A ideia de felicidade em John Rawls

Felicidade

A busca pela felicidade está presente na obra de muitos filósofos, de Aristóteles a Stuart Mill. Se tantos já escreveram sobre ela desde a antiguidade, o que a filosofia política do século XX poderia dar de contribuição a esse tema? O filósofo americano John Rawls muito contribuiu para essa discussão. Em sua obra Uma Teoria da Justiça, Rawls tenta diferenciar a sua tese de doutrinas como a de Aristóteles e do hedonismo. Na justiça como equidade, não existe apenas um único fim como a contemplação, Deus ou o prazer. Existem na verdade muitos fins para os seres humanos, e eles podem ser buscados desde que não interfiram no conceito de justiça e no direito dos outros. Nossa própria verdade não pode ser um obstáculo à justa procura da felicidade de outras pessoas.

[Read more…]

Resenha do Timeu de Platão

timeu-e-critias-ou-a-atlantida

Timeu é o diálogo mais difícil de Platão pelo fato de ser uma espécie de Gênesis dos gregos. O livro apresenta em uma forma resumida pelas palavras do pitagórico Timeu, os conhecimentos de medicina, matemática, cosmologia e psicologia do tempo de Platão. De fato há uma semelhança com a narrativa bíblica porque o Demiurgo platônico cria o mundo e vê que ele é bom. No Timeu o mundo criado, o homem e os animais são obra de uma inteligência que tudo criou com bondade e racionalidade. No começo tudo estava em desordem e ao acaso na natureza, até que ela se deixou persuadir pela Inteligência. Então Deus criou tudo de maneira boa e eliminou toda forma de imperfeição. Tudo o que o Demiurgo cria é sempre o mais belo segundo o mito da criação platônico.

[Read more…]

Resenha de Para uma Nova Interpretação de Platão, de Giovanni Reale

Reale Platão

A filosofia de Platão já é muito admirada por sua riqueza, especialmente a sua Teoria das Ideias. No entanto, a maioria das pessoas desconhece uma outra parte da filosofia platônica, que é a Teoria dos Princípios, a qual faz parte das “doutrinas não-escritas” de Platão. A existência dessa Teoria e das doutrinas não-escritas são defendidas por Reale e pela escola de Tübingen, na Alemanha.

Reale acredita que a parte principal da filosofia de Platão não é a Teoria das Ideias, mas sim, a Teoria dos Princípios. Isso porque ele se baseia em uma passagem do Fedro e da Carta VII de Platão para sustentar que a parte mais importante da filosofia platônica foi transmitida de forma oral, e não está contida de maneira completa nos diálogos, de maneira que nesses últimos estão presentes passagens( especialmente no Fedro) que indicam que Platão admitia que o que é mais importante deve ser ensinado pela oralidade, já que o verdadeiro filósofo não coloca a melhor parte de sua doutrina no papel.

[Read more…]

Resenha do Filebo de Platão

Filebo

Filebo é um diálogo que trata do prazer. Sou da opinião que antes de ler esse diálogo o leitor já deve ter lido o Parmênides e o Político para uma melhor compreensão. Participam do diálogo três personagens: Sócrates, Protarco e Filebo. No início, Filebo faz a afirmação de que a vida de prazeres é mais desejável do que a vida do saber. Sócrates então sugere que se for demonstrado que o prazer é superior e não precisa de nenhum outro bem, então o prazer será o vencedor; caso seja o saber, o mesmo acontecerá. Uma pequena discussão entre Sócrates e Protarco acontece pelo fato desse último não fazer uma diferenciação entre os graus dos prazeres. Depois de algumas perguntas e respostas, Sócrates vence o debate.

[Read more…]

Resenha do Político de Platão

Platão busto

Político é um diálogo desafiador de Platão pois envolve mitos e diversas metáforas. Trata-se da continuação de O Sofista, mas é possível compreender essa obra ( Político) mesmo sem ter lido O Sofista. Participam desse diálogo Sócrates, Teodoro, o estrangeiro e o jovem Sócrates. Esses dois últimos dominam o diálogo. Podemos dizer que o tema principal é determinar como seria o governante ideal da Pólis. O Estrangeiro determina que o Rei será mais teórico ( gnostikes) do que prático, e que durante o diálogo serão unificados o conhecimento político e o homem político, ou seja, o conhecimento régio e o Rei. Farei uma exposição do mito dos ciclos cósmicos com a ajuda do filósofo Eric Voegelin, que escreveu sobre o Político em seu livro Ordem e História-Platão e Aristóteles.

