Resenha: Os Buddenbrooks, de Thomas Mann

Budenbrooks

Excelente livro escrito por Thomas Mann em sua juventude, que garantiu-lhe o prêmio Nobel em literatura em 1929, os Bruddenbrooks é um romance, que como diz o subtítulo, trata da decadência de uma família burguesa alemã do século XIX. No início, a família constrói uma sólida reputação comercial com o patriarca Jean. Com o decorrer da narrativa, o foco passa a ser as vidas dos filhos do patriarca, que são Thomas, Christian e Antonie. Há um tom de pessimismo em toda a obra por uma influência do filósofo Arthur Schopenhauer no jovem Mann. Os personagens têm um tom trágico que revelam o sofrimento inerente à vida. Antonie quer uma vida confortável e de luxo, mas todas as suas ações são desastradas. Christian é irresponsável e preguiçoso, e termina o romance de maneira sofrida e lamentável. Thomas é o responsável por manter a firma da família funcionando e é o personagem mais complexo. Pude identificar nesse personagem um tom de Machado de Assis. Isso se deve, é claro, pela influência de Schopenhauer na obra dos dois grandes autores. Thomas percebe o mundo caindo à sua volta por causa dos sucessivos fracassos de seus irmãos. Ele vai se tornando cada vez mais cínico e pessimista com o desenrolar da história. A semelhança com o Bentinho de Dom Casmurro é evidente na maneira como Thomas se relaciona com seu filho Hanno, por causa da frieza com que esse trata seu filho. [Read more…]

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São Boaventura por Frederick Copleston

François,_Claude_(dit_Frère_Luc)_-_Saint_Bonaventure

” Seria este mundo, que reflete tão admiravelmente o Divino Criador, o melhor dos mundos possíveis? Nós devemos primeiramente distinguir duas questões: Poderia Deus ter feito um mundo melhor do que esse? Poderia Deus ter feito este mundo melhor do que ele é? Boaventura responde à primeira questão que Deus poderia ter feito um mundo melhor do que este pela criação de essências mais nobres, e que isto não pode ser negado sem limitarmos o poder divino. Quanto à segunda questão, tudo depende sobre o que você entende por “mundo” e “melhor”. Se você se refere às substâncias que produzem este mundo, você estaria perguntando se Deus poderia ter feito essas substâncias melhores no sentido de fazê-las essências ou substâncias mais nobres do que elas são, ou seja, de um tipo maior, ou você estaria perguntando se Deus poderia ter feito essas substâncias acidentalmente melhores, ou seja, fazendo-as permanecerem em sua própria classe? Se você se refere ao anterior, então a resposta é que Deus poderia de fato mudar para melhor as substâncias , mas não seria o mesmo mundo e Deus não estaria fazendo este mundo melhor. Se você se refere ao último, então Deus poderia fazer este mundo melhor. Peguemos um exemplo. Se Deus mudasse um homem para um anjo, esse homem não iria mais ser um homem e Deus não estaria fazendo este homem melhor; mas Deus poderia fazer o homem melhor pelo incremento seu poder intelectual ou de  suas qualidades morais. Novamente, enquanto Deus poderia fazer este homem ou este cavalo um homem melhor ou um cavalo melhor, nós devemos fazer uma outra distinção se formos perguntados se Deus poderia fazer o homem melhor no sentido de colocá-lo em condições melhores. Absolutamente falando Ele poderia; mas se alguém leva em consideração o propósito pelo qual Ele colocou ou permitiu que o homem estivesse nessas condições poderia muito bem ser porque Ele não poderia ter feito o homem melhor. Por exemplo, se Deus fizesse com que todos os homens O servissem bem, Ele estaria fazendo o homem melhor do ponto de vista abstrato; mas se você considerar a proposta pelo qual Deus permitiu ao homem servi-Lo bem ou mal, Ele não estaria fazendo o homem melhor ao praticamente acabar com seu livre-arbítrio. Finalmente, se alguém perguntar por que, se Deus poderia ou pode fazer esse mundo melhor, e Ele não fez ou não fizer, nenhuma resposta pode ser dada para salvar essa situação, por que Ele quis pois somente Ele sabe a razão ( solutio non potest dari nisi haec, quia voluit, et rationem ipse novit).”

Fonte: Copleston, Frederick. A History of  Philosophy, Volume II.