Resenha: Os Buddenbrooks, de Thomas Mann

Budenbrooks

Excelente livro escrito por Thomas Mann em sua juventude, que garantiu-lhe o prêmio Nobel em literatura em 1929, os Bruddenbrooks é um romance, que como diz o subtítulo, trata da decadência de uma família burguesa alemã do século XIX. No início, a família constrói uma sólida reputação comercial com o patriarca Jean. Com o decorrer da narrativa, o foco passa a ser as vidas dos filhos do patriarca, que são Thomas, Christian e Antonie. Há um tom de pessimismo em toda a obra por uma influência do filósofo Arthur Schopenhauer no jovem Mann. Os personagens têm um tom trágico que revelam o sofrimento inerente à vida. Antonie quer uma vida confortável e de luxo, mas todas as suas ações são desastradas. Christian é irresponsável e preguiçoso, e termina o romance de maneira sofrida e lamentável. Thomas é o responsável por manter a firma da família funcionando e é o personagem mais complexo. Pude identificar nesse personagem um tom de Machado de Assis. Isso se deve, é claro, pela influência de Schopenhauer na obra dos dois grandes autores. Thomas percebe o mundo caindo à sua volta por causa dos sucessivos fracassos de seus irmãos. Ele vai se tornando cada vez mais cínico e pessimista com o desenrolar da história. A semelhança com o Bentinho de Dom Casmurro é evidente na maneira como Thomas se relaciona com seu filho Hanno, por causa da frieza com que esse trata seu filho.

A família Buddenbrook é representante de uma burguesia decadente, que com o passar dos anos perde sua fortuna por sucessivos desastres financeiros. Christian e Antonie não possuem talento que o faça se destacarem na sociedade. Thomas consegue se tornar senador e a não passar por todos os percalços dos irmãos. Tem um filho com um talento inegável para a música, mas o pequeno Hanno só recebe do pai a indiferença e a ironia. Hanno, como eu já disse, é parecido com o Ezequiel de Dom Casmurro. Depois da morte de Thomas, o  autor passa a dar atenção a Hanno, que é a esperança de continuidade da família Buddenbrook. Se quando era mais jovem era um músico de talento, com o início da adolescência perde o interesse e a criatividade para dar início a uma carreira nessa área. Torna-se um jovem sem amigos e que é medíocre na escola. Morre de tifo, e com isso tem um fim o romance de Mann. É um romance de agradável leitura e sem grandes surpresas, mas que mantém o leitor atento até a última página.

Filosoficamente, Mann faz o personagem Thomas ler, no final do livro, uma passagem de Schopenhauer intitulada ” Sobre a Morte e  a Indestrutibilidade de nossa Natureza Interna”, que faz parte do segundo volume de sua obra principal ” O Mundo como Vontade e Representação”. Thomas era um personagem com uma curiosidade religiosa. Criado protestante, e com uma certa simpatia pelo catolicismo, Thomas já no fim da vida fica impressionado com o filósofo do pessimismo. Nesse capítulo, Schopenhauer fala sobre a ideia da morte e o pavor que a mesma causa nos seres humanos. O que acontecerá quando eu morrer? Schopenhauer responde que o tempo que existirá após a nossa morte é o mesmo que existiu antes de nascermos. O infinito a parte post é o mesmo a parte ante, diz o filósofo. Com a morte todo o mal cessará, é o que diz Schopenhauer e que Thomas acredita. O que o filósofo diz é que a vida é um contínuo caminhar para a decadência e para o fim. Todos os dias nossas forças e capacidades vão se extinguindo aos poucos. Na morte nosso corpo acha a paz, diz Schopenhauer. A morte cessa o fenômeno particular, mas não a força universal que o causa. Schopenhauer trata a queda e a morte com a mesma indiferença da natureza, pois sabe que com o fim da vida estaremos todos na segurança da Mãe-Natureza .  O filósofo alemão colocava a imortalidade não no intelecto, mas na Vontade. Thomas, ao ler o livro, toma consciência da sua imortalidade. Hermes Trismegisto dizia que aquilo que é deve sempre ser. Schopenhauer diz as palavras que passam a ser a esperança de Thomas para remediar tanto sofrimento de sua família: “apesar do tempo, da morte e da decadência, nós ainda estamos todos  juntos!”

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