O fim último do homem segundo São Tomás de Aquino

Dante Paaraíso

Na Suma Teológica, São Tomás escreve sobre  o fim último da vida humana que ele crê ser a bem-aventurança. É importante em termos de filosofia sabermos se o homem age em busca de um fim, se todos os homens possuem um único fim e se todas as criaturas coincidem naquele último fim.

São Tomás toma como base a afirmação de Aristóteles no Livro II da Física, que diz que o fim é o princípio das ações humanas. A partir disso, São Tomás afirma que os homens possuem livre-arbítrio e que suas ações estão sob o seu domínio.Essas ações procedem de uma potência, por ela causados de acordo com a razão de seu objeto; daí o Santo pode afirmar que o objeto da vontade é o fim e o bem, sendo assim, todas as ações humanas têm em vista o fim. É claro que nem todos os atos humanos procedem da deliberação da razão, como movimentar-se ou coçar-se, por isso, essas atitudes têm um fim imaginado apenas.

Não só o homem, como também a natureza age com vista do fim, como disse Aristóteles. Essa é a causa final, que no caso do homem, ele move a si mesmo para um fim; já os animais irracionais movem-se para o fim por inclinação natural, pois não possuem a faculdade da vontade e da razão. Os seres irracionais, afirma São Tomás, não possuem o intelecto e não podem aprender o universal, mas é necessário que todos eles sejam movidos para um fim particular por uma vontade racional para que alcançem o bem universal que é a vontade divina.

Na filosofia Tomista, cada coisa recebe a espécie do ato, e não da potência. Podemos considerar nesse modo de pensar que existam duas maneiras pelas quais os atos humanos recebem o fim da espécie, quer como ação, quer como paixão. Isso porque o homem move a si mesmo e é movido por si mesmo. Sendo assim, afirma o Santo, os atos morais recebem a espécie do fim, pois se identificam os atos morais e os atos humanos. Respondendo ao argumento contrário de que uma mesma coisa não pode existir senão em espécie, e que um mesmo ato pode estar ordenado a diversos fins, ele diz que um ato pode estar ordenado pode ser ordenado a muitos fins remotos, mas também é possível que o ato seja ordenado a muitos fins de vontade. Matar um homem pode ser um assassinato da mesma forma que pode ser a consumação da justiça. Os fins morais são acidentais às coisas naturais, que por sua vez, a razão de fim natural é acidental à moralidade.

Se concebermos que não há um fim para o homem , mas que podemos ir ao infinito, destruiríamos a natureza do bem como está no livro II da Metafísica. Sem isso, a noção de causa final estaria destruída, e também não poderíamos admitir que o homem age para buscar um fim, pois se não fosse assim, nenhuma ação jamais terminaria, nem nenhum apetite seria apetecido. O homem não pode agir em busca de mais de um fim, pois não pode existir a perfeição distinta do fim último. Deve também ter seu apetite voltado para aquilo que se deseja naturalmente, e esse apetite racional é o último fim. São Tomás insiste na afirmação de que o homem está voltado apenas para um único fim, porque todas as coisas que comandam nossa vontade estão no mesmo gênero, por isso é necessário que o fim seja um só.

O desejo que o homem possui de várias coisas, deve existir com o objetivo de alcançar o último fim, pois tudo o que ele deseja, assim o faz por causa de um bem. O primeiro ato do homem para alcançar o bem é uma perfeição que se ordena para a perfeição terminada que se tem pelo último fim, diz São Tomás.

Para terminar essa reflexão, São Tomás faz a pergunta se todos os homens têm como objetivo o último fim e se outras criaturas também têm. Primeiro, São Tomás responde, nem todos os homens desejam às mesmas coisas como último fim, porque para uns esse fim são as riquezas e os prazeres; para outros o fim desejado é o Ser perfeito, já que esses possuem o afeto bem disposto. Quanto às criaturas irracionais,elas  não têm em comum o fim último do homem quanto à consecução do fim, mas também têm a Deus como fim, mas não alcançam esse fim amando e conhecendo a Deus, pois isso só foi concedido ao homem.

Fonte: Suma Teológica ,Volume III, Edições Loyola

Comments

  1. paul simon says:

    Estes pensamentos dizem respeito as diversidades dos fins e objectvos do homen

  2. Hum q delicia

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