O Conhecimento da Lei Eterna pelos Homens

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” Alguma coisa pode ser conhecida duplamente: em si mesma e em seu efeito, no qual se acha uma semelhança dela, como alguém que não vê o sol em sua substância conhece-o em sua irradiação. Assim, deve-se dizer que ninguém pode conhecer a lei eterna segundo é em si mesma, a não ser os bem-aventurados, que veem a essência de Deus. Mas toda criatura racional conhece-a segundo uma irradiação dela, ou maior ou menor. Todo conhecimento da verdade, com efeito, é uma irradiação e participação da lei eterna, que é a verdade imutável, como diz Agostinho.” ( São Tomás de Aquino, Suma Teológica, Volume IV, Q.93.a.2)

O conhecimento da lei eterna por parte dos homens faz parte da moral tomista e da doutrina católica. Como já havia feito com a questão do conhecimento de Deus, quando disse que os homens não chegam a ver a sua essência, mas apenas os efeitos por nós conhecidos, São Tomás também diz que o conhecimento perfeito da lei eterna só é obtido pelos bem-aventurados na outra vida, porém, enquanto a alma está unida ao corpo, todos os homens podem conhecer a lei eterna por irradiação maior ou menor. Que o homem possa saber o que é certo ou errado por uma irradiação por parte de Deus é ,de fato, uma doutrina correta, e muito mais fácil de se compreender que éticas de filósofos modernos que falam sobre o dever, justiça e outros termos sem explicarem com mais cuidado de onde vem esses termos e o porquê do homem ter a obrigação de obedecê-los. Como disse Santo Agostinho, a verdade é uma participação da lei eterna que é verdade imutável.  A filosofia católica sempre pregou que verdades teológicas e morais teriam um caráter eterno e imutável. A verdade de que o assassinato, a mentira, a fornicação e outros pecados são uma afronta à lei eterna sempre existiu e existirá. Deus proporcionou essa irradiação em um grau maior a todos os povos; no entanto, a verdade eterna da Trindade e de outras questões teológicas foi feita por revelação. Platão e Aristóteles tiveram um pequeno vislumbre da existência de um Deus único e puderam se aproximar dessa verdade eterna. Essa lei do amor ao próximo como a base da sociedade foi estabelecida por  Deus, e esse conhecimento nos foi transmitido por alguns homens que alcançaram maior Graça em vida, como Santo Agostinho. Foi em uma aula do filósofo Olavo de Carvalho que ouvi essa bela definição, que foi esquecida há séculos pelos filósofos. O filósofo brasileiro explicou de maneira magistral esse pensamento: se não houvesse um amor inicial dos pais pelos filhos e dos filhos pelos pais, nenhuma outra lei da sociedade poderia ser estabelecida, uma vez que se o ódio, a inveja ou qualquer outra questão social penetrasse nas mentes do casal inicial, a raça humana teria sido destruída; portanto, não foi uma ética de dever ou uma lei econômica que definiu a origem da sociedade humana. A verdade é que foi a lei eterna de Deus do amor ao próximo que permitiu e permite que os humanos continuem existindo nesse mundo.

Comments

  1. Felipe, esse trecho aqui não está correto: “Contrariamente a Descartes que tornou toda a verdade subjetiva, pois só acreditava que a matemática pudesse ter uma lei eterna, a filosofia católica sempre pregou que verdades teológicas e morais teriam um caráter eterno e imutável.”. A verdade não é subjetiva para Descartes, o reconhecimento da primeira verdade é que é, uma vez que cada indivíduo pode fazê-lo apenas por meio de sua luz natural (e aqui está uma diferença fundamental dele com os medievais). Se a verdade fosse subjetiva não seria possível nem fazer ciência (já que ela dependeria da subjetividade de cada indivíduo e portanto não poderia ser objetiva), nem fazer afirmações como “deus existe”, por exemplo, uma das verdades fundamentais da filosofia cartesiana. Acho que eu nunca escrevi aqui, mas acompanho há um tempo seu blog. Muito bom este espaço!

  2. Diego Lobo says:

    Felipe, por que você não faz resenhas dos livros do Olavo de Carvalho? A meu ver, ele é o maior pensador vivo brasileiro! Abraços

    • Eu já cheguei a fazer e depois excluí. Apesar dele ter talento e ensinar coisas verdadeiras, acaba por exagerar em muitos pontos com os quais não posso concordar.

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