Resenha de O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien

Senhor dos Anéis

A Sociedade do Anel

O livro O Senhor dos Anéis é fruto da imaginação poderosa de Tolkien. O autor inglês sabia que a humanidade precisa de mitos, e a sociedade do anel dá início a uma história grandiosa situada em um mundo imaginário chamado de Terra-Média. Nesse mundo medieval rico em detalhes, que muitos criticam o autor nesse ponto por acharem que isso torna a leitura cansativa, opiniões essas das quais eu discordo, pois creio que as descrições de Tolkien fazem o mito parecer mais real.

O bem e o mal estão caracterizados de forma que quase não He muita ambiguidade entre os personagens. A história de Frodo bolseiro, um Hobbit que herda um anel há muito desejado pelo senhor do escuro, e sua missão de levá-lo até a montanha onde o anel poderá ser destruído, prende o leitor a cada página.

A Terra-Média é um mundo inventado que parece muito real a cada descrição feita por Tolkien de seus detalhes e geografia. Plantas, rios, árvores e aves estão descritas com grande realismo, e estradas que conduzem o leitor a regiões inexploradas, que fazem você sentir a vastidão e a angústia da solidão que os personagens sentem nesses cenários estranhos e lendários.

A história é centrada em Frodo e seus amigos Hobbits, mas acho que a maioria dos leitores irá se identificar com Aragorn, e, principalmente, com o mago Gandalf, o cinzento, esse último sendo o personagem que exerce uma liderança natural sobre todos os outros.

As partes em que os personagens andam pelas florestas, montanhas e estradas são realmente abundantes durante a sociedade do anel, no entanto, mais uma vez reafirmo que é isso que causa na mente do leitor uma profunda imersão no universo imaginário da Terra-Média.

As músicas cantadas durante os capítulos provavelmente possuem maior força no original em inglês, mas mesmo em português elas funcionam bem.

Depois dessa breve análise da Sociedade do anel, vale a pena parar para pensar de o porquê que a mitologia de Tolkien torna-se tão importante para quem a lê. O pensador americano Joseph Campbell já demonstrava a necessidade que todo o ser humano tem de identificar-se com algum mito.

Campbell dizia que o homem moderno está muito preocupado com as notícias do dia e nos problemas do momento. Ele recorda que o mundo universitário de antigamente fazia o estudante ficar imune ao que ocorria fora do ambiente universitário, para assim dedicar-se à vida do espírito contida na tradição de pensadores como Platão.

O mito sempre foi necessário aos homens, e é esse o motivo pelo qual o Senhor dos Anéis é tão poderoso, porque o mito fala sobre o que é eterno e comum a todos os tempos, e que dão sustentação à vida humana.
Campbell demonstra como o mito produz os sinais ao longo do caminho de nossa vida, e que sem o mito, nós deveríamos produzi-lo por conta própria, o que tornaria nossa jornada mais difícil.

O que então a sociedade do anel proporciona? A missão de uma vida, o valor da amizade, a luta do bem contra o mal e a força da coragem. Finalizando com Campbell, ele diz: “mitos são pistas para as potencialidades espirituais da vida humana”.

As Duas Torres

(…) após Gandalf ter enfrentado o Balrog em Moria, no fim da parte da sociedade do anel, o grupo se dispersa. Agora, Legolas e Gimli encontram Boromir agonizante após ele ter sido atacado por um grupo de orcs, então Boromir pronuncia suas últimas palavras para os seus companheiros. Merry e Pippin foram feitos prisioneiros dos orcs. O grupo de Aragorn avista um grupo de cavaleiros de Rohan; logo eles tornam-se amigos. A comitiva dos orcs é surpreendida por um grupo de cavaleiros; aproveitando a distração dos orcs, Merry e Pippin conseguem escapar para dentro da floresta. Lá eles encontrarão mais um personagem fantástico de Tolkien: Barbárvore, um ent. Barbárvore canta então a canção mais bela do livro para os Hobbits, e reúne também um enorme grupo de ents que irão ajudar os hobbits em sua jornada.

Aragorn encontra vestígios da passagem dos hobbits em um caminho perto da floresta, e lá eles se deparam com a figura misteriosa de um velho, que logo revela-se um velho amigo: é Gandalf, agora conhecido como o Branco. Frodo e Sam são outros personagens com grande destaque em as duas torres. Os dois são acompanhados pelos pântanos por Gollum, que está somente interessado no anel. Nessas longas passagens que descrevem Frodo, Sam e Gollum caminhando por diversos cenários, Tolkien não perde a mão em nenhum momento. A história continua com força e vai se tornando cada vez mais interessante. O capítulo mais sombrio e angustiante é o das escadarias de Cirith Ungol, onde o clima pesado e apavorante deixa o leitor mais atento. Logo em seguida a tensão aumenta com a toca de Laracna, onde o suspense atinge seu auge(…)

***

Meu primeiro contato com esse universo mitológico de Tolkien foi assistindo nos anos 1980 ao desenho caverna do dragão. Esse sempre foi o meu desenho preferido quando era criança. Depois, já nos anos de 1997/1998, foi jogando no computador os games Myth: the fallen lords e Myth II-Soulblighter que meu interesse por esse universo fantástico aumentou, porque o jogo tinha todos os elementos que dão força à obra de Tolkien: uma história muito boa, anões, magos e,também, cenários estranhos e desolados, com mapas representando esse universo imaginário. Claro, depois que vi o primeiro filme da série, fiquei com mais vontade de conhecer Tolkien, então, decidi comprar o livro, e, desde então, Tolkien é um dos meus autores favoritos.

