A Ideia do Bem e da Paideia no Pensamento de Platão

 

 

Creation of the Universe

 

A Ideia do Bem e da Paideia no Pensamento de Platão

Felipe Pimenta

 

Resumo

A filosofia de Platão é a mais bela e completa que existe. O presente trabalho demonstrará que desde a criação de um universo como cópia da Ideia, passando por um mundo material que foi criado por um ato de bondade do Bem, até chegarmos ao filósofo que fará o papel de intermediário na comunicação desta obra de perfeição do universo aos homens que ainda estão presos na caverna, a filosofia platônica une a ideia do Bem à educação. O Bem está no centro do ensinamento da Paideia de Platão. Sua filosofia é uma inversão do princípio dos Sofistas para quem o homem era a medida de todas as coisas. Platão fará sua filosofia criar uma teologia verdadeira para o homem. Nela Deus é a medida de todas as coisas. O desejo de criar um homem que contemple a ordem da criação e através da educação passe a ter domínio de si mesmo representa todo o esforço e a beleza da filosofia platônica.

Palavras-chave: Platão.  Sócrates.  Werner Jaeger.  Eric Voegelin.  Giovanni Reale.Proclo.Paideia. Timeu.

Abstract

The philosophy of Plato is the most complete and beautiful that exists. This present work will demonstrate that since the Creation of the Universe as an image of the Idea, passing through a material world that was created as an act of indulgence by The Good, until we come to the philosopher that will make the role as the intermediate in the communication of this work of perfection of the universe to the men that are tied at the cave, Plato’s philosophy unite the idea of the Good with the education of men . The Good is in the core of the teaching of Plato’s Paideia. His philosophy is an inversion of the principles of the Sophists for who the man was the measure of all things. Plato will make his philosophy create a true theology for man. On his theology, God is the measure of all things. The desire to create a man that contemplates the order of the universe and trough education pass to have control of oneself represents all the effort and the beauty of Plato’s philosophy.

Keywords: Plato. Socrates. Werner Jaeger. Giovanni Reale. Eric Voegelin. Proclus. Paideia. Timaeus. [Read more…]

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Review: Aristotle’s Nicomachean Ethics

Aristotle

When I passed to  have interest in philosophy, this was one of the first books that I read, beside  the Confessions of Saint Augustine. The Nicomachean Ethics is one of the basis of our civilization and was much used by Thomas Aquinas in his Summa Theologica.

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Review: Timaeus by Plato

Creation of the Universe 2

The narrative of the Myth of the Creation of the universe by Plato represents one of the greatest achievements of his philosophical mind. I’ll make an analysis of this dialogue by using the works of Proclus and Giovanni Reale to help me write this review.

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Resenha: Romance d’A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna

Ariano Suassuna

 

 

 

 

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Resenha: Paideia, de Werner Jaeger

Werner Jaeger

A Paideia  é um dos legados imortais da mentalidade grega. Werner Jaeger conseguiu resumir em um livro, extenso é verdade, todo o conceito de formação moral, física, poética e teológica do homem da Antiguidade. Qualquer pessoa que estiver lidando com a educação na sua vida diária vai ficar impressionada com o alcance que os poetas e filósofos gregos deram a esse tema. Na verdade, nos dias atuais, especialmente em um país com um sistema educacional como o brasileiro, que em sua maioria é incapaz de dar aos seus alunos ensinamentos básicos sobre gramática e aritmética, essa base da Paideia grega é impossível de ser transmitida aos estudantes de nosso tempo. É certo que durante vários séculos as Humanidades foram valorizadas no Ocidente, e até mesmo no Brasil. Mas como sempre surgem mentes brilhantes com as melhores intenções para reformar o ensino, o resultado foi que o sistema educacional brasileiro foi assaltado pelo modelo tecnicista, e os resultados foram trágicos. Houve nos últimos anos algumas luzes de esperança para a nossa educação, uma vez que filosofia  voltou a ser ensinada nas escolas, mas isso só não basta.

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A Marcha do Golpe em 2014

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

Essa marcha pela família com Deus não passa de golpismo e histerismo. Qualquer tentativa de justificar uma revolta contra o governo por suas supostas simpatias pelo comunismo é puro reacionarismo. Não há por parte de Dilma qualquer ação que tenha como objetivo revolucionar as leis e ao Estado de direito. Eric Voegelin julgava necessário um golpe apenas quando o governante dizia-se enviado da História. John Rawls reconhecia que mesmo quando o presidente formula leis aparentemente injustas, a parte da população que se sente incomodada com tais leis não pode, por conta própria, dar início a uma revolução contra o governo. Para que uma marcha com essa intenção fosse válida, seus representantes teriam que demonstrar que Dilma está implantando uma real ditadura no Brasil, e já respondo que isso não é possível. O fantasma de um Terror Vermelho foi a desculpa que Hitler usou para tomar o poder na Alemanha, e com isso arrastou milhões de iludidos para o partido nazista- inclusive parte das igrejas católica e protestante. Percebo que muitos daqueles que aderiram ao medo do governo  petista no fundo não toleram uma população que vota em quem os desagrada, e acabam por demonstrar uma inegável nostalgia do governo militar. Esse governo funesto que dominou o Brasil por 21 anos foi o responsável por torturas, pelo aumento da violência, da favelização, pela destruição da escola pública (sim, os militares foram aqueles que formularam a tragédia educacional do Brasil); que não investiram nada nas universidades nem em escolas técnicas e que, por último,  deixaram um legado inflacionário e de endividamento que só agora foi controlado. Quem apoia essa marcha -que é golpista- tem a obrigação de provar que o governo atual não merece mais ser obedecido e justificar, filosoficamente e pelas leis, que ele merece ser derrubado. Se não for assim, que declarem abertamente que o que estão fazendo não é o mesmo processo revolucionário que julgam estar combatendo, apenas que o seu tem um lema diferente.

