A Filosofia e a Ideia de Liberdade

A ideia de liberdade na filosofia grega teve em Platão e em Aristóteles os seus representantes máximos. Na filosofia platônica, o conceito de liberdade está ligado à concepção de Paideia, que é o processo de formação do homem segundo a definição de Werner Jaeger. Platão em sua obra A República, aparentemente queria construir um Estado ideal com suas classes definidas de governantes e de guardiões. No entanto, de acordo com os estudos de Werner Jaeger, Platão queria expor nesse diálogo a sua noção de Paideia. Esse processo de educação,segundo Jaeger visava não à construção de um Estado físico, mas sim ao “Estado dentro de si”. Somente com o domínio do “animal dentro de si” poderia ser criado o “império do divino sobre o animal dentro do homem”(1995, pág. 975). Na filosofia de Aristóteles, a liberdade é concebida como o controle das paixões e de uma vida de extremos. Sua ética era a da escolha voluntária. Na Ética a Nicômaco, o homem é livre para viver tanto uma vida justa como injusta, porém Aristóteles diz que a vida do homem justo é superior. Essa é a Ética do Homem livre. Na época cristã, a filosofia vai ganhar uma grande contribuição para a questão da liberdade que é a noção de liberdade da vontade. O pensamento medieval acreditava que “ Deus criou o homem dotado de uma alma racional e de uma vontade, isto é, com um poder de escolha análogo ao dos anjos”( Gilson, 2006, pág 368). Ainda de acordo com Gilson (2006, pág.373), “ pode-se obrigar o homem a fazer uma coisa, mas nada pode obrigá-lo a querer fazê-la”.

Comparando o ideal de liberdade dos filósofos da Antiguidade e da Idade Média com o pensamento moderno, podemos ver o quanto decaímos.  O determinismo absoluto nega a liberdade e a responsabilidade dos homens pelos seus atos. A filosofia Medieval é a antítese do determinismo . Para os homens daquela época, a vontade é livre e podemos ou não agir de determinado modo. Posso definir essa diferença como o homem possuindo a liberdade do anjo ( na filosofia medieval) e sendo escravo de fatores biológicos ( no determinismo ). No libertarismo, o Estado  não é tido como o centro da vida humana. O indivíduo é o mais importante, e da maneira como Platão coloca o problema do Estado e da liberdade, percebemos aí um ponto em comum. O Estado não tem para os libertários o poder de limitar a liberdade humana; da mesma forma, Platão no “Górgias pusera em relevo que não é o poder o único a decidir, mas sim o Homem, a alma e o valor interior”, de acordo com Jaeger (1995, pág. 975) . Platão e os Libertários creem que o mais importante é a liberdade interior da alma. A dialética da necessidade tal qual foi defendida por Hegel e Marx era um problema que não existia na filosofia medieval. Para o filósofos daquela época, o exercício do livre-arbítrio era livre de necessidades e livre de constrangimentos. Duns Scot, segundo Gilson (2006, pág 381), fazia uma oposição entre a “ordem das naturezas, que é a da necessidade, à ordem das vontades, que é a da liberdade ”. Podemos fazer um paralelo com Kant, já que esse fazia da necessidade o reino da natureza da qual faz parte o homem empírico, e a liberdade da qual faz parte o homem como ser moral. Duns Scot, antes do filósofo alemão, acreditava que “a natureza faz parte do princípio de determinação; a vontade, por sua vez, é essencialmente indeterminada pelo princípio de indeterminação¹”.

1 Gilson, pág 381.

Referências

JAEGER, Werner. Paideia: A Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 1995.

GILSON, Étienne. O Espírito da Filosofia Medieval. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

 

Comments

  1. Ola,em 1o deixe-me congratular,estou podendo abrir a minha mente que se encontra bloqueada,este e o meu 1o ano de faculdade curso ciencia politica e esses historiados,filosofos e politicos estao virando nha mente.

  2. adivo says:

    ola, estou preparando o meu projecto do fim do curso e o meu tema fala da liberdade. mas estou a ter dificuldades, ja tenho uns bons passos andados

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