Aristóteles e o conhecimento Metafísico e do mundo real

Aristotle

Kant negava o valor da Metafísica dizendo que qualquer conhecimento do noumenon (a coisa-em-si) era impossível, pois o nosso intelecto só estaria apto a reconhecer e compreender os objetos do mundo fenomênico. Descartes era da opinião de que nossos sentidos nos enganam muitas vezes e que, portanto, a única certeza que teríamos seria subjetiva. Ora, lendo o Comentário à Metafísica de Aristóteles escrito por São Tomás, ali existe um capítulo que fala da dificuldade de adquirirmos um conhecimento do mundo e dos objetos.

Podemos ler com clareza qual era a opinião de Aristóteles e que,São Tomás, por sua vez, acrescenta alguns detalhes. Diz Aristóteles que ninguém pode alcançar a verdade Metafísica de todas as coisas sozinhas, mas que os homens unidos podem, cada qual com sua contribuição, ajudarem a formar um mosaico com pequenas verdades do todo.

São Tomás faz um comentário a respeito de o porquê os homens terem opiniões e conceitos diferentes sobre o mundo e os objetos. Fazendo um paralelo com o mundo atual e a notícia curiosa sobre o vestido e sua real aparência, que foi uma das grandes discussões desses dias, vemos que o Aquinate faria uma objeção ao pensamento cartesiano de que os sentidos nos enganam. Lendo a notícia sobre o vestido e sua cor, aparentemente Descartes teria razão de dizer que são os nossos sentidos que estão nos enganando, por causa de que cada um vê uma cor diferente no vestido. São Tomás, explicando o pensamento aristotélico, vai nos dizer que o problema não está em nossos sentidos e nem necessariamente no objeto em si- apesar de que objeto pode ter alguma imperfeição-, mas sim em nosso intelecto.

Quanto a Kant, o pensamento de Aristóteles e São Tomás difere do filósofo alemão por dar importância central à Metafísica. No Comentário à Metafísica, São Tomás afirma que o conhecimento daquilo que é deficiente quanto ao Ser é mais difícil, como o Tempo e o Movimento. Contrariamente a Heráclito, Aristóteles afirmava que podemos ter certeza das coisas mesmo que elas mudem em aparência, porque a dificuldade está em nosso intelecto e jamais nas coisas do mundo. Aristóteles afirma que o mais valioso conhecimento é sobre aquilo que é imaterial, mas não conseguimos alcançar sua verdade total por causa da fraqueza do intelecto. Portanto, diz o Filósofo grego, através do conhecimento das coisas estáveis (as imateriais) nosso intelecto ganha em força para o conhecimento do mundo material, justamente porque o nosso mundo é menos inteligível do que o mundo imaterial.

São Tomás afirmava que, para termos um conhecimento das coisas imateriais através da nossa alma, precisamos abstrair os objetos de seus fantasmas. Deus não teria nos enganado criando um mundo material que seria ininteligível, seja porque nossos sentidos nos enganam ou porque não podemos alcançar a coisa-em-si. Tomás explica que nosso intelecto existe para compreendermos o mundo e não o contrário. Tomás conclui dizendo que mesmo que o Sol não seja visto pela coruja durante o dia, a águia consegue vê-lo perfeitamente.

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