 

 A que vemos naquele que odeia em lugar de amar aquilo que julga ser nobre e bom, ao mesmo tempo que ama e acarinha o que julga ser mau e injusto. Essa falta de harmonia entre os sentimentos de dor e prazer e o discernimento racional é, eu o sustento, a extrema forma da ignorância e também a maior porque é pertinente à maior parte da alma, ou seja, aquela que sente dor e prazer, correspondente à massa populacional do Estado. Assim sempre que essa parte se opõe ao que por natureza são os princípios reguladores ( conhecimento, opinião ou razão), chamo essa condição de estultícia seja num Estado ( quando as massas desobedecem aos governantes e as leis), seja num indivíduo ( quando os nobres elementos racionais que existem na alma não produzem nenhum bom efeito, mas precisamente o contrário). todas estas eu teria na conta das mais discordantes formas de ignorância, seja no Estado ou no indivíduo, e não a ignorância do artesão, se é que me entendeis, estrangeiros.” (Platão, As Leis)

Resenha: Doutor Fausto, de Thomas Mann

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Quem já leu a Montanha Mágica de Thomas Mann não ficará surpreso ou angustiado pelo estilo cuidadoso e lento com que ele desenvolve a estória. Posso garantir que quem tiver paciência para aguardar o final do livro não ficará decepcionado. No começo do livro até a sua metade, parece que Mann está mais preocupado com aspectos teóricos da música clássica europeia. Um bom conhecimento musical far-se-á necessário a quem quiser compreender mais profundamente essa obra. O que mais despertou-me a atenção para esse novo mito fáustico de Mann é o fato dele ter sido abordado pela literatura brasileira alguns anos mais tarde, porém com resultado diverso. Refiro-me a João Guimarães Rosa e ao seu Grande Sertão: Veredas, de 1956. Mann conta a vida de um estudante de teologia( Adrian Leverkühn) pela voz de seu amigo estudante de filosofia (Serenus Zeitblom). O jovem teólogo tem talento para a matemática e para a música. Resolve, então, dedicar-se à música. No meio da estória, Mann introduz o personagem do Demônio, que trava com Adrian um diálogo em que o pacto aparentemente não foi estabelecido. Ao longo do livro, a história da Alemanha desde o período anterior à primeira guerra, até  a derrota em 1945 vai sendo contada junto com a ascensão de Adrian. Uma crítica pode ser feita a Thomas Mann por introduzir no livro uma imensidão de personagens muitos dos quais não têm maior importância para o desenrolar da estória. Da mesma forma que na obra A Montanha Mágica, Adrian e o narrador ( Zeitblom) representam aspectos da mentalidade alemã que demonstram essa ambivalência entre a cultura humanística e o apelo ao pacto fáustico. No final do livro é-nos revelado que Adrian, de fato, fez o pacto demoníaco. É claro que isso é apenas uma metáfora para o verdadeiro pacto diabólico que a Alemanha fez com Hitler. Adrian conclui sua carreira na música com a obra intitulada Doutor Fausto. Depois disso, enlouquece. Mann faz a mesma pergunta à Alemanha: após os primeiros triunfos na segunda guerra contra a França e a União Soviética, qual será o preço a ser pago pela nação? O que restará do espírito alemão, já que da alma de Adrian nada restou? Como eu mencionei no começo da resenha, existe uma semelhança entre Mann e Rosa, mas a inteligência e a grandeza de alma dos dois chegaram a resultados diferentes. Mann reconhecia o pacto e o perigo que a Alemanha corria. Rosa, que era um gnóstico, negou o pacto e impediu a literatura brasileira de ter um mito como o germânico que nos alertasse para diversos perigos que a alma brasileira enfrentaria. O sentido do diabólico foi captado pelo gênio da litaratura alemã, enquanto no Brasil o Diabo foi visto por Rosa como sendo um ente não real. Sem reconhecermos o perigo dos abismos do Maligno e da sedução para o Mal, como uma nação poderá fazer uma reflexão sobre as ameaças que as afligem? Essa é uma das diferenças que separam a literatura e a nação  brasileira de  países mais experimentados e prudentes como os da Europa.