A nova Paidéia de Platão em A República

Platão busto

A minha apresentação sobre a nova Paidéia de Platão, como o filósofo grego a apresentou em sua obra A República.

O debate sobre as artes imitativas aparece no livro III da República. Platão acredita que os poetas desvirtuam o povo por sua imitação daquilo que o filósofo considera censurável, como, por exemplo, a imitação dos gemidos, os lamentos, os risos e os sons dos animais e do tempo. Do ponto de vista de Sócrates, as narrativas dos poetas só deveriam mostrar a coragem, a firmeza, ao invés de mostrar a ambição e a ganância. A poesia também deveria se preocupar com os atributos dos justos em oposição aos dos injustos. Para Platão, as narrativas de poetas como Homero são verdadeiramente poéticas, e, por causa disso, menos deveriam ser escutadas pela população que pretende ser livre e não escrava(387 a-e). Certas palavras usadas pelos poetas são uma influência negativa para a educação dos guardiões. Platão considera lamentável que os poetas façam homens respeitáveis e deuses serem atacados por acessos de risos(388 a-e). O mal que essas poesias podem causar nos jovens e nos governantes é o de fazer crer que os heróis não são em nada melhores que os homens. O mal nunca vem dos deuses, lembra-nos Platão. Por causa do costume do jovem ou governante ouvir relatos de maldade dos deuses e heróis como os descrevem os poetas, eles( jovens ou governantes) acreditarão  em desculpas por suas maldades pois os deuses os precederam(391 a-e). O governante jamais deve ser imitador de algo que os poetas propõe, mas sim, da coragem, sensatez, pureza, liberdade e todas as qualidades dessa espécie, que aprenderiam desde a infância. A humanidade( e a Pólis) precisam de uma teologia verdadeira, pois um homem com uma teologia falsa é um homem não verdadeiro. Estar enganado na alma sobre o ser verdadeiro( PERI TA ONTA) significa que a própria mentira (HOS ALETHOS PSEUDOS) tomou posse da parte mais elevada da pessoa( 382 a-e). Para a teologia ser verdadeira, Platão destaca duas regras:

Primeira: Deus não é o autor de todas as coisas, mas apenas das coisas boas.

Segunda: os deuses não enganam os homens em palavras ou atos.

A nova Paideia que Platão propõe- além da imitação das virtudes citadas acima-, possui alguns elementos que constituem a sua concepção de educação e de que modo ela deve ser procedida. Na República, a sua Paideia se divide entre classes: agricultores, que devem ser educados para o serviço prático; soldados, que devem ser educados pela ginástica e pela música, para que tenham agilidade e sensibilidade para a defesa da polis; por fim, tem-se a classe dos governantes, que devem ser educados pela filosofia, pois é esta classe que vai determinar os rumos da cidade.

Platão estabelece regras para as letras que terão espaço em sua cidade, que terá, por exemplo, de ter a obrigação de ser em primeira pessoa, pois esta forma não oculta o narrador. Depois vem a questão da música, muito importante na República. A música deverá inspirar sentimentos belos, e combater o vício, a licença, a baixeza e o indecoro(401 a-e). Com isso, desde a infância a criança seria educada a amar o belo e a odiar as coisas feias e que não possuem harmonia. A ginástica é outra atividade recomendada por Platão, pois depois de haver tratado do espírito é necessário tratar do corpo. Essa ginástica seria simples, e com dois aspectos complementares: a alimentação, que deve ser sem exageros; a medicina, que só deve ser ministrada aos homens sadios. A música e a ginástica devem ser combinadas para estarem em harmonia, pois quem se dedica somente à ginástica fica rude e grosseiro, assim como quem só se dedica à música fica mole e doce em excesso. Por fim, existe a questão de quem governará a Pólis? Segundo o livro didático, entre aqueles educados na proposta apresentada, serão os melhores os mais velhos, com inteligência autoridade e sentimento patriótico. Desde pequenos deverão ser postos às provações, e os que resistirem serão guardiões. Existe também a polêmica questão da eugenia, com sua eliminação dos mais fracos. Sócrates também propõe a questão da mentira necessária: o mito do nascimento humano a partir da terra, que seria contada na infância do governante. Essa foi minha apresentação da proposta de Platão de uma nova Paideia.

Fontes : Platão, A República, Martin Claret – 2003

 

Voegelin, Eric, Ordem e História, Volume III, Platão e Aristóteles, Editora Loyola-2009

http://www.skoob.com.br/livro/resenhas/2949 Minha resenha sobre a República de Platão publicada no Skoob.

Comments

  1. acoplador says:

    Reblogged this on " F I N I T U D E ".

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