Resenha da Suma Teológica, Volume III, de São Tomás de Aquino

A Bem-Aventurança, os atos humanos e as paixões da alma

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Análise do poema de Camões ” Transforma-se o amador na cousa amada”

Eros e Psique 2

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semidéia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assim como a alma minha se conforma,

está no pensamento como idéia:
[e] o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma. [Read more...]

O mérito do homem diante de Deus

É necessária uma resposta para o problema de sabermos se o que o homem faz tem mérito ou não perante Deus. Parece, pelo menos para muitos que creem que Deus apenas criou o mundo, e logo depois não se preocupou mais com ele, que essa seria uma questão ociosa. Outros acreditam que o que o homem faz não tem mérito porque ele só é livre para fazer o mal, como pregam os protestantes. Logo o homem não tem razão de acreditar que aquilo que faz de bem ao próximo possua algum tipo de valor para Deus. O próprio livro de Jó diz que ” se tu pecas, que mal lhe fazes? Se fazes o que é justo o que lhe dás? Constantemente estamos fazendo o mal e sabemos que pecamos, dessa maneira pensamos que estamos nos condenando, o que é verdade. Quanto ao bem que fazemos, sempre quando temos Deus como o último fim, ou seja, quando agimos de forma a ajudar ao próximo por caridade, não simplesmente por causa de uma noção de “dever” Kantiana ou de “piedade” de Schopenhauer, poderia o homem ter mérito em seus atos?

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As características da pólis ( madîna) no islã: a visão de Al-Farabi

Madina

Abu Nasr al- Farabi foi um filósofo muçulmano de provável origem turca que foi o segundo filósofo de língua árabe depois de al-Kindi a ter como base de seu pensamento a filosofia grega de Platão e Aristóteles. Seu livro sobre a Política apareceu no mundo islâmico no século X quando a Europa ainda estava longe de fazer semelhante debate sobre os regimes políticos e as cidades. As reflexões de Al-Farabi estão contidas no seu livro Kitâb Al- Siyâsa Al- Madaniyya. Nele há um início que fala sobre a constituição dos seres de acordo com a filosofia aristotélica. A causa primeira e as causas segundas, assim como o intelecto agente são definidos por Al-Farabi, O intelecto agente é chamado por ele de Espírito Santo, sendo que essa terminologia também seria usada por Avicena mais tarde. A forma e a matéria são explicadas à maneira da filosofia grega como ato e potência. “Quando não existem formas, a existência da matéria é vã”. A matéria é o princípio e a causa, mas existe para sustentar a forma. Al-Farabi explica isso pela visão: essa é a substância, o olho é a sua matéria e a maneira como vê é a sua forma. Toda a cosmografia desse filósofo é tirada de Aristóteles e Ptolomeu. Os corpos celestes que influenciam a vida aqui na Terra, a política e a cidade. Determinada localização favorece uma cidade com mais ou menos liberdade e com essas ou aquelas características. Toda essa introdução é necessária, pois Al-Farabi não diferencia sua filosofia de sua política. Influenciado pela filosofia grega e bem pouco muçulmano nesse aspecto, Al-Farabi define à felicidade como o bem absoluto. Nessa parte a filosofia política de Aristóteles e Platão se alternam na mente do filósofo turco. Ele aceita a definição do homem como animal político e que se une para alcançar o maior bem para si e para sua comunidade. Agora vamos partir para as cidades.

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Resenha das Confissões de Santo Agostinho

Confissões

“Tarde te amei…”

As confissões de Santo Agostinho foi o primeiro livro de filosofia que eu estudei mais profundamente, isso ainda na minha juventude, e esse fato me marcou profundamente. Essa autobiografia nos faz reviver e refletir sobre a vida de falsos caminhos e pecados de Agostinho. Seu desenvolvimento intelectual, a relação com seus amigos e com sua fantástica mãe- santa Mônica- podem nos servir como exemplo vida. É claro que alguns dos pensamentos de Santo Agostinho sobre sua vida pecadora são exagerados, como quando ele fala sobre seus maus pensamentos quando criança, sua sexualidade de jovem e a relação com uma mulher que ele não nomeia, parecem-nos ingênuos nos dias de hoje. É muito mais interessante a história de sua vida de estudante e sua adesão ao maniqueísmo.

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Resenha da Introdução ao estudo de Santo Agostinho, de Étienne Gilson

Agostinho Etienne Gilson

Étienne Gilson foi um filósofo da tradição tomista e um dos maiores historiadores da filosofia patrística e medieval. Nessa ótima introdução ao pensamento de Santo Agostinho, Gilson faz um pequeno resumo de algumas das principais características da “filosofia” do santo. Filosofia está entre aspas porque o próprio Gilson reconhece que o pensamento de Agostinho é difícil de ser definido como uma filosofia. Complexa e inacabada, a obra de Santo Agostinho inspirou toda a Idade Média e filósofos modernos desde Descartes até Heidegger.

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Resenha de O Presidente segundo o Sociólogo, uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso

O presidente segundo o sociólogo

 

O intelectual que mudou o país, Fernando Henrique Cardoso deu essa série de entrevistas a Roberto Pompeu de Toledo no final de 1997. Nesse livro, nosso ex-presidente fala sobre o Brasil-sua história e sociedade-, sobre sua família e questões que ainda hoje estão em debate no nosso país como a política sobre cotas, drogas e o tamanho do Estado. [Read more…]