Resenha do livro Introdução Geral à Filosofia, de Jacques Maritain

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A melhor introdução à filosofia Tomista
No início do livro, Maritain faz uma comparação entre a filosofia de Platão e a de Aristóteles. A filosofia de Platão é, antes de tudo, a filosofia das idéias. Para Platão existe um mundo supra-sensível com uma multidão de modelos imateriais ou de arquétipos, ou seja, o homem em si, a virtude em si, etc…Mas o que vem a ser o mundo sensível? Para Platão são puro vir-a-ser, imagens enganadoras e enfraquecidas da realidade. Daí vem a idéia gnóstica de que o homem é prisioneiro do corpo e dos sentidos. Para ele o homem é como um anjo aprisionado na carne(dualismo psicológico).

Para Aristóteles, o mundo platônico das idéias é ficção, pois as essências das coisas perecíveis não existem separadas das coisas em estado puro. Aristóteles rejeita a teoria da reencarnação e afirma a espiritualidade das operações de inteligência e da vontade.

Maritain rejeita a solução de Descartes, que queria construir a metafísica a priori, a partir de seu cogito, em completa oposição a Santo Tomás e Aristóteles, que consideravam a metafísica como termo supremo da investigação do filósofo, sendo mais conveniente estudá-la depois de outras partes da filosofia especulativa, pois a filosofia natural deve preceder a metafísica.

Existe uma ótima comparação entre as noções de filosofia de Aristóteles e Santo Tomás, a de Descartes e a de Auguste Comte.

Para Santo Tomás a filosofia e o conjunto de outras ciências possuem o mesmo objeto material. Mas a filosofia considera formalmente as causas primeiras e as outras ciências formalmente as causas segundas.

Para Descartes a filosofia absorve as outras ciências-a filosofia é toda a ciência; para Comte, as ciências absorvem a filosofia-não há filosofia.

Outro problema é a questão da verdade: para Aristóteles e Santo Tomás a verdade não é impossível nem fácil, mas difícil de ser atingida pelo homem. Ela se opõe radicalmente ao ceticismo e ao racionalismo.

Para o intelectualismo moderado de Santo Tomás, aquilo que é,é que causa a verdade de nosso espírito. A razão pode atingir, com plena certeza, as verdades mais elevadas da ordem natural, porém dificilmente e sob a condição de ser disciplinada.

Temos então o erro por deficiência, primeiro dos céticos( Hume), para quem a razão não pode atingir a verdade, que escapa absolutamente ao homem, ou para os anti-intelectualistas( Nietzsche), para quem a verdade deve ser procurada não pela inteligência, mas por outra coisa.

Há também o erro por excesso( racionalismo de Descartes), para quem a razão atinge facilmente a verdade de tudo.

O livro é muito recomendável para estudantes de filosofia na faculdade, pois nele ainda temos noções de lógica, ontologia e de metafísica; é uma obra pequena, mas profunda.

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