Resenha do Tractatus Logico-Philosophicus, de Wittgenstein

Wittegenstein

Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar
Para poder compreender esse livro é essencial ter estudado lógica, porque não é um livro fácil. Wittgenstein nos apresenta uma sequência de proposições que vão aumentando gradativamente em complexidade. Algumas de suas proposições despertam a nossa atenção.

Ele propôs que a totalidade dos pensamentos verdadeiros são uma figuração do mundo, e o que é pensável é também possível, e que Deus poderia criar tudo, exceto o que contrariasse as leis da lógica, sendo que não serámos capazes de dizer como pareceria um mundo ilógico.

Para Wittgenstein uma proposição só pode dizer como uma coisa é, não o que ela é. Ele nos dá o exemplo da proposição Rosa é rosa, onde as palavras não têm simplesmente significados diferentes, mas são símbolos diferentes. Para ele a proposição mostra o seu sentido e também mostra como estão as coisas se for verdadeira, e diz que estão assim, sendo que a realidade deve por meio da proposição ficar restrita a um sim ou não.

Como me interesso pelo problema da questão dos universais, Wittgenstein demonstra que o singular mostra-se repetidamente como algo sem importância, mas a possibilidade do singular nos ensina uma lição sobre a essência do mundo.

Em psicologia, Wittgenstein diz que os limites da nossa linguagem significam o limite de nosso mundo, ou seja, eu sou o meu mundo. Então se você é uma pessoa que diz que não consegue fazer as coisas, que não é feliz, que gostaria de ser outra pessoa e que não aceita ser o que você é, acaba demonstrando como o seu mundo é pequeno. Agora, se você diz eu posso e consigo, que aceita ser quem você é mesmo sabendo de suas limitações, isso demonstra o quanto é grande o seu mundo e o seu pensamento.

Agora temos a proposição de que a filosofia não é uma das ciências naturais, e que a palavra filosofia deve significar algo que esteja acima ou abaixo, mas não ao lado das ciências naturais. Discordo profundamente de Wittgenstein de que a teoria Darwiniana não tem a ver com a filosofia mais do que qualquer outra hipótese da ciência natural.

Ora, a teoria de Darwin sempre cai em um problema filosófico, e é um erro supor que Darwin não foi exposto à nenhuma filosofia ou a questões filosóficas.Se se admitir que Deus não existe, então naturalmente a pessoa passa a admitir que a matéria é eterna e onipotente, e que essa matéria original deu origem as mais complexas formas de vida; ou seja, a matéria é divina. Se negar que a matéria é divina, deverá admitir que em seu interior está preso um espírito, que através da evolução busca libertar-se da prisão da matéria, o que é a base do pensamento gnóstico.

Apesar de não concordar com algumas de suas proposições, gostei muito do livro, pois gosto de lógica, sendo uma das matérias mais interessantes e fundamentais em um curso de filosofia. Não compreendi muitas coisas do livro, então segui a sua proposição final : o que não se pode falar, deve-se calar.

Comments

  1. acoplador says:

    Reblogged this on " F I N I T U D E ".

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