A distorção da Filosofia: Zósimo de Panópolis e Karl Marx

Zosimos Of Panopolis

No livro Science, Politics and Gnosticism, o filósofo alemão Eric Voegelin analisa a tentativa de Karl Marx de transformar a filosofia em um modelo de ação e revolução. Voegelin demonstra como a utilização por parte de Marx de uma citação mal feita e isolada do Prometeu Acorrentado era uma das vigarices desse sociólogo.

Voegelin especula se Marx teria tido acesso a uma passagem de um texto gnóstico escrito por Zósimo de Panópolis. Essa passagem é uma antecipação da distorção da filosofia feita pelos socialistas do século XIX. Segue a passagem:

“Mas Hermes e Zoroastro disseram que a raça dos filósofos é superior ao destino (Heimarmene)  por nem se regozijarem em seus favores-porque eles aprenderam a fundo os prazeres-, por não terem sido afetados pelas enfermidades que ela envia- para sempre vivendo na “Porta Interna”, e não aceitando seus belos dons, porque eles passam suas vidas na imaterialidade.

Nesse conto Hesíodo introduz Prometeu aconselhando Epimetheus e o avisa para não aceitar o dom de Zeus que governa o Olimpo, mas para devolvê-lo,- assim ensinando seu próprio irmão através da filosofia- recusando os dons de Zeus, isto é Heimarmene.”

Prometeu: O que representa aos olhos do homem a maior boa fortuna?

Epimetheus: Uma bela mulher e muito dinheiro.

Prometeu: Afaste-se de aceitar os bens de Zeus Olímpico; ponha-os longe de você.

***

Voegelin afirma que essa filosofia de Zósimo não é a filosofia de Platão. Essa filosofia deturpada de Zózimo e Marx são uma tentativa do primeiro de fugir do mundo pelo ascetismo, e do segundo de modificá-lo pela ação. A imagem de Pandora e seus dons transformados em uma bela mulher e muito dinheiro representam uma rejeição da riqueza e da burguesia, diz Voegelin.

A crença de que a filosofia ou mesmo a política, como disse o filósofo Luiz Felipe Pondé, possam modificar a realidade de nossa sociedade é uma perversão do significado da filosofia e uma tentativa de afastar a religião da consciência do homem e das respostas que ela oferece para as questões da sociedade.

Platão e Aristóteles no mundo grego, e Santo Agostinho e São Tomás de Aquino no mundo cristão, jamais ofereceram a salvação pelo conhecimento de suas filosofias nem mesmo tentaram fazer da ação política um meio de transformar o mundo.

Zózimo e os gnósticos políticos de nossos dias recusam os dons de Deus e o destino pela tentativa de sublimarem a política e a filosofia.  Não é o homem que sabe de alguma coisa, mas apenas Deus, como nos lembra Sócrates no Fedro( Voegelin, pág 31).

O verdadeiro filósofo platônico é aquele que já contemplou as verdades eternas e que quer transmiti-las aos seus companheiros nesse mundo. É a verdade de Deus que o filósofo deve cultivar em sua preparação para a morte. A contemplação das verdades eternas é o que o cristianismo sempre pregou. Com Marx, o divino não mais existe. O que sobra é a ação do homem socialista. O destino do homem e do universo podem ser alterados por atitudes políticas.

“Tentemos dar ao mundo um exemplo de tolerância sábia e perspicaz, mas não nos transformemos, pelo simples fato de que somos os líderes de um movimento, em líderes de uma nova forma de intolerância; não posemos de apóstolos de uma nova religião, mesmo que seja a religião da lógica e da razão.” Essa foi a advertência de Proudhon para Marx que poderia ter servido para demonstrar para o sociólogo alemão do perigo de se transformar a filosofia em um instrumento de rebeldia.

A vigarice de Marx seria a de proibir seus seguidores de fazerem perguntas. Não importa a origem do homem no início da história; o que interessa é o desenvolvimento do homem socialista pela especulação gnóstica ( Voegelin, pág 44).

Bibliografia: Eric Voegelin, Science, Politics and Gnosticism.

Zósimo de Panópolis, Da Letra Ômega.

Comments

  1. vieiraeuclidessantana says:

    Republicou isso em SUSCETÍVEL FEBRIL.

  2. Olá. Coincidentemente estou lendo esse livro do Voegelin. Parei exatamente nessa página. Começarei agora a investigação que ele faz de Nietzsche. O homem é um gênio.
    Alguma dica a mais sobre a leitura?

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