Resenha: Romance d’A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna

Ariano Suassuna

 

 

 

 

Um dos grandes livros da literatura brasileira, o Romance d’A Pedra do Reino mistura fantasia com realidade, na tentativa de um personagem de criar uma Epopeia nacional.

Quaderna, o narrador dessa história que envolve muito mistério, é um descendente do líder da seita da pedra do reino, que existiu de fato entre 1835 e 1838. A seita produziu um mar de sangue no sertão. Ariano Suassuna começa a história um século depois, em 1935, que representa então o século do reino. A narrativa é mítica, na qual surge um sertão povoado por personagens e seres fantásticos, e onde é feita uma discussão sobre poesia e literatura em meio a duelos entre dois representantes da esquerda e da direita. A literatura e a cultura nordestina são muito valorizadas por Suassuna. Quaderna tem a esperança de tornar-se uma espécie de Homero brasileiro.

Este novo mito sertanejo é a continuação do Sebastianismo em terras brasileiras. Tudo começa em terras africanas com a morte de Dom Sebastião. No Brasil, o padre Antônio Vieira foi um dos grandes propagandistas desse pensamento. Outras manifestações aconteceram no Nordeste, como na serra do rodeador e na já mencionada seita da pedra do reino. Quaderna também considera Antônio Conselheiro um profeta do Sebastianismo. O século do reino que começa em 1935 é a continuação desse mito no Brasil.

Os terríveis acontecimentos da pedra do reino no século XIX foram uma manifestação diabólica dessa corrente sebastianista. Suassuna teve que ter muito cuidado para que seu romance não acabasse fazendo uma propaganda do Maligno. O romance funde a cultura Ibérica com mitos da população negra e indígena nordestina. Alguns personagens querem que o mito brasileiro seja europeu; outros querem que seja africano. Quaderna pretende unir a cultura Ibérica e a africana com o mito nacional da pedra do reino. A partir disso uma nova tradição literária terá início no Brasil. Quaderna é uma espécie de poeta-teólogo como na definição de Vico. É esse personagem que cantará o mito fundador de uma nação misturando imaginação e história, deuses e heróis.

 

 

 

 

 

 

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