As revoluções políticas no mundo islâmico

mohamed-morsi

 

Com a derrubada do presidente egípcio Mohamed Morsi, o mundo islâmico se vê diante novamente do problema da separação entre a mesquita e o Estado. Como acontece na Turquia, o Egito tinha um presidente que fortaleceu o islã político e que ignorava a minoria copta em seu país, em um Egito em que a violência é muito alta e a proteção às minorias é fraca.

Os países muçulmanos sofrem com a praga dos governos autocráticos, pouca transparência e pouquíssima liberdade religiosa, o que por sua vez dificulta o estabelecimento do capitalismo e da indústria.

Até os anos 1970 e 1980, o islã político não era muito forte nos países árabes. Vemos que no Iraque, na Líbia, no Egito e ainda hoje na Síria, seus líderes eram seculares e socialistas, e até o 11 de setembro, não havia muito espaço para os fundamentalistas nesses países. Desde então tudo mudou.

O Iraque que tinha grande liberdade religiosa e social (veja o caso das mulheres) foi entregue a grupos islâmicos que lutam pela supremacia do país. O mesmo com a Líbia. No caso da Síria, o governo secular mesmo sendo uma ditadura, parece ser preferível a uma entrega do país a políticos que misturam o islã com o poder.

 

O islã político é uma utopia que remonta ao califado árabe dos Omíadas e dos Abássidas. Sonham com uma volta a uma era de ouro que dificilmente voltará, pelo menos não pelas armas. O que os governantes do mundo muçulmano poderiam fazer para melhorarem seus países sem se preocuparem com aspectos legalistas como o uso do véu? Uma filosofia da história e uma filosofia política o mundo islâmico possui. A questão é como aplicá-la e não dar vez a utopias.

O filósofo Al-Farabi criou duas categorias de cidades ( nações) que parecem poderem ser aplicadas ao mundo islâmico ainda hoje. Temos a cidade da ignorância e a cidade da honra.

 

A cidade da ignorância pode ser representada pela Arábia Saudita, o Irã e o Afeganistão. Não possuem homens políticos nem associações políticas. A cooperação entre a população e os governantes não existe. Os habitantes e governantes dessa cidade só pensam em uma coisa: a dominação.

A cidade da honra é aquela em que ricos e pobres são honrados e a virtude reina. No mundo islâmico isso foi o padrão durante muito tempo. Só posso colocar nessa categoria a Turquia. Outros países ainda estão muito atrasados nesse quesito.

O que os países islâmicos poderiam deseja era a cidade democrática ( comunitária) de Al-Farabi, onde todos são livres para fazer o que querem. Apesar do filósofo a colocar entre as cidades ignorantes, talvez por seu conservadorismo, Al-Farabi classifica essa cidade como a mais feliz. Mais uma vez a Turquia entra nessa categoria. O problema é que não há um filósofo ou autoridade religiosa no islã que direcionem essa massa na direção da liberdade.

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