Resenha do filme A Guerra do Fogo ( 1981), de Jean-Jacques Annaud

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A guerra do fogo é um filme único em termos de fotografia e estética. Não me lembro de nenhum filme que seja parecido com esse. Assisti A Guerra do Fogo quando estava na quinta e na sexta série, isso há mais de 20 anos. Lembro-me que todos nós ficamos constrangidos e, ao mesmo tempo achamos graça em uma cena logo no início em que um jovem Neanderthal vê uma mulher de quatro lavando a roupa em um rio e corre desesperadamente para fazer sexo com ela.

O filme é ambientado no ano 80.000 a.C, ou seja, no período Paleolítico, e  se concentra na tribo Neanderthal Ulam, em que vivem alguns dos personagens principais da história como Naoh ( Everett McGill), Amoukar ( Ron Pearlman) e Gal ( Nameer al-Kadi). Essa tribo possui em seu poder a arma e a tecnologia mais poderosa do período: o fogo. Depois de mostrar algumas cenas como Amoukar espantando uma alcateia com o fogo e o cotidiano da tribo que vive em uma caverna, o filme passa para a ação e o suspense com o ataque dos homens-macaco da tribo Wagabu ( Homo erectus) contra os Ulam. Esse ataque é repelido, mas o bem mais precioso do grupo é perdido, que é o fogo. Esses Homo neanderthalensis não aprenderam ainda como produzir fogo. Apenas sabem como capturá-lo na natureza.

Depois de uma reunião  fica decidido que Naoh, Amoukar e Gal devem partir em busca de fogo para que a tribo Ulam não morra de frio e possa se defender de animais selvagens. O trio sofre um ataque de trigres dente-de-sabre durante a jornada, e também encontram a tribo neanderthal que pratica o canibalismo, os Kzamm. Uma batalha é travada e Naoh é ferido nos testículos. Depois de se afastarem desse local, os três personagens da tribo Ulam encontram uma representante do Homo Sapiens chamada  Ika ( Rae Dawn Chong). Ela aparece com o corpo pintado e possui uma fala e conhecimento mais desenvolvidos. Ela cura o ferimento de Naoh. Ika, em um momento marcante do filme, ensina os homens da tribo Ulam a rirem, coisa que eles não faziam. É a humanidade que desabrocha nesse momento.

Outro momento de destaque é quando o grupo avista um bando de mamutes; todos se assustam, menos Naoh, que vai na direção de um deles com algumas plantas e as oferece para o animal, que acaba aceitando. É o despertar da religião entre os homens de Neanderthal que cultuavam a natureza e os animais. Sem entrar em maiores detalhes, em um determinado momento, Naoh é salvo pela tribo de Ika, a Ivaka. Essa tribo de Homo Sapiens já possui a tecnologia de criar habitações, fazer instrumentos como lanças e potes, além do principal, que é produzir fogo. No clímax do filme, Ika se senta em uma caverna toda pintada como você vê na foto acima, e se posiciona com os instrumentos para fazer fogo. Naoh observa estupefato a companheira fazer algo assombroso que é fabricar o fogo.É uma cena muito bem feita e emocionante. Sem contar algumas partes do final do filme, vemos um processo civilizador que Ika produz em Naoh quando perto do fim ela o ensina a fazer sexo na posição Missionário, a qual envolve mais carinho e afeto, pois em uma cena anterior, Naoh tinha feito sexo com Ika se posicionando por detrás dela, imitando os animais. Naoh volta para sua tribo com a tecnologia da fabricação de fogo e os ensina como fabricá-lo. No fim aparecem os dois juntos, Ika e Naoh olhando para a Lua, com ela grávida .

A fotografia do filme é muito bonita e a linguagem e os gestos dos personagens são convincentes. A convivência do Homo erectus com o Homo sapiens é falsa, mas isso não diminui a beleza e o caráter pedagógico do filme. Para quem se interessa por esse tema da pré-história, do nascimento de algumas tecnologias e de um filme que reproduza o processo civilizador pela qual passaram os antigos seres humanos vai adorar o filme. É realmente um filme maravilhoso e único, que fala sobre um período que poucos conhecem ou estudam.

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