O Dogma de Imaculada Conceição na Teologia de São Tomás de Aquino e Duns Scot

Duns Scot imagem

 

Esse artigo é a demonstração do erro terrível da teologia de São Tomás de Aquino sobre a questão da Imaculada Conceição de Maria. Existe uma verdadeira praga de católicos “tradicionalistas” que se recusam a admitir algumas visões desastrosas de São Tomás de Aquino sobre a alma. Demonstrar que ele errou não é coisa de protestante ou de um espírito anticatólico; é ser,sim, honesto em filosofia. No comentário que fiz sobre as 24 teses de Édouard Hugon, já havia percebido que São Tomás negava que o feto tivesse alma até um determinado período da gestação, e que essa tese foi aprovada pela Igreja Católica pelo menos até o início do século XX.

Vamos à doutrina (errônea) de São Tomás de Aquino sobre a Imaculada Conceição, e como Duns Scot estabeleceu corretamente o dogma, sendo justamente beatificado séculos mais tarde.

Para São Tomás de Aquino, a Virgem Maria estava purificada de modo extremo, sendo isenta do pecado mortal e venial, mas ela foi purificada do pecado original, pois convinha  a Ela ser concebida com o pecado original, porque foi concebida pela união dos sexos. Ela teve o privilégio de conceber o Filho de Deus. Como São Tomás de Aquino afirma de forma equivocada, a união dos sexos só pode ser realizada com libidinagem após o pecado original, por isso transmite esse pecado aos filhos, no caso, os pais da Virgem Maria transmitiram o pecado à filha.

Nas palavras de São Tomás de Aquino: ” Além disso, se ela não tivesse sido concebida com pecado original, não teria necessidade de ser redimida por Cristo, assim, Cristo não teria sido o redentor de todos, e isso degradaria a dignidade de Cristo.” A Virgem Maria, para São Tomás de Aquino, permaneceu após sua santificação inclinada ao pecado, porém, quando o Anjo Gabriel lhe anunciou que iria conceber o Filho de Deus, essa inclinação foi extinta, mas até a anunciação, a doutrina Tomista errou de modo desastroso, pois admitia que a Virgem estava inclinada ao pecado.

Essas palavras de São Tomás de Aquino foram retiradas de sua obra Compêndio de Teologia.

Duns Scot corrige o erro de São Tomás de Aquino e estabelece corretamente o dogma. O texto citado está na sua Ordinatio.

“Foi a Bem-Aventurada Virgem Maria concebida em pecado? A resposta é não, pois Agostinho escreve: ” Quando o pecado é tratado, não pode haver a inclusão da Virgem Maria na discussão”. E Santo Anselmo escreve:” Foi correspondendo que a Virgem deve ser resplandescente com uma pureza que ninguém mais debaixo de Deus pode ser concebido”.

O contrário, entretanto, é frequentemente defendido em dois pontos: Primeiro, a dignidade de seu Filho, que, como redentor universal, abriu os portões do céu. Mas se a Bem-Aventurada Virgem Maria não contraiu o pecado original, ela não precisaria de um redentor, nem ele teria aberto os portões do céu para ela, porque o portão nunca estaria fechado. Porque está fechado apenas pelo pecado, acima de todo o pecado original.

Em resposta ao primeiro ponto, alguém pode argumentar que da dignidade de Seu filho qua Redentor, reconciliador e Mediador, que ela não contraiu o pecado original.

Porque o mais perfeito mediador exercita a mais perfeita mediação possível a favor de uma pessoa de quem ele faz a mediação. Por isso Cristo exercitou a mais perfeita mediação a favor de alguma pessoa de quem ele foi mediador. A favor de nenhuma pessoa Ele teve uma relação mais exaltada do que com Maria. Isso, entretanto, não seria verdade se Ele não a tivesse preservado do pecado original.

Existem três provas disso: Em termos de Deus a quem ele reconcilia; em termos do mal que Ele liberta; e em termos da dívida da pessoa a quem Ele reconcilia.

Primeiro, ninguém absoluta e perfeitamente amansa alguém que será ofendido de nenhuma maneira a não ser que ele consiga prevenir a ofensa. Porque aplacar tendo em vista apenas redimir a ofensa já cometida é não aplacar de maneira mais perfeita. Mas Deus não suporta a ofensa  por causa de alguma experiência Nele mesmo, mas por causa somente do pecado da alma de uma criatura. Assim, Cristo não aplaca a Trindade mais perfeitamente pelo pecado a ser contraído pelos filhos de Adão se ele não previne a Trindade de ser ofendida em alguém, e se a alma de algum filho de Adão não contraiu tamanho pecado; e assim é possível que um filho de Adão não tenha esse pecado.

Segundo, os méritos do mais perfeito mediador é remover toda a punição daquele a quem Ele reconcilia. O pecado original, entretanto, é uma maior privação do que a falta da visão de Deus. Por isso, se Cristo mais perfeitamente nos reconcilia com Deus, Seu mérito é mais pesado do que todas as punições removidas da pessoa reconciliada. Esta deve ser a sua mãe.

Além do mais, Cristo é primeiramente nosso redentor e reconciliador do pecado original, mais do que do pecado atual, por isso a necessidade da Encarnação e sofrimento de Cristo é mais comumente atribuída ao pecado original. Mas se Ele é atribuído o fato de ser o perfeito mediador de ao menos uma pessoa, nomeadamente, Maria, quem Ele preservou do pecado atual. Logicamente, deveríamos assumir que Ele preservou-a de todo o pecado original, também.

Em terceiro, a pessoa reconciliada não está absolutamente  endividada com seu mediador, a não ser que receba desse mediador o maior bem possível. Mas esta inocência, nomeadamente, a preservação do pecado contraído, ou do pecado a ser contraído, está disponível pelo mediador. Assim, ninguém está absolutamente livre do débitos  com Cristo como mediador, a não ser que esteja livre do pecado original. É um bem maior ser preservado do mal do que cair nele e depois ser libertado dele. Se Cristo garantiu o mérito da Graça e da Glória para tantas almas, que, por causa desses presentes estão endividadas com Cristo como mediador, por que nenhuma alma seria sua devedora pelo presente de sua inocência? E por que, desde que os abençoados anjos são inocentes, deveria não haver nenhuma alma humana no céu( exceto a alma humana de Cristo), que é inocente, ou seja, que nunca esteve em estado de pecado original?”

 

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