[Read more…]

Seria essa a Primavera Brasileira?

Primavera brasileira

O significado das manifestações históricas do dia 17/06/2013 ainda não pode ser demonstrado porque ainda estão apenas no início. Os grupos que comandam essas passeatas parecem ser de extrema-esquerda, que têm sempre a posição  de ser-contra-tudo-que-está-aí. As reivindicações são justas, porém isso só está acontecendo porque houve um aumento na inflação e há um clima constante de pânico no jornalismo brasileiro.

Devemos observar que existem motivos mais poderosos para o brasileiro protestar como quando aconteceu o julgamento do mensalão ou pelo nível elevado de violência que existe em nossa sociedade. Quanto à questão do título desse artigo devo dizer que não, esta não é uma primavera brasileira pelo simples fato de que não vivemos sob uma ditadura, e o governo Dilma Rousseff não está tentando impor nenhuma lei injusta sobre seus cidadãos.

[Read more…]

O Presidente Obama e a Questão das Leis Injustas

Obama

Os Estados Unidos vivem um intenso debate a respeito do suposto direito do governo de acessar às mensagens de e-mail de seus cidadãos e de interceptar telefonemas tanto de pessoas comuns quanto de jornalistas. O que precisamos saber é se o governo tem o direito de estabelecer esse tipo de lei e se os cidadãos são obrigados a respeitá-la ou podem se revoltarem legitimamente.

Esse problema foi discutido por John Rawls em sua teoria da justiça. Em um capítulo dessa obra chamado ” o dever de obedecer a uma lei injusta”, Rawls  escreve que ” a injustiça de uma lei não é, em geral, razão suficiente para não acatá-la, assim como a validade jurídica da legislação ( definida pela constituição vigente) não é razão suficiente para concordar com ela”. Não há dúvida de que a lei americana é injusta e invade o direito dos cidadãos americanos à privacidade; mas seria justa uma revolta contra essa lei, originando assim uma desobediência civil?

[Read more…]

Resenha de Uma Teoria da Justiça, de John Rawls

Uma Teoria da Justiça

Conhecer a filosofia de John Rawls foi uma bela e ótima surpresa que eu tive. Como a filosofia política é uma das áreas que eu mais estudo, esse livro do filósofo americano traz uma nova reflexão sobre esse tema. A maneira como Rawls apresenta sua ideia de justiça é muito agradável de se ler, mas é preciso prestar atenção pois ele acrescenta termos novos durante os capítulos do livro.

Rawls é um contratualista na mesma tradição de Locke, Rousseau e Kant. No capítulo inicial chamado de Justiça como Equidade, Rawls apresenta a sua concepção de justiça e tenta diferenciá-la do utilitarismo de Bentham e Mill e também do intuicionismo. O filósofo americano define sua teoria como deontológica, na mesma tradição de Kant, o que é o oposto da tradição teleológica, que visa atingir um fim ou objetivo.

[Read more…]

Resenha de Que é Filosofia?, de Ortega y Gasset

Que é Filosofia

Essa introdução à filosofia de Ortega y Gasset é diferente de outros livros que também pretendem ser uma introdução a essa disciplina como a de Jacques Maritain, por exemplo. Ortega y Gasset não dá uma explicação do que seja a ontologia ou a lógica, mas já parte para uma definição do que a filosofia pretende estudar e ensinar. O filósofo espanhol defende que a filosofia é o conhecimento do universo e do que há nele.

[Read more…]

Resenha de O Antigo Regime e a Revolução, de Tocqueville

o antigo regime e a revolução

Tocqueville é um dos meus autores favoritos, porque é conservador e tem uma linguagem muito clara. Já li muito sobre a revolução francesa, mas ainda ficava a dúvida sobre o que a motivou e as características do antigo regime que ela pretendeu abolir e que, no entanto, sobreviram à revolta. Tocqueville responde a essas dúvidas em algumas palavras: o que a revolução pretendia abolir era o feudalismo por seu ódio à Idade Média. Essa era a questão principal, pois outros motivos foram secundários como a tentativa de centralizar o poder em Paris e a guerra contra a igreja católica.

[Read more…]