A Liberdade de Imprensa nas Democracias: O Exemplo Norte-Americano

thomas-jefferson-3

Aqui no Brasil acontece nesse momento um movimento organizado pelas esquerdas a favor de uma “regulamentação” da mídia, supostamente para coibir certos abusos, mas quando percebemos melhor suas intenções, vemos que a chamada “ley de medios” tem uma inspiração não na nação mais democrática do mundo, os Estados Unidos, mas na autocrática Argentina de Cristina Kirchner. O erro desses esquerdistas é confundir as críticas aos governos de esquerda com uma conspiração de direita para alcançar o poder. Não foi o PT muito beneficiado como guardião da ética durante décadas, auxiliado por essa mesma imprensa “reacionária” que divulgava diariamente casos de corrupção envolvendo políticos da direita liberal e conservadora que governou o país e vários estados durante os anos 1980 1990? Lula, José Dirceu, José Genoíno e outros políticos petistas não se apresentavam ao povo como os representantes de uma pureza ideológica, da mesma forma que no processo do impeachment de Collor alguns desses não acabavam por representar o papel de inquisidores contra um governo “conservador” e corrupto? Quando os partidos de esquerda ganharam popularidade nos governos Collor e FHC fazendo oposição, a imprensa e a sua liberdade de denunciar pareciam satisfazer aos propósitos dos políticos socialistas. Por que fazer agora uma lei que não passa de uma tentativa de subordinar a imprensa aos poderes do Estado? Vamos estabelecer primeiro a importância da liberdade de imprensa para a consolidação da democracia nos Estados Unidos a partir de uma análise de Alexis de Tocqueville em seu livro A Democracia na América. Abaixo, reproduzo o texto do pensador francês:

[Read more…]

Resenha do livro Anamnese, de Eric Voegelin

Anamnese

Anamnese é um livro muito rico e exuberante, que exige do leitor um vasto conhecimento filosófico e histórico. O título do livro vem do grego, sendo um conceito criado por Platão, que significa trazer à memória o conhecimento perdido. Voegelin parece ser ao mesmo tempo um filósofo da história e um filósofo da consciência. O livro é dividido em capítulos que aparentemente não estão relacionados, pois em um é apresentada a crítica do autor à fenomenologia de Husserl, em outro uma discussão sobre a historiogênesis dos mitos egípcios, sumérios, gregos e israelitas. Em um desses capítulos está o título do livro, porque nessa parte Voegelin relembra acontecimentos de sua infância que ajudaram a formar sua consciência.

[Read more…]

A Natureza da Physei Dikaion em Aristóteles

Aristoteles

Essa discussão a respeito do que é justo por natureza se encontra no livro V da Ética a Nicômaco (1134 a). Nesse ponto, Aristóteles trata do que é justo de maneira geral e o  que é justo politicamente. Ele estabelece uma distinção entre esses dois modos de justiça. O que é justo incondicionalmente não é a mesmo que o justo politicamente, porque nesse último caso a justiça só pode ser alcançada entre homens iguais e livres, de forma que entre os desiguais não pode haver uma justiça política, mas somente em sentido especial, de acordo com Aristóteles. Na visão política do filósofo grego, não é possível que um homem governe, mas a lei, porque diferente dessa forma só pode nascer a tirania. A justiça política não existe na relação entre senhor e escravo e de um pai para filho, porém, Aristóteles reconhece que possa existir um tipo de justiça na relação entre marido e mulher, mas não a justiça política.

[Read more…]

Resumo da Filosofia de Jean-Jacques Rousseau

rousseau

A filosofia de Rousseau pode ser definida assim:

Rousseau era antes de tudo um filósofo especulativo, que criou um sistema contraditório, e tentou ser uma perversão do dogma católico do pecado original. Para ele, o homem nasce naturalmente bom, no mesmo estado de graça do casal original da Bíblia, mas se a Bíblia afirma que a curiosidade do homem em provar do fruto da árvore do bem e do mal foi a causa da sua queda, Rousseau atribui a tendência do homem para o mal à vida em sociedade. Rousseau não apresenta provas da sua tese, e suas teorias perigosas começam aí. [Read more…]

A Teoria do Domínio dos Fatos, por Eric Voegelin

Eric Voegelin imagem artigoExtraído do livro Hitler e os Alemães, páginas 304 e 305.

