O mérito do homem diante de Deus

É necessária uma resposta para o problema de sabermos se o que o homem faz tem mérito ou não perante Deus. Parece, pelo menos para muitos que creem que Deus apenas criou o mundo, e logo depois não se preocupou mais com ele, que essa seria uma questão ociosa. Outros acreditam que o que o homem faz não tem mérito porque ele só é livre para fazer o mal, como pregam os protestantes. Logo o homem não tem razão de acreditar que aquilo que faz de bem ao próximo possua algum tipo de valor para Deus. O próprio livro de Jó diz que ” se tu pecas, que mal lhe fazes? Se fazes o que é justo o que lhe dás? Constantemente estamos fazendo o mal e sabemos que pecamos, dessa maneira pensamos que estamos nos condenando, o que é verdade. Quanto ao bem que fazemos, sempre quando temos Deus como o último fim, ou seja, quando agimos de forma a ajudar ao próximo por caridade, não simplesmente por causa de uma noção de “dever” Kantiana ou de “piedade” de Schopenhauer, poderia o homem ter mérito em seus atos?

A resposta de São Tomás de Aquino é que sim, porque o homem tem méritos e deméritos diante de Deus e da comunidade universal. Que fique claro que esse mérito não é por obras que o homem faça pelo seu próprio esforço buscando um aprimoramento moral ou por filantropia, mas sim por atos de fé, sempre pensando em Deus como o motivo de seu gesto de caridade ou bondade. Se o homem não tivesse mérito diante de Deus por seus atos meritórios, seguir-se-ia que nossa mentalidade voltaria para o Deísmo dos filósofos franceses do iluminismo. Pensando assim, Deus se tornaria um ser inalcançável às orações e a tudo o que o homem fizesse tendo como objetivo de chegar até Deus. São Tomás crê que tudo o que o homem faça de mal em relação à comunidade universal seria uma grave ofensa a Deus que tudo governa no universo. No caso da citação do livro de Jó, fica claro para o Aquinate, que o homem nada pode acrescentar ou diminuir de Deus em si mesmo, mas pode fazer isso em relação a si mesmo. Dir-se-ia então que o homem pode dessa maneira subtrair algo de Deus ou lhe dar alguma coisa. O homem quando age na sociedade política, diz São Tomás, não pensa em mérito ou demérito, mas ele deve pensar sempre em Deus quando faz qualquer coisa, e isso passa a ter mérito em razão do próprio ato. Pelo pensamento da Escolástica, o homem deve ter em mente Deus sempre que fizer tudo em sua vida, pois embora seus atos maus  não atinjam à essência de Deus, ao menos provoca um distúrbio na sociedade política que Ele governa.

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