Resenha de From Dictatorship to Democracy, de Gene Sharp

Gene Sharp

Como derrubar ditaduras

Gene Sharp é um dos cientistas políticos mais famosos do mundo e esse livro o tornou célebre e odiado em muitos países no mundo, países esses ,é óbvio, que vivem sob ditaduras.  Da ditadura à democracia é um livro de leitura rápida (eu mesmo li em menos de 2 horas). Sharp não usa de metáforas ou de circunlóquios para expor o seu pensamento, uma vez que desde a primeira página ele já explica como um ditador pode ser deposto. Nem é preciso discutir se seu método funciona, basta olharmos a recente primavera árabe que foi em grande parte influenciada por esse livro. Vou fazer uma pequena análise sobre alguns dos métodos que ele propõe durante essa obra.

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Resenha de Andam Faunos pelos Bosques, de Aquilino Ribeiro

Andam Faunos pelos bosques

Demorei para conhecer a obra de Aquilino Ribeiro, e agora que a conheço posso dizer que nunca li um escritor de língua portuguesa com um vocabulário mais rico do que ele. Não há na literatura brasileira algo que se compare à variedade de palavras que florescem em meio às frases e orações de Andam Faunos pelos Bosques.

A história do livro se passa no interior de Portugal e tem um toque mágico. Em uma vila, diversas moças adolescentes e jovens  estão sendo atacadas por um misterioso ser que apenas as derrubam e depois sai correndo. Nenhuma delas sabe descrever exatamente quem as atacou, apenas dizem que era um ser com muitos pelos. Com esse fato simples, Aquilino Ribeiro passa a descrever a fé, o clero e o povo mais humilde de Portugal.

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Resenha de Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto

Lima Barreto Vida e Morte de M J Gonzaga de Sá

Esse romance de Lima Barreto é mais uma crítica feita por ele à burocracia e mediocridade da imprensa brasileira. Gonzaga de Sá é um funcionário de um departamento de Cultos, que só lida com questões esdrúxulas, como quantas setas deve ter a imagem de São Sebastião. Mas o romance não trata disso, e sim do fato de que mesmo sendo um funcionário público, Gonzaga de Sá ainda conseguiu manter uma vida interior e reflexões filosóficas. O narrador da história, Augusto Machado, testemunha os passeios e observações que Gonzaga de Sá faz pela cidade. Machado não poupa a ironia pelo fato do velho burocrata também se sentir atraído por questões ridículas de uma imprensa provinciana. Lima Barreto é muito engraçado quando satiriza nossa imprensa. Nem mesmo o Barão do Rio Branco é poupado.

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Resenha de Angústia, de Graciliano Ramos

Angustia Graciliano.Ramos

A narrativa desse romance reflete o pensamento e as emoções confusas do protagonista Luís da Silva. Graciliano Ramos soube muito bem colocar esse sentimento que mistura ira, inveja e ciúme em Luís da Silva. Esse é o ponto forte do romance; o ponto fraco são os outros personagens fora Luís da Silva, Julião Tavares e Marina, porque eles estão ali mais para fazer figuração. Para dizer a verdade, eu  gostei muito desse livro. O título do livro é correto, pois a angústia do personagem passa para o leitor porque tive a impressão que Graciliano Ramos poderia ter criado uma história parecida com menos páginas e personagens. Quanto à narrativa, ela realmente ganha força no final do livro, mas até lá é preciso um pouco de paciência.

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Resenha de São Bernardo, de Graciliano Ramos

São Bernardo

” A culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste”.

O pensamento acima, do protagonista Paulo Honório, resume a personalidade de um personagem que narra a sua ascensão e queda em suas memórias de sua vida. Em termos morais, Paulo Honório não muda ao longo da história, uma vez que o seu caráter rude e desprovido de grande emoção é o mesmo do início ao fim. Graciliano Ramos desenvolve o protagonista desde o começo como sendo um homem com grande talento para os negócios, que sabe se defender e é um tanto diferenciado dos outros homens do sertão, por ter uma ética de trabalho e conseguir se manter distante das mazelas daquela região. [Read more…]

Resenha do Ensaio sobre o Entendimento Humano, de John Locke

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O empirismo britânico tem na obra de Locke, Ensaio sobre o Entendimento Humano, uma de suas principais bases. Os iluministas franceses do século XVIII iriam idolatrar profundamente este livro do filósofo britânico. Os franceses durante muito tempo ficariam sob a influência do sensualismo de Locke e seu realismo herdeiro da Escolástica medieval. Precisamos levar em consideração que Locke e Bacon, apesar de suas declarações contra os escolásticos e Aristóteles, ambos jamais viriam a libertar-se dessas duas sombras que os perseguem. [Read more…]

O debate sobre a existência de Deus entre Frederick Copleston e Bertrand Russell

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O debate aconteceu em 1948 ,na rádio BBC. Bertrand Russell, filósofo e matemático, enfrentou um debate sobre a existência de Deus com o padre jesuíta Frederick Copleston. Russell era ateu e Copleston era obviamente católico. Segue abaixo minha tradução.

Copleston: Como nós vamos discutir a existência de Deus, deve ser benéfico chegarmos a um acordo provisório sobre o que nós entendemos pelo termo “Deus”. Eu presumo que nós entendemos um Ser supremo e pessoal, distinto do mundo e criador dele. Você estaria de acordo- provisoriamente, ao menos- em aceitar esta exposição como o significado do termo “Deus”?

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Deus é o bem maior que o homem pode querer

A Eternidade

Em nossas vidas queremos alcançar a felicidade por alguns meios. Alguns pela amizade, outros pela prática do bem, mas, no geral, as pessoas identificam a felicidade com a posse de bens materiais. Não vamos negar que ter um mínimo de bens e amigos não seja necessário, pois o próprio Aristóteles já havia dito isso em sua Ética a Nicômaco. O que pretendemos saber é qual é esse mínimo de bens que o homem precisa e se eles podem ser merecidos.

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Resenha de Lembranças de 1848, de Alexis de Tocqueville

Lembranças de 1848

 

 

Algumas das posições políticas que Tocqueville mantém durante sua carreira política e como ministro de relações exteriores são a defesa da República, a admiração pela aristocracia inglesa e sua repulsa por Napoleão III e a previsão de que ele restauraria uma monarquia deformada. Esse livro de memórias de Tocqueville é muito mais fácil de se entender e mais bem escrito do que o 18 Brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx.

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As revoluções políticas no mundo islâmico

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Com a derrubada do presidente egípcio Mohamed Morsi, o mundo islâmico se vê diante novamente do problema da separação entre a mesquita e o Estado. Como acontece na Turquia, o Egito tinha um presidente que fortaleceu o islã político e que ignorava a minoria copta em seu país, em um Egito em que a violência é muito alta e a proteção às minorias é fraca.

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