Resenha do Timeu de Platão

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Timeu é o diálogo mais difícil de Platão pelo fato de ser uma espécie de Gênesis dos gregos. O livro apresenta em uma forma resumida pelas palavras do pitagórico Timeu, os conhecimentos de medicina, matemática, cosmologia e psicologia do tempo de Platão. De fato há uma semelhança com a narrativa bíblica porque o Demiurgo platônico cria o mundo e vê que ele é bom. No Timeu o mundo criado, o homem e os animais são obra de uma inteligência que tudo criou com bondade e racionalidade. No começo tudo estava em desordem e ao acaso na natureza, até que ela se deixou persuadir pela Inteligência. Então Deus criou tudo de maneira boa e eliminou toda forma de imperfeição. Tudo o que o Demiurgo cria é sempre o mais belo segundo o mito da criação platônico.

Em sua cosmologia não existem uma multiplicidade de universos que teriam servido de modelo para a criação Divina. Existe na verdade apenas um céu que foi o modelo do qual Deus fez do nosso uma cópia. Deus criou também a alma antes do corpo e a tornou imortal. O céu e o tempo também foram criados em semelhança com a eternidade. Antes do nascimento do céu, o tempo e os dias não existiam. O céu, segundo Platão, foi, é e será, seguindo sempre a lei dos números. Os planetas foram criados em forma de esfera  e são a divindade visível.

O Demiurgo cria a alma do ser humano de uma mistura e as dividiu em um número igual ao dos astros, ensinando-lhes a natureza do Todo. Nessa parte é importante já ter lido o Fedro. Criando as almas, Deus deu a todas o mesmo nascimento e as mesmas paixões, de maneira que se os homens dominassem essas paixões viveriam na justiça; se deixassem elas o dominarem, viveriam na injustiça. Se vivessem bem, voltariam para o céu onde teriam a vida de um deus; se vivessem na injustiça, reencarnariam com forma feminina, e se persistissem, assumiriam um corpo de animal.

Mais adiante, Platão diferencia os homens que vivem da opinião e dos que vivem pelo intelecto. A intelecção ocorre em nós pela ação do pensamento científico e da opinão somos persuadidos. A intelecção vem acompanhada de uma demonstração verossímil; a opinião não aceita demonstração. Todos os homens participam da opinião; da intelecção participam os deuses e apenas uma parte dos homens. Daí nasce a realidade que tem forma imutável e não é perceptível pela vista e que só é dado ao intelecto contemplar. A outra realidade está submetida aos sentidos e é acessível à opinião unida à sensação.

A harmonia necessária entre a alma e o corpo também é enfatizada no discurso de Timeu. De nada vale se ocupar somente com questões intelectuais se o corpo é esquecido; ocupar-se também somente do corpo produz uma revolução nos elementos e produz o que é pior em um homem: a ignorância. Platão fala sobre isso no diálogo Filebo, ou seja, que o homem são é uma mistura de saber e prazer. Para tratar da alma, a filosofia é recomendada.

Comments

  1. muito bom

  2. Muito bom, obrigada pela resenha!

  3. André says:

    Olá Felipe, lendo seu texto me lembrei muito da narrativa presente nos “mitos” gnósticos. Sabes se algum autor do gnosticismo se baseou na obra de Platão, no Timeu por exemplo para criar seus textos?

    • Os gnósticos deturparam o Demiurgo platônico e se apoderaram de seu nome, mas o Timeu é uma obra otimista, ao contrário da visão gnóstica. Plotino fez uma crítica devastadora ao gnosticismo, que, para ele, pouco se diferenciava do Cristianismo.

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