Uma solução dada por São Tomás de Aquino ao problema dos Universais

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A pergunta do Comentário à Metafísica de Aristóteles feita por São Tomás é a seguinte:

Alguns Universais existem fora das coisas singulares percebidas pelos sentidos e daquelas que são compostas por matéria e forma?

No caso citado, a passagem da Metafísica é a do capítulo 4 999a24 -999b20

A pergunta de Aristóteles no texto da Metafísica revela uma grande dificuldade que ele gostaria de resolver que é a seguinte: Se não existe nada fora das coisas singulares, e as coisas singulares são em número infinito, como podemos adquirir um conhecimento científico delas?

Ele questiona que exista alguma coisa além das coisas singulares, e que esse gênero esteja em separado das coisas singulares, e que esse gênero será o começo ou o fim das coisas, mas essa solução ele descarta.

Ora, ele pergunta agora se alguma coisa existe além do concreto, então essa coisa existe além de todas as coisas concretas ou somente de algumas?

Ele descarta a solução dos pré-socráticos de que a ciência é apenas uma percepção sensorial, porque se não existe nada além das coisas singulares, nada seria inteligível, mas todas as coisas seriam sensíveis, dessa forma não haveria ciência, diz São Tomás.

Aristóteles diz que nada pode vir de um não-ser, e que tudo o que foi gerado e se move tem que ter um fim. Ele crê que alguma coisa existe junto do synolon, e essa seria a forma e o princípio de especificação.

Para terminar, Aristóteles questiona que se isso for verdade, então surge um problema se essa posição pode ser mantida, já que ele não sustenta que exista uma casa à parte de casas particulares.

No comentário feito por São Tomás de Aquino a essa questão, ele demonstra soluções feitas por ele e pelo próprio Aristóteles a essa difícil passagem.

São Tomás comenta que Platão sustentava que os Universais eram separados, e outros filósofos acreditavam que não. Aristóteles julgava que toda a ciência das substâncias, tanto sensíveis como imateriais, dependiam disso.

São Tomás demonstra a necessidade da existência dos Universais pelo motivo de que as coisas singulares são infinitas e, portanto, somente com os Universais é que a ciência dos singulares passa a ser possível. Universais são coisas que existem em separado dos singulares, de acordo com São Tomás.

Aristóteles nos ensinará que os Universais não são substâncias que subsistem em si mesmas. São Tomás explica que as coisas não precisam ter o mesmo modo de ser na realidade da mesma forma que elas possuem quando entendidas pelo intelecto. Ele dirá que o intelecto conhece coisas materiais de maneira imaterial. Então o intelecto conhece o Universal de maneira imaterial das coisas que existem no singular, sem considerar os princípios e acidentes das coisas individuais.

Conforme Aristóteles reconheceu, a dificuldade maior é sabermos se existe alguma coisa além de algo composto de matéria e forma.

A primeira solução que ele qualifica de insustentável, diz São Tomás, é a de que nada existe além das coisas singulares compostas de matéria e forma. Tomás diz que as coisas singulares não são inteligíveis, mas sim sensíveis. Entretanto, existe ciência apenas do que é inteligível, e a opinião dos filósofos antigos de que a ciência deveria ser o estudo da percepção sensorial é insustentável.

Aristóteles então aprofunda o argumento: todas as coisas compostas de matéria e forma são móveis no sentido de que todas são sujeitas ao movimento e à destruição. A partir disso poderíamos dizer que nada é eterno e imóvel.

São Tomás esclarece que se todas as coisas não são eternas, então é impossível que algo seja gerado. Tudo tem que ser gerado de algo e nada pode vir de um não-ser. Então temos que o princípio material é não-gerado ou qualquer geração é impossível.

São Tomás vai explicar esse processo da causa formal a partir da afirmação de que nenhum movimento ou geração é eterno. Toda forma é um término de uma geração, e não podemos ter um regresso ao infinito do processo de geração. Deve haver alguma forma não-gerada que deu início a tudo. Essa não pode ser a matéria, porque ela está sujeita ao movimento e à transmutação, diz São Tomás. Portanto, deve haver alguma coisa ao lado do synolon– o princípio de individuação de Aristóteles. Não pode haver um Universal de coisas feitas pela arte humana como uma casa, por exemplo. São Tomás termina essa discussão afirmando que a Forma das coisas sensíveis não são separadas da matéria, enquanto que a Forma das coisas inteligíveis pela natureza são separadas da matéria, porque essas substâncias são de uma natureza superior e pertencem a uma outra ordem das coisas existentes.

 

 

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