A Psicologia de São Tomás de Aquino

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Já vimos que a filosofia Tomista demonstra claramente a união da alma e do corpo, e afirma a existência de apenas uma alma e uma só forma. Ora, essa filosofia só pode defender também o ser comunicado pela alma, que comunica ao corpo o ato de ser. O ser convém à alma e também à forma. O que Édouard Hugon nos ensina é que a alma possui um ser racional e espiritual que domina a matéria, e que nunca é comunicado ao corpo, mas que o ser substancial da alma, enquanto forma, é comunicado ao composto, tornando-se o próprio composto. Separada do corpo, a alma conserva seu ser espiritual. O ser comunicável não é mais formalmente o mesmo, pois não vira ato, mas ainda persiste, da mesma forma que as potências vegetativas e sensitivas permanecem na vida após à morte.

A psicologia Tomista rejeita a identificação da alma com o pensamento, como Descartes, ou com a consciência do agir, como em Kant.

A filosofia de Avicena vem em auxílio de São Tomás quando afirma que a verdade é a adequação do intelecto ao objeto. Esse é o conhecimento que a filosofia Tomista nos oferece, em que conhecer é receber em nós a forma de outro objeto, de maneira que nós preservamos nossa forma, ao mesmo tempo que internalizamos a forma desse objeto por nós conhecido, de forma que nesse processo aperfeiçoamos nosso espírito.

O mesmo Avicena nos fornece um exemplo em seu Livro da Alma: o cordeiro recebe nas suas faculdades a forma do lobo por uma percepção que é simples, que lhe revela o seu inimigo. Mas esse é um conhecimento restrito e precário, no entanto,é um começo de independência. Mas o cordeiro não possui intelectualidade nem imaterialidade.

Então, para a psicologia de São Tomás, nossos conhecimentos têm origem no geral e universal, sendo que os nossos conhecimentos particulares só determinam o que já está no nosso conceito de ser. Isso é justamente o contrário do que ensina Guilherme de Ockham, para quem só o particular tem valor.

O que é preciso ser afirmado constantemente é que a alma depende de sua união com o corpo para desenvolver sua virtude. Como nos diz o padre Édouard Hugon, essa união proporciona à alma que ela passe a conhecer o material sem a condição da matéria, dessa forma conhecendo as condições singulares nas quais o universal está envolvido. Temos necessidade desse objeto sensível para que nosso intelecto confirme nossas concepções. Esse é um resumo da maravilhosa psicologia Tomista.

Bibliografia: Édouard Hugon, Os Princípios da filosofia de São Tomás de Aquino, Edipucrs, 1998.

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