Resenha de O Antigo Regime e a Revolução, de Tocqueville

o antigo regime e a revolução

Tocqueville é um dos meus autores favoritos, porque é conservador e tem uma linguagem muito clara. Já li muito sobre a revolução francesa, mas ainda ficava a dúvida sobre o que a motivou e as características do antigo regime que ela pretendeu abolir e que, no entanto, sobreviram à revolta. Tocqueville responde a essas dúvidas em algumas palavras: o que a revolução pretendia abolir era o feudalismo por seu ódio à Idade Média. Essa era a questão principal, pois outros motivos foram secundários como a tentativa de centralizar o poder em Paris e a guerra contra a igreja católica.

O teórico político francês demonstra que a França era um dos países europeus em que o feudalismo era mais fraco, mas de maneira paradoxal isso fazia com que o ódio dos camponeses contra os nobres e alguns resquícios da antiga ordem feudal fosse ainda mais intenso. Pelo que eu li, uma das causas dessa revolta era a centralização da ajuda governamental, uma vez que os representantes do governo muitas vezes desconheciam a realidade local. Na ordem feudal, era o senhor que tinha a obrigação de fazer caridade para com os pobres da sua propriedade. A caridade era privada e era feita de maneira mais ágil.

A própria centralização de poder que muitos historiadores atribuem à revolução é falsa, pois Tocqueville prova que já havia uma concentração de poderes no antigo regime e que a nobreza pouco prestava atenção à crescente força dos intendentes nas províncias, porque desprezava esse tipo de trabalho burocrático.

Portanto, Tocqueville desmente a tese de que o poder concentrado em Paris tenha sido uma criação da Revolução. A historiadora Régine Pernoud já havia escrito que a concentração de poder na capital foi obra de Felipe o Belo no século XIV. Ela também escreve que os escritores do antigo regime demonstravam um imenso desprezo pelas províncias, pois o que era mais importante era Paris. Tocqueville escreve sobre tudo isso.

O conservadorismo de Tocqueville o faz defender a igreja católica dos escritores do século XVIII, porque ele acredita que o clero francês era o melhor e mais esclarecido da Europa na época. Apesar disso, a Revolução Francesa foi a primeira que tentou destruir tanto o governo civil quanto o religioso de um país.

O que também admiro nesse livro é como  Tocqueville compara e analisa o suposto feudalismo do século XVIII da França quando comparado à situação da Inglaterra e da Alemanha, e mesmo com o feudalismo, de fato, do século XIV. A França era muito menos feudal que seus vizinhos, no entanto, era mais injusta em seu sistema de impostos do que o feudalismo da Idade Média.

No final do livro existe uma citação de um documento assinado pela nobreza que expõe o pensamento dessa classe um pouco antes da revolução. Vou criar um artigo a respeito disso. Você poderá lê-lo aqui.

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