O Retorno do Rei

A parte final de o Senhor dos Anéis é a mais movimentada do livro. Tolkien sabe descrever as batalhas muito bem, mas, na minha opinião, o fato de eu ter assistido o filme antes de ler o livro tirou um pouco da grandiosidade das sequências de lutas do livro. Nessa parte final, Tolkien deu finalmente ênfase a uma personagem feminina, algo que faltou nos livros anteriores, com a exceção de Galadriel, que é uma personagem claramente influenciada pela Virgem Maria, já que Tolkien era católico.

Ao contrário do que eu imaginava antes de ver os filmes e ler os livros, o senhor dos anéis não lida muito com a magia, que certamente é uma tentação de ser usada em livros de fantasia, portanto, vemos que Tolkien foi cuidadoso nesse aspecto. A amizade de Frodo e Sam é o tema central desse terceiro livro, quando acompanhamos a luta dos dois para destruir o anel. O livro, muito mais que o filme, consegue passar a tensão vivida pelos personagens. A parte em que Gollum deixa cair o anel na montanha foi o ponto mais fraco da história, pois parece que Tolkien não sabia o que fazer para narrar esse acontecimento. Mas o livro termina muito bem com o casamento de Sam.

***

O grande especialista em mitos, Joseph Campbell, dizia que os mitos possuem quatro funções: a primeira é a função mística, demonstrando a maravilha do universo, e a existência e o espanto diante do mistério. Campbell afirma que o mito leva a pessoa ao mistério transcendente, através das circunstâncias da vida verdadeira; a segunda função é a cosmológica, mostrando a forma do universo; a terceira é sociológica- o suporte e validação de determinada ordem social; a quarta e última função é a pedagógica, ou seja, como viver uma vida humana sob qualquer circunstância. É isso que o mito pode ensinar. Vamos dar os exemplos dessas funções aplicadas ao livro.

1- Tolkien tenta ao máximo humanizar os seres fantásticos da Terra-Média. A tentativa de transcendência é feita pelos hobbits através da missão de destruir o anel e libertar o mundo do mal. A transcendência também é refletida por Galadriel, que é a representação da Virgem Maria no livro, personagem essa que protege os hobbits. O anel e sua história representam o mistério da existência do mal, em um mundo inventado por Tolkien que é essencialmente bom.

2- A função cosmológica é descrita por Tolkien em uma rica história da genealogia dos vários personagens, e na existência das forças do bem e do mal. Tolkien evita a ambiguidade moral na maioria de seus personagens em o senhor dos anéis.

3- A ordem sociológica é determinada pelas hierarquias nesse mundo monárquico-medieval, em que a coragem de vários homens e de uma mulher são enfatizados durante o livro. Reis, e abaixo deles, os soldados ,e, por fim, as mulheres, estão representados nessa ordem estabelecida por Tolkien, que são o reflexo de um mundo medieval. Talvez possamos dizer que a monarquia seja a ordem social mais básica e melhor aceita pelos homens em toda a sua história.

4- Como viver uma vida humana em qualquer circunstância? Mesmo em um mundo mítico, e com o mal tendo grande poder, o senhor dos anéis mostra a tentativa de uma vida digna, ou seja, aquela em que a amizade é um dos valores mais belos que a pessoa possui. Mesmo com a existência do mal, coisa que toda obra cristã sabe representar, a vida possui momentos de felicidade, e o mundo é uma bela criação. Tolkien soube descrever a missão que todos os homens possuem de combater o mal.

O livro é muito bom, principalmente para quem sabe apreciar o valor do mito, e os exemplos que ele pode dar para que possamos fortalecer alguns valores. Recomendo a leitura da obra o poder do mito, de Joseph Campbell, que está disponível na internet ou em DVD, para que a importância dos mitos que a história nos oferece sejam valorizados como bússolas que nos guiam nessa nossa existência nesse mundo.

Comments

  1. gleyson says:

    Eu sempre fui muito curioso em descobrir essa universo paralelo de J.R.R.Tolkien, pois sempre acontece coisas inesperadas, que o leito que aprecia um obra de grande porte, não estava esperando. Bem, posso dizer, pois eu nunca li os livros, mas já assistir os filme, e o mesmo são incríveis.
    Gostei muito de sua resenha.

  2. gabriele says:

    J.R.R Tolkien não era um ingles soh para avisar

  3. fabio says:

    Muito bom, gostei mto da resenha

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