As Limitações da Escolástica

duns Scot

 

As Limitações da Escolástica
Faço a resenha da coleção os pensadores em que só possui a obra de Duns Scot e Guilherme de Ockham. Como me interesso muito pela história e filosofia da idade média, adquiri esse livro. Já estou acostumado com alguns métodos da escolástica pela leitura de Santo Tomás de Aquino e de Santo Anselmo. Portanto tento entender a maneira como esses dois teólogos escrevem. A linguagem que os dois utilizam pode irritar um pouco com as frequentes citações de Aristóteles ( a idade média desconhecia Platão, somente sua obra Timeu), que Santo Tomás cita ainda mais, mas isso está desculpado porque a idade média jamais buscou o rompimento com a filosofia antiga, veja o exemplo de Bernardo de Chartres e seus anões em ombros de gigantes. Foi o gigante Aristóteles quem permitiu que os Filósofos da idade média enxergassem mais longe. Foi Descartes quem primeiro propôs a Tabula rasa em filosofia. Na obra há frequentes repetições das palavras Sócrates, brancura, calor, fogo, etc. Isso me incomodou um pouco.

A idade média cristã acabou por ficar muito dependente dos filósofos árabes e das obras de Aristóteles, mas pelo menos souberam reconhecer os erros do filósofo grego e de Averróis. Na obra de Duns Scot ele tenta provar a unicidade de Deus e o conhecimento natural do homem. É um filósofo um pouco difícil, mas não provocou tanto o rompimento com o pensamento de São Tomás quanto foi com Ockham . Esse último fica mais preocupado em negar os universais e ressaltar a importância do particular. Esse filósofo iria por fim a escolástica medieval, por isso ele é mais bem visto pelos olhos modernos, dado a sua influência para a separação entre fé e razão e filosofia e teologia.

Vamos ao exemplo de Ockham: para ele a afirmação que Deus é uno e trino não pode ser provada por nenhuma ciência, mas apenas pela teologia e a fé. A bondade de Deus também só pode ser provada pela fé. Ockham diz que em vida não conhecemos a Deus nem intuitivamente nem abstrativamente. Esse filósofo e sua negação de que através da razão e da observação de todas as criaturas, da natureza e do universo possamos chegar à conclusão de que existe um criador faz a pessoa cair no extremo do fideísmo. Creio porque creio e nada mais. Isso vai obviamente influenciar Lutero e Kant, mas o desenvolvimento posterior do protestantismo, por exemplo, entre os calvinistas e puritanos, a observação da obra da natureza e seu estudo pela ciência foram vistas como um meio de se glorificar a Deus. Isso pode ser lido na obra de Max Weber- A ética protestante e o espírito da capitalismo

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