O Nascimento da Ciência e do Capitalismo

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“A fé na possibilidade da ciência é derivada da teologia medieval” Alfred North Whitehead.

Rodney Stark começa com uma constatação impressionante: no início do século XVI, os europeus quando comparados aos povos muçulmanos, chineses e indianos eram os únicos a possuírem universidades, óculos, bússolas confiáveis e relógios mecânicos. Como isso foi possível? A resposta está na confiança do cristianismo na razão e na crença de que fazer ciência era possível. Tudo isso baseado no livro do gênesis, que afirma que a criação é boa, no livro da Sabedoria, que diz que Deus criou tudo com medida número e peso, em Santo Agostinho,e, principalmente, na filosofia escolática. Stark demonstra uma coisa que sempre instigou os estudiosos: como a revolução científica do século XVII aconteceu? Foi uma combinação de dois fatores importantes: a fundação das universidades, instituição desconhecida dos povos não cristãos até o século XIX, e a crença cristã de que a ciência e o progresso eram possíveis. A verdadeira ciência nasceu na europa medieval.

No livro também temos a questão de por que a China, a Grécia e o islã não produziram ciência. No caso da China e da Grécia foi a falta da crença em um Deus único e racional que criou um universo ordenado que impediu o progresso. No caso do islã, Allah é um deus que se intromete na criação quando julga apropriado. O islã nega a crença em leis naturais porque elas negam o direito de Allah de agir. Um outro mito que Stark combate é que a filosofia grega sozinha é que fez nascer a ciência. Nesse caso, por que a ciência não nasceu na Grécia, em Roma ou no islã? A resposta é que os escoláticos perceberam, ao contrário do islã, que a ciência grega estava cheia de erros. A crença escolática era que Deus é perfeito e sua obra funciona de acordo com princípios imutáveis. Outras causas foram o nscimento do individualismo e a abolição da escravidão na idade média, que proporcionaram estímulo para invenções de diversos tipos de moinhos e outras máquinas, por exemplo. A crença do livre arbítrio defendida por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino foi outro fator determinante para o progresso. Lembremos que essa doutrina é negada no islã, por Schopenhauer( doutrina da vontade), por Darwin ( lei da evolução), por Marx( homem econõmico) e por Freud( instinto sexual).

Há um capítulo dedicado ao progresso tecnológico da idade média. Vejam só, a “idade das trevas” inventou os óculos( que permitiram ao homem enxergar melhor) e as universidades( que fizeram nascer a ciência moderna).

Na parte dedicada ao nascimento do capitalismo, Stark é mais convincente do que Max Weber. Vejam as implicações da tese de Stark: o capitalismo nasceu da teologia cristã vinda dos mosteiros, inicialmente na Itália, depois se espalhando pelo norte da Europa. O capitalismo é uma invenção medieval por sua crença no comércio, no trabalho especializado, fé no progresso, crédito, um sistema bancário e ausência de escravidão. O principal motivo no entanto, foi a valorização do trabalho pela cultura monástica do ocidente. Stark aponta também a justificação teológica da igualdade entre os homens, os direitos de propriedade e a limitação que havia na idade média dos poderes dos reis e dos estados como outros fatores para o surgimento do capitalismo. Como o livro nos descreve, já havia puritanismo na Itália antes do advento do protestantismo. Recomendo a leitura da famosa obra de Jean Gimpel “a revolução industrial da idade Média” para entender as origens da revolução industrial do século XVIII. Rodney Stark é um excelente autor e de grande honestidade intelectual.

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