Resenha do Proslogion, de Santo Anselmo

Proslogion

 

O argumento de Santo Anselmo
Segundo Santo Anselmo, Deus é algo maior do que o qual nada pode ser pensado. Ora, o insensato diz em seu coração: não há Deus, mas ao ouvir que algo maior do que o qual nada pode ser pensado, entende o que ouve e o que entende está no seu intelecto, ainda que não entenda que isso exista.

Santo Anselmo diz que uma coisa é algo estar no intelecto, outra é entender que esse algo existe. Ele nos oferece o exemplo do pintor que concebe o que vai fazer no seu intelecto, mas ainda não entende que exista o que não fez. Ora, aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado não pode existir apenas no intelecto. Anselmo completa: se está apenas no intelecto pode pensar-se que existe na realidade, sendo assim maior. Portanto existe algo maior do que o qual não é possível pensar-se não apenas no intelecto ,mas também na realidade. Não podemos pensar que Deus não exista, pois não é possível pensar em um ser acima do criador
.
Tudo o que existe além de Deus, segundo Santo Anselmo, pode ser pensado como não existente, pois tem menos ser. Esse pensamento de Santo Anselmo iria encontrar um adversário em Gaunilo, que argumenta que toda uma série de proposições e entidades poderiam no nosso intelecto serem considerados como maior do que o qual não pode ser pensado. Gaunilo diz que o argumento do pintor não se adapta a este pensamento, pois aquela pintura antes de ser executada encontra-se na própria capacidade artística do pintor.

Ele conta a história a respeito de uma ilha que existiria em algum lugar do oceano, que ele até admitiria a sua existência, mas nega que a partir disso possamos dizer que todas as outras ilhas lhes sejam inferiores, e que aquela ilha existente não apenas em seu intelecto como também na realidade seja a mais valiosa, a qual nenhuma outra possa se comparar.

Outro argumento de Gaunilo: não podemos pensar que não existimos, quando temos certeza de que nossa existência é certa; mas se posso pensar que minha própria existência é incerta, por que não imaginar que o próprio Deus não exista?

A resposta de Santo Anselmo viria rapidamente. Anselmo refuta o argumento da ilha, pois dela poderá se dizer que teve início e terá um fim. O Santo também afirma que se algo maior do que o qual não pode pensar-se não se segue que tal esteja no intelecto, nem que se está no intelecto haja de existir na realidade. Para ele podemos afirmar sem hesitação: se isso ao menos pode ser pensado como existente, é necessário que exista.

Santo Anselmo argumenta que tudo aquilo que pensamos e não existe, se existisse, poderia não existir nem na realidade nem no intelecto; mas algo maior do que o qual não pode pensar-se não pode deixar de existir, se ao menos possa ser pensado.Não é possível ser pensado como não existente algo maior do que o qual não possa pensar-se.

Santo Anselmo diz que podemos sim pensar que não existimos enquanto sabemos que existimos. Explicando melhor: nada pode ser pensado não existir enquanto se sabe que existe e tudo aquilo que existe, exceto Deus, pode pensar-se que não existe mesmo quando se sabe que existe.

A argumentação de Santo Anselmo é sofisticada e difícil de se refutar. Santo Tomás e Kant tentaram descontruí-la, e Descartes e Hegel defenderam-na.É algo que ainda hoje nos faz pensar.

Comments

  1. acoplador says:

    Reblogged this on " F I N I T U D E ".

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