A Marcha do Golpe em 2014

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

Essa marcha pela família com Deus não passa de golpismo e histerismo. Qualquer tentativa de justificar uma revolta contra o governo por suas supostas simpatias pelo comunismo é puro reacionarismo. Não há por parte de Dilma qualquer ação que tenha como objetivo revolucionar as leis e ao Estado de direito. Eric Voegelin julgava necessário um golpe apenas quando o governante dizia-se enviado da História. John Rawls reconhecia que mesmo quando o presidente formula leis aparentemente injustas, a parte da população que se sente incomodada com tais leis não pode, por conta própria, dar início a uma revolução contra o governo. Para que uma marcha com essa intenção fosse válida, seus representantes teriam que demonstrar que Dilma está implantando uma real ditadura no Brasil, e já respondo que isso não é possível. O fantasma de um Terror Vermelho foi a desculpa que Hitler usou para tomar o poder na Alemanha, e com isso arrastou milhões de iludidos para o partido nazista- inclusive parte das igrejas católica e protestante. Percebo que muitos daqueles que aderiram ao medo do governo  petista no fundo não toleram uma população que vota em quem os desagrada, e acabam por demonstrar uma inegável nostalgia do governo militar. Esse governo funesto que dominou o Brasil por 21 anos foi o responsável por torturas, pelo aumento da violência, da favelização, pela destruição da escola pública (sim, os militares foram aqueles que formularam a tragédia educacional do Brasil); que não investiram nada nas universidades nem em escolas técnicas e que, por último,  deixaram um legado inflacionário e de endividamento que só agora foi controlado. Quem apoia essa marcha -que é golpista- tem a obrigação de provar que o governo atual não merece mais ser obedecido e justificar, filosoficamente e pelas leis, que ele merece ser derrubado. Se não for assim, que declarem abertamente que o que estão fazendo não é o mesmo processo revolucionário que julgam estar combatendo, apenas que o seu tem um lema diferente.

 

 A que vemos naquele que odeia em lugar de amar aquilo que julga ser nobre e bom, ao mesmo tempo que ama e acarinha o que julga ser mau e injusto. Essa falta de harmonia entre os sentimentos de dor e prazer e o discernimento racional é, eu o sustento, a extrema forma da ignorância e também a maior porque é pertinente à maior parte da alma, ou seja, aquela que sente dor e prazer, correspondente à massa populacional do Estado. Assim sempre que essa parte se opõe ao que por natureza são os princípios reguladores ( conhecimento, opinião ou razão), chamo essa condição de estultícia seja num Estado ( quando as massas desobedecem aos governantes e as leis), seja num indivíduo ( quando os nobres elementos racionais que existem na alma não produzem nenhum bom efeito, mas precisamente o contrário). todas estas eu teria na conta das mais discordantes formas de ignorância, seja no Estado ou no indivíduo, e não a ignorância do artesão, se é que me entendeis, estrangeiros.” (Platão, As Leis)

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