Deus é o bem maior que o homem pode querer

A Eternidade

Em nossas vidas queremos alcançar a felicidade por alguns meios. Alguns pela amizade, outros pela prática do bem, mas, no geral, as pessoas identificam a felicidade com a posse de bens materiais. Não vamos negar que ter um mínimo de bens e amigos não seja necessário, pois o próprio Aristóteles já havia dito isso em sua Ética a Nicômaco. O que pretendemos saber é qual é esse mínimo de bens que o homem precisa e se eles podem ser merecidos.

São Tomás de Aquino na questão 114, artigo 10, do volume IV da Suma Teológica pergunta se o homem pode merecer bens temporais por parte de Deus. Os antigos Israelitas do tempo de Moisés acreditavam que a posse dos bens temporais era uma recompensa por terem seguido à lei de Deus. Mas São Tomás lembra também que o livro do Eclesiástico diz:” acontecem igualmente todas as coisas ao justo a ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro, ao que sacrifica vítimas e ao que não sacrifica.” Então de que maneira devemos nos comportar para merecermos algo? Ou os bens não seriam merecidos?

Ora, São Tomás faz uma diferença entre o Bem Absoluto e o bem relativo. Esse último só pode ser merecido relativamente, e não de maneira absoluta. O teólogo afirma que Deus dá aos homens tanto bons quanto maus os bens necessários para a salvação, pois está escrito nos Salmos: ” não vi o justo desamparado”.

Depois dessa apresentação de uma questão da Suma Teológica podemos comparar os bens temporais com os bens eternos. No mesmo livro dos Salmos está escrito que ” para mim o bom é unir-me a Deus.” Aristóteles afirmava que a felicidade se alcançava com a prática da virtude e na contemplação. Para o Cristianismo, a verdadeira felicidade só pode ser alcançada no céu após sermos salvos por Deus das penas do purgatório e do inferno.

No caso da quantidade mínima de bens que os homens podem desejar, deve-se dizer que uma vida de classe média, que no geral evita os excessos e vícios tanto da pobreza quanto da riqueza, é a melhor forma de se viver. O problema é que São Tomás, ao contrário de Aristóteles, nunca fez uma reflexão mais profunda sobre como a sociedade poderia ser ordenada para que a maior parte dos cidadãos tivesse  o mínimo necessário para alcaçarem a felicidade e a salvação. Acredito que isso possa ter uma explicação no que direi mais adiante. Mas esse não é o tema desse artigo. O que importa é que Deus deve ser o último fim da vida do homem, pois Ele está acessível a todos, o que não acontece em relação aos bens, de maneira que o pecado original inclina o homem a sempre querer mais, e uma sociedade que saciasse todas as ambições dos homens seria irrealizável.

Comments

  1. Verônica says:

    Nossa eu acabei de ler e adorei . Grande beijo

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