Resenha de Ordem e História- Volume III, Platão e Aristóteles, de Eric Voegelin

9788515036837

 

A Ordem e a Pólis em Platão e Aristóteles
Nesse livro, Voegelin analisa algumas das principais obras de Platão, como a República, Fedro, Político e Timeu, assim como a Política de Aristóteles . O principal estudo do livro é sobre A República de Platão ( fiz uma resenha para esse livro). Para Voegelin, a experiência central da política platônica foi a consciência da época, que também está presente em Aristóteles. Platão experimentou a si próprio como inaugurador e governante da nova era. Sua evolução começa em a República, em que a fundação espiritual transbordará para a realidade histórica. Nas leis, a expectativa do novo reino foi transfigurada nos dois símbolos cósmicos da Pólis, que era a forma da obra em si. Para Aristóteles, como Platão, começa não uma nova era da Pólis regenerada( pois os eventos políticos demonstravam que ela estava perdida), mas um novo éon espiritual do mundo.

Aristóteles criticava a comunidade de mulheres e propriedades imaginada por Platão por seu caráter inovador. Isso era contra a sua ideia de que tudo já havia sido descoberto e que novidades eram perigosas. Esse problema da busca pelo progresso e pelas invenções só seria resolvido na escolástica dos séculos XII e XIII.Para Voegelin, Aristóteles nunca conseguiu ir além de Platão em sua política. Em sua obra ética a Nicômaco, Aristóteles definiu a política como ciência( ou arte) da ação humana. Como ações possuem um fim, seguir-se-ia em um regresso AD INFINITUM a menos que se supusesse a existência de um bem supremo( T’ AGATHON KAI TO ARISTON). A ciência que explora o bem supremo é a ciência da política. É essa ciência política que Voegelin analisa com grande erudição nessa presente obra.

A sociedade que pode ser considerada como boa depende da predominância social de um grupo de homens em que as excelências são realizadas, ou seja, são norma e medida. Quando a predominância de tal grupo for ameaçada pelas massas cujas paixões(PATHOS) não são contidas pela razão( LOGOS), a qualidade da sociedade declinará. Voegelin observa que depois que Platão surgiram opiniões diferentes referentes à natureza da eudaimonia: a vida apoláustica (hedonista), a vida política e a vida teórica. No mito da caverna platônico, Platão dava razões para o retorno do filósofo à Pólis .Na vida real o distanciamento estava se tornando a regra. O filósofo torna-se apolítico e só encontra a verdadeira eudaimonia transcendendo a vida política. A felicidade suprema (TELEIA EUDAIMONIA) será alcançada por uma vida ativa de acordo com as virtudes dianoéticas e a eudaimonia plena será uma forma de atividade contemplativa(THEORETIKE ENERGEIA).

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