Resenha de Para uma Nova Interpretação de Platão, de Giovanni Reale

Reale Platão

A filosofia de Platão já é muito admirada por sua riqueza, especialmente a sua Teoria das Ideias. No entanto, a maioria das pessoas desconhece uma outra parte da filosofia platônica, que é a Teoria dos Princípios, a qual faz parte das “doutrinas não-escritas” de Platão. A existência dessa Teoria e das doutrinas não-escritas são defendidas por Reale e pela escola de Tübingen, na Alemanha.

Reale acredita que a parte principal da filosofia de Platão não é a Teoria das Ideias, mas sim, a Teoria dos Princípios. Isso porque ele se baseia em uma passagem do Fedro e da Carta VII de Platão para sustentar que a parte mais importante da filosofia platônica foi transmitida de forma oral, e não está contida de maneira completa nos diálogos, de maneira que nesses últimos estão presentes passagens( especialmente no Fedro) que indicam que Platão admitia que o que é mais importante deve ser ensinado pela oralidade, já que o verdadeiro filósofo não coloca a melhor parte de sua doutrina no papel.

A parte oral da filosofia platônica é confirmada nos diálogos O Sofista, Político e Filósofo, sendo que esse último jamais foi escrito porque havia uma distância em proporção geométrica entre o Filósofo e o Sofista e Político.  Esses dois últimos diálogos foram colocados no papel, mas o Filósofo, diz Reale foi confiado à oralidade dialética. Nessa citação do livro, Reale explica:” A trilogia Sofista, Político e Filósofo implica dois logoi escritos em justa proporção, e um terceiro logos que não pode ter uma simples proporção geométrica com aqueles, por causa da diferença de valor do seu objeto, e que só pode ser desenvolvida na perspectiva e na dimensão da oralidade dialética. Assim, esse logos não deve ser escrito em rolos de papel, mas diretamente nas almas dos homens, porque só em tal dimensão do “escrever nas almas” mediante a “oralidade” o logos pode ter a justa proporção com o seu objeto.”

Reale defende o pensamento de Platão dos ataques que sofreu de Aristóteles em sua Metafísica e esclarece melhor certas ideias de Platão como a dos números ideais. Um capítulo muito bom desse livro é o que fala da “segunda navegação como símbolo de acesso ao supra-sensível”. Essa segunda navegação é aquela em que depois de perder a força do vento, navega-se com o remo. Isso significa que o vento dos filósofos físicos ( pré-socráticos) eram os sentidos e as sensações, e os remos da segunda navegação são os raciocínios e os postulados, segundo a explicação de Reale.

Essa segunda navegação, diz Reale, ” levou Platão a reconhecer a existência de dois planos do ser: um fenomênico e visível, e outro metafenomênico, captável apenas com os logoi”, sendo puramente inteligível. Na sequência do livro, Reale destaca várias passagens do Fédon e do Fedro para confirmar a tese de que o mais importante na filosofia platônica é a Teoria dos Princípios”.

O livro possui análises de diversos diálogos que, segundo Reale só podem ser compreendidos à luz da doutrina não-escrita de Platão. Esses diálogos são o Fedro, Fédon, Filebo, Sofista, A República e Timeu. Em relação ao Timeu, a explicação do autor é muito útil, porque esse é de longe o mais complicado diálogo de Platão.

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