A Vida após a morte dos animais segundo a Filosofia

Meu cachorro Bryan  28/06/1995- 11/06/2010

” Pois aquilo que é deve sempre ser”  Hermes Trismegisto ( citado no livro The World as Will and Representation , Volume II)

É inútil procurar na Bíblia ( nesse caso alguém pode me corrigir) ou em qualquer filósofo cristão uma passagem que sustente uma vida futura para os animais. Filósofos como São Tomás de Aquino, Kant e Descartes só consideravam que fazer o mal para algum animal só era errado porque se atacava a propriedade do próximo.

O grande defensor dos direitos dos animais e de uma vida futura para eles foi Arthur Schopenhauer. Na sua obra ” O Fundamento da Moral”, Schopenhauer escreve sobre como devemos respeitar e amar os animais, que são nossos companheiros de sofrimento nesse mundo. Ele ataca a ideia de que os animais não possuiriam nenhum direito ao respeito e compaixão por parte dos  seres humanos como uma crença  judaica. De fato, tanto o judaísmo quanto o islamismo não são favoráveis aos animais. O cristianismo em princípio também não, mas a Inglaterra protestante foi o primeiro país a ter uma sociedade protetora dos animais.

Diz Schopenhauer na obra citada acima: ” Essas pessoas devem, de fato, estar totalmente cegas, ou então contaminadas pelo foetor judaicus ( termo que Schopenhauer escreve e com o qual eu não concordo), que não discerne que a verdadeira parte essencial e fundamental  no ser humano e nas bestas é essencialmente igual.” Segue a passagem: ” o que distingue um do outro não jaz no princípio primário e original, na natureza íntima, no núcleo de dois fenômenos( esse núcleo sendo ambos como a Vontade do individual); é encontrado no que é secundário, no intelecto, no grau da capacidade perceptiva.” continua mais adiante: ” em todos os outros aspectos a similaridade entre homens e animais, tanto física quanto corporal, é suficientemente surpreendente. Então devemos lembrar aos nosso amigos judaizados no Ocidente, que desprezam os animais, e idolatram à Razão, que se eles foram amamentados por suas mães, também seu cachorro o foi.” Ele atribui a situação bárbara que os animais são tratados no Ocidente ao Judaísmo.

Em O Mundo como Vontade e Representação-Volume II, Schopenhauer escreve:” Agora, se a mãe universal sem qualquer cuidado enviasse seus filhos sem proteção de encontro a milhares de perigos desafiadores, isso só poderia acontecer porque ela sabe que, quando eles caem, acabam por cair de volta em seu útero, onde eles estariam salvos e em segurança; dessa forma, sua queda é apenas um gracejo. Com o homem ela não age de outra forma do que ela faz com os animais; por isso  sua declaração se estende também para os homens; a vida ou a morte de um indivíduo é um tema de total indiferença para ela. Consequentemente, isso também deve ser, em certo sentido, matéria de indiferença para nós também; pois, de fato, somos a natureza também. Se apenas nós enxergássemos o suficiente, nós deveríamos concordar com a natureza, e conceber a vida ou morte com indiferença da mesma forma que a natureza. Enquanto isso, por meios de reflexão, nós devemos atribuir ao pouco cuidado e a indiferença da natureza em relação à vida dos indivíduos pelo fato de que a destruição de tal fenômeno não perturba, afinal, seu verdadeiro e real íntimo Ser.”

Schopenhauer diz que no Oriente esse desprezo pelos animais é totalmente desconhecido tanto no Budismo quanto no Hinduísmo. Ainda no livro O Mundo como Vontade e Representação, Volume II, ele escreve:” Mas a presunção oposta de que o animal é um surgir-do-nada, e da mesma forma que sua morte é uma absoluta aniquilação, e com a adição adiante de que o homem também veio para essa existência  do nada , e mesmo assim possui uma existência individual futura eterna, e ainda com a consciência preservada, ao passo que o cachorro, o macaco e o elefante são aniquilados pela sua morte- é algo que realmente a mente sensata deve se revoltar, e deve declarar absurda.” Continua Schopenhauer  mais adiante e que podemos usar como uma mensagem para quem ficou triste com a perda de seu animal de estimação ( no original ele está falando sobre todas as coisas, e não especificamente sobre os animais): ” Existe apenas um único momento presente, e ele sempre existe: pois esta é a forma única da atual existência. Nós devemos chegar a uma percepção de que o passado não é em si mesmo diferente do presente, mas está apenas na nossa apreensão. Esta tem o tempo como sua forma, pela virtude de que o presente sozinho mostra a si mesmo como diferente do passado. Para fazer essa ideia mais fácil, vamos imaginar que todos os eventos e cenas da vida humana, bons e ruins, afortunados ou desafortunados, encantadores ou sinistros, que nos são apresentados sucessivamente no curso do tempo e em uma variedade de lugares, na mais variada  multiplicidade e sucessão, como existindo de uma vez só e simultaneamente e para sempre, no Nunc stans, de forma que só aparentemente agora esse agora existe; então nós poderemos entender o que a objetificação da Vontade-de-viver realmente significa. Nosso prazer em pinturas de gênero existe porque elas fixam  as passageiras cenas da vida. O dogma da metempsicose é resultado do sentimento da verdade expressada agora.”Se São Tomás de Aquino errou sobre aspectos da alma e da natureza da Virgem Maria, pode muito bem ter se enganado a respeito dos animais como você pode ler nesse site. Por último, vou citar uma passagem de Hermes Trismegisto no seu Corpus Hermeticum sobre a imortalidade de todos os seres vivos. O texto é esse:

“Bem, se o mundo é um vivente que sempre está em vida, no passado, no presente, no
futuro, nada no mundo pode morrer. Como cada uma das partes do mundo está
sempre em vida, tal qual é, segundo seu próprio ser, como, por outro lado, se encontra
num mundo que é sempre uno e que é vivente a um vivente sempre em vida, não
permanece no mundo um lugar para a morte. É preciso portanto que o mundo esteja

repleto, infinitamente, de vida e de eternidade, posto que deve sempre,
necessariamente, viver.”

É possível ser cristão e acreditar nessa verdade. É o que acredito.

Bibliografia: Arthur Schopenhauer, O Fundamento da Moral.

The World as Will and Representation, Volume II, Dover Publications.

 Hermes Trismegisto, Corpus Hermeticum- domínio público.

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