Resenha de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes

Dom Quixote

Livro Maravilhoso
É preciso ser rápido para afirmar a verdade: Dom Quixote é, com certeza, o maior romance de todos os tempos. O começo é simples: Cervantes nos apresenta a vida simples do fidalgo Alonso Quijano, que vive uma vida ociosa e ocupa o seu tempo lendo romances de cavalaria, obras muito populares no fim da idade média e início do Renascimento. Um dia o fidalgo decide sair pelo mundo para viver aventuras semelhantes aos seus heróis dos romances de cavalaria; primeiro ele se autodenomina Dom Quixote , e encontra em seu vizinho Sancho Pança o seu fiel escudeiro. Depois disso os dois começam a percorrer a Espanha em nome do amor de amor de Dom Quixote pela dama Dulcinéia Del Toboso.

Logo na primeira aventura, Dom Quixote é espancado por um grupo de viajantes que reagiram a fúria do cavaleiro por causa de uma brincadeira que eles fizeram com o nome de Dulcinéia. Ele é levado de volta para casa; sua empregada então chama o padre local, que é amigo de Dom Quixote, e explica a ele que a causa da loucura de seu patrão são os livros de cavalaria que Dom Quixote possui em casa. Com isso há o início de uma hilária cena em que o padre brincando de inquisidor separa os livros que considera bons dos livros que considera nocivos, atirando-os à fogueira.

Mas o cavaleiro é insistente e retoma sua jornada tendo ao seu lado Sancho Pança e seu cavalo Rocinante. Pouco tempo depois há a famosa história do ataque de Dom Quixote aos moinhos de vento. Mas só quem não leu o romance pode considerar essa cena como a mais engraçada do livro; no entanto, a cena não deixa de ser emblemática. As histórias engraçadas vão sucedendo-se umas às outras ao longo das páginas, e proporcionam muitas risadas ao leitor da obra.

Dom Quixote não deixa de ser também um livro em que Cervantes expõe ao mundo as injustiças da Espanha da época, como, por exemplo, a perseguição aos mouriscos. Ele também escreve contra os padres da corte, que ele considerava hipócritas. Os demais padres e religiosos são tratados com muito respeito e reverência por parte de Cervantes.

Elementos autobiográficos da vida do autor estão presentes no livro, como a história do cativeiro de Cervantes em Argel, quando foi capturado por piratas muçulmanos e ficou cinco anos preso até ser resgatado por padres espanhóis com uma alta soma em dinheiro.

Diversas passagens são memoráveis, como o ataque de Dom Quixote ao teatro de marionetes, a sua descida à caverna, ou então a sua chegada a Barcelona. Sancho Pança também se envolve em situações muito engraçadas principalmente quando é eleito governador da ilha da Baratária. Essa é, na minha opinião, a parte mais divertida do livro.

Uma passagem que chama a atenção é a homenagem que Cervantes presta à Alemanha e sua parte católica, através do personagem mourisco, amigo de Sancho Pança, que encontra refúgio depois da perseguição na Espanha na cidade católica alemã de Augsburgo.

A principal mensagem de dom Quixote raramente é mencionada, no entanto. Cervantes faz de Dom Quixote um exemplo de homem católico e mensageiro da contrarreforma da igreja romana. O personagem não se separa em nenhum momento do seu imenso rosário e a todo momento recorda ao leitor os dogmas católicos, na época combatidos pelos protestantes, como a existência do purgatório e a necessidade das boas obras para a salvação. Dom Quixote também nos fala da necessidade de utilizarmos a espada para a defesa da fé em certas ocasiões em que isso for necessário, lembrando sempre que Cervantes combateu em Lepanto contra o exército turco, perdendo o movimento de uma das mãos por causa de um tiro.

Cervantes escreveu o maior romance católico de todos os tempos, pois Dom Quixote é um livro profundamente religioso, que afirma a todo momento os valores do concílio de Trento. É um livro extremamente engraçado e com uma mensagem de esperança aos mais fracos e desesperados, porque afirma que não devemos desesperar jamais, pois como disse Sancho Pança,” não há maior loucura, do que o homem deixar-se matar pela melancolia”. Obra muito recomendada.

Comments

  1. jessy says:

    u.u Don Quixote de la mancha

  2. joão gabriel says:

    ahm ñ me ajudou muito mas obrigado mesmo assim :3🙂

  3. muito legal

  4. Medeiros Braga says:

    Essas são algumas das 480 estrofes de um cordel de minha autoria:

    Dom Quixote via monstros
    Onde não podia haver,
    Nigromantes por moinhos
    Era o que podia ver,
    Mas essa luta, afinal,
    Sendo do Bem contra o Mal,
    Ele estava a empreender.

    No mundo globalizado
    Acontece diferente,
    Os gigantes se escondem
    E só vemos pela frente
    Com beleza e muitos risos
    Os fantásticos paraísos,
    Porém, falsos, evidente.

    Encontramo-nos hoje em dia
    Em um duvidoso abrigo,
    Como alguém em barco envolto
    Sem o leme, no perigo,
    E o pior: sem os remos,
    Porque sequer não sabemos
    Onde mora o inimigo.

    Alucinados estamos,
    Tudo vemos ao contrário,
    O mundo das fantasias
    Não é mais que um calvário,
    Como em Dom Quixote aponta
    Os bons pagam pela conta
    Que apresenta o sicário.

    Sob a globalização,
    Com astutos inimigos,
    Punham moinhos na mente
    Dos povos, com seus perigos.
    Procuramos aos extremos
    Mas, onde está, não sabemos
    Dos covis que são abrigos.

    Mas um dia, um grande dia,
    Isso vai ser desvendado,
    Tudo no mundo é mutável,
    Tudo será transformado,
    Os moinhos, as fantasias…
    O grande mal hoje em dia
    Também será suplantado.

    Essa obra é importante
    Para entender esse mundo,
    Ver bem as germinações
    No seu terreno fecundo,
    Penetrar com tal mestria
    Na história, filosofia,
    Desse cavaleiro a fundo.

    Estudar com tal cuidado
    As suas contradições,
    Ou talvez do seu autor
    Por cruéis reflexões
    Ao criar um dissabor
    Com as cenas de humor
    Que denigrem as ações.

  5. Excelente resenha sobre desta obra magnífica! Ja li duas vezes e sempre paro para pensar nela.

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