” Este é um bom material, mas ainda não terminamos com ele. Tenho falado continuamente da degeneração moral;ela não existe abstratamente, especialmente em uma sociedade.É, ao contrário, uma questão de todo esse processo de degeneração espiritual e intelectual que já exemplifiquei, começando com Schramm, passando pela igreja, e assim por diante, e agora com essas decisões judiciais. Para realmente se chegar à profundeza da questão, tem-se de introduzir um conceito do Direito Anglo-Saxão, creio eu. É o conceito de partícipe, antes do fato, durante o fato, e depois do fato. Não sei se há uma expressão legal correspondente em alemão para “partícipe”, aquele que ajuda e instiga. Mais concretamente: alguém que, estando ausente no momento em que o crime é cometido, no entanto, ajuda, influencia, aconselha, incita, encoraja, engaja-se ou manda outrem cometê-lo é partícipe antes do fato e tão punível como quem de fato cometeu o crime.

[Read more…]

Resenha de Hitler e os Alemães, de Eric Voegelin

HitlerEOsAlemaes

” a guerra é de todas as coisas o pai, e de todas as coisas o rei; de alguns ela faz deuses e de alguns, ainda,faz homens; alguns ela torna escravos e alguns, homens livres.” Heráclito- Fragmentos.

Existem muitos livros sobre a vida de Hitler, sendo que um eu recomendo especialmente, que é a biografia de Hitler de Joachim Fest; entretanto, nenhuma das biografias que eu li fazem uma análise filosófica sobre a personalidade de Hitler e  a população alemã da época, incluindo os filósofos e pensadores de destaque, e também o comportamento das igrejas evangélicas e católica no período antes,durante e posterior à guerra.

[Read more…]

A Tentativa de Imanentizar o Eschaton, por Eric Voegelin

Eschaton

O filósofo alemão Eric Voegelin criou essa expressão na sua obra Nova Ciência da Política. Na edição brasileira da  Universidade de Brasília, ela é mencionada na página 92, no capítulo “gnosticismo-a natureza da modernidade”. Voegelin escreve: “o homem e a humanidade agora têm sua realização, mas ela está além da natureza. Mais uma vez, nesse caso, não há um eidos da história, porque a sobrenatureza escatológica não é uma natureza no sentido filosófico e imanente. Portanto, o problema do eidos na história só se põe quando a realização transcendental cristã é imanentizada. Contudo, tal hipótese imanentista do eschaton é uma falácia teórica. As coisas não são coisas, nem possuem essência, em virtude de uma declaração arbitrária. O curso da história como um todo não é objeto da experiência; a história não possui um eidos, e isso porque seu curso se estende ao futuro desconhecido. Assim,o significado da história é uma ilusão; e esse eidos ilusório é criado ao se tratar um símbolo de fé como se fosse uma proposição relativa a um objeto da experiência imanente.”

[Read more…]

Resumo da Filosofia de Kant: O Problema Crítico e a Classificação dos Juízos

kant

Kant tentou limitar ao máximo o valor da metafísica, rejeitando o racionalismo de Leibniz e ao fenomenismo de Hume. Esse é o primeiro de uma série de artigos em que vou tentar apresentar a filosofia complexa de Kant. Terei como base a obra Compêndio de história da filosofia, de Thonnard.

Classificação do saber.

Kant percebeu a diferença dos progressos das diversas ciências de seu tempo. Por um lado, a matemática, a física, a geometria e a astronomia de Newton, que se impunham sem contestação; de outro, a metafísica, que se revela contraditória e vacilante desde Descartes. O mundo, a psicologia e a teodicéia entram em crise. Kant vai analisar se a metafísica é possível e se será válida; no entanto, às ciências não será necessário investigar, pois elas já estão confirmadas, restando apenas determinar como são verdadeiras.

[Read more…]

Resumo da Filosofia de Platão: Teoria das Ideias, Mundo Sensível e Psicologia

Platão

Para quem quiser saber sobre as implicações do pensamento platônico na área da Bioética (e se você também gosta da série Black Mirror), clique aqui https://felipepimenta.com/2016/07/25/problemas-e-possibilidades-do-transumanismo/

Platão foi o maior filósofo de todos os tempos. Na minha opinião, sua filosofia é a mais completa, metafísica e humana que a de Aristóteles. Seus escritos em forma de diálogo são de uma beleza incomparável em relação a qualquer outro filósofo que já tenha existido. Vou analisar a filosofia platônica em seus principais aspectos, como o mundo das Ideias, a psicologia, a existência de Deus, o domínio da opinião, a moral e a política.

[Read more…]

Resenha de O Passado de uma Ilusão, de François Furet

O passado de uma ilusão

O comunismo foi ( e ainda é) um sistema, ou filosofia, que atraiu a adesão de milhões de pessoas no século passado. Vários intelectuais do ocidente, inclusive pessoas religiosas, se sentiram identificadas com a Revolução de Outubro de 1917. François Furet busca nesse livro uma reflexão sobre o passado do comunismo, de forma a demonstrar às semelhanças ou diferenças entre a revolução de Lenin e a Revolução Francesa de 1789.

[Read more…]