os abençoados anjos são inocentes, deveria não haver nenhuma alma humana no céu( exceto a alma humana de Cristo), que é inocente, ou seja, que nunca esteve em estado de pecado original?”