A definição de livre-arbítrio em São Tomás

Do livro Le Thomisme, de Etienne Gilson.

” Mas nós vimos que existe algo a mais. A vontade não é apenas livre de toda a restrição por definição, mas também por necessidade. Negar essa verdade, é remover dos atos humanos todas as coisas que poderiam conferir a eles uma censura ou um caráter meritório. Nós dificilmente podemos dar mérito ou demérito produzindo atos impossíveis de terem sido feitos. Qualquer doutrina que no final remova a noção de mérito, remove também a noção de moral, e deve ser considerada como uma filosófica-extranea philosophie.  Se não há nada livre em nós, se nós somos necessariamente determinados pela nossa vontade, então deliberações e exortações, preceitos e punições, elogios e críticas, em uma palavra, tudo aquilo que a filosofia moral lida, iria rapidamente desaparecer e perder todo o significado.

Tal doutrina, nós dizemos, é afilosófica, como, de fato, são todas as opiniões que destroem os princípios de qualquer parte que seja da filosofia. Isso seria o efeito de um princípio como aquele que diz que ” nada move”, porque iria eliminar toda a filosofia da natureza. Agora, a negação do livre-arbítrio, exceto quando meramente expressa a impotência de certos homens de dominar suas paixões, é baseada apenas em sofismas. Demonstra ignorância das operações produzidas pela alma humana e a relação dessas operações com seu objeto.”

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