Resumo da Filosofia de Hobbes: O Nominalismo e a Negação da Liberdade

Hobbes

O pensamento de Hobbes
Hobbes define a filosofia como o estado das coisas à luz da razão e exclui dela tudo o que depende da revelação. O sistema de Hobbes pode ser definido por este princípio:” todo ser é corporal e tudo o que acontece se explica pelo movimento”, ele continua:” toda a mudança se reduz a um movimento dos corpos modificados, a saber, das partes do agente ou do paciente”.

Hobbes dirá:” a proposição é constituída pela adição de dois nomes; o silogismo pela de duas proposições; a demonstração pela de vários silogismos. Essa maneira de proceder conduz à ciência. A ciência é o conhecimento das consequências de uma palavra a uma outra palavra”. Hobbes é nominalista, pois é nos nomes que se baseia todo o edifício científico. Diz ele: ” para compreender o valor do universal não é necessária outra faculdade a não ser a imaginativa, que nos lembra que palavras deste gênero suscitaram no nosso espírito ora uma coisa, ora outra”. Essa fórmula foi negada por São Tomás de Aquino, porque a inteligência do homem consegue abstrair as formas universais das condições individualizantes.

Sua filosofia é mecanicista, e é o fruto do nominalismo de Ockham que dominava as universidades inglesas da época. Só o particular tem valor no seu pensamento. O universal é sopro de voz, repetindo a fórmula da escolástica que se revoltou contra a filosofia de Aristóteles. Na filosofia de Aristóteles, o conhecimento verdadeiro é o universal, pois é dessa forma que a inteligência conhece os objetos.

Hobbes consegue ter alguns pensamentos bonitos como: “afrouxar é sensualidade; considerar os que vão adiante de nós é humildade; perder terreno olhando para trás é vanglória, manter-se em fôlego, esperança; estar cansado é desespero; recuar diante de pequenos obstáculos é pusilanimidade; ultrapassar o que vai adiante é felicidade; abandonar a corrida é morrer”.

Ele descreve a Deus, cuja existência é demonstrada pelo princípio de causalidade, como o “déspota”, ou senhor supremo do universo. Mas o Todo-Poderoso não desempenha papel algum como fundamento da moral ou da cidade. Para ele qualquer investigação sobre a natureza e os atributos de Deus são excluídos da filosofia. Com isso, antecipou o pensamento de Kant. Isso se deve à influência do pensamento de Guilherme de Ockham, que era dominante nas universidades inglesas da época, em que reinava a escolástica decadente.

Para Hobbes a tendência natural do homem é o egoísmo, e nega qualquer tendência natural à associação. Em política defenderá o absolutismo em que o poder do soberano é praticamente ilimitado. O pacto constitutivo da sociedade não é como em Rousseau entre o povo e seu governante, e sim, é um contrato unicamente entre os cidadãos que renunciaram ao seu direito a tudo para o depositar nas mãos do soberano. Defendia a subordinação total da religião cristã ao estado. Isso reflete a mentalidade protestante, que tende a marginalizar a igreja debaixo do poder do governante. A religião torna-se assunto privado.

A negação da liberdade da vontade em Hobbes

Liberdade, para Hobbes, é a ausência de oposição, o que pode ser aplicado tanto às criaturas racionais quanto às irracionais, sendo que o homem livre é aquele que não é impedido de fazer as coisas de que tem vontade. O filósofo inglês acredita que utilizar a palavra liberdade para outras coisas que não sejam corpos é um abuso de linguagem. Hobbes não identifica o livre-arbítrio com a liberdade da vontade, mas apenas com a ausência de impedimentos legais para que o homem se manifeste. Ele também manifesta a opinião de liberdade e necessidade são compatíveis. O homem tem necessidade de ações voluntárias, e sua liberdade de agir deriva-se da necessidade de se fazer aquilo que Deus quer, segundo Hobbes. A liberdade que o homem deseja alcançar não significa, porém, com a liberdade de ignorarem às leis, ou escapar do poder do soberano, é o que pensa Hobbes, que também defende que a liberdade só existe quando se trata do Estado, e não da liberdade individual de cada homem. O filósofo escreve que nenhum homem é livre para ir contra o poder do Estado em favor de outra pessoa, pois isso privaria o soberano de ter o poder de proteger os seus súditos. Hobbes admite que o homem tenha liberdade de agir conforme sua(do homem) vontade, desde que não haja leis a respeito.

A continuação do pensamento de Hobbes na filosofia contemporânea

Alguns pensamentos de Hobbes ainda são defendidos por muitos em nossa sociedade. Vejamos alguns: poucos são os que defendam a tese fundamental da filosofia de São Tomás do livre-arbítrio e da liberdade da vontade. Hobbes, Schopenhauer, Marx, Freud, Darwin, socialistas e revolucionários, todos as negam. É difícil encontrar alguém que ainda acredite que o homem realmente possui a liberdade de vontade, ao mesmo tempo que afirmam que ele é fruto de condições econômicas, sexuais ou de uma biologia evolucionista; outra questão que Hobbes manifestou e que continua sendo aceita por muitos, é que a liberdade só existe quando está relacionada à obediência ao soberano( ou Führer ou qualquer camarada e presidente atual). Veja que, especialmente entre os socialistas, o horror que causa a ideia de se educar os filhos em casa, sem que eles estejam matriculados em uma escola particular ou estatal. Para esses, não há como escapar ao Leviatã estatal, e suas liberdades e a  dos pais estão limitadas.

Bibliografia: Hobbes, Thomas, Leviatã

Thonnard. F.J- Compêndio de história da filosofia

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