Platão e o problema dos Universais

Platão busto

O problema dos universais teve duas visões que moldaram todas as discussões posteriores. A opinião de Aristóteles é de que os Universais participam no sensível, e não existem separados dele como Platão acreditava. Esse último acreditava, de acordo com São Tomás, que o Homem não existiria em coisas particulares, mas a Ideia do homem seria separada de qualquer particular. Aristóteles rejeitava a definição do Universal como sendo uma substância, mas dizia que o Universal é conhecido através da experiência sensível de objetos particulares. Porfírio dizia que os Universais de Aristóteles são incorpóreos, mas estão juntos ao sensível.

A doutrina platônica dos Universais é bastante diferente. Para Platão, as Formas são seres que existem separados da matéria. Proclo diz que na filosofia de Platão o que é Inteligível é diferente da imagem do Inteligível. Platão dizia que o nosso conhecimento da natureza vem do Universal abstraído do particular. Proclo afirma que o conhecimento do Universal e do particular é semelhante à diferença que existe entre Conhecimento e Fé. O Conhecimento representa o Inteligível, e a Fé a imagem do Inteligível. Em seu Comentário ao Timeu de Platão, Proclo reproduz um pensamento de Parmênides:

“A Verdade é cheia de esplendor e é imutável, mas as opiniões dos mortais não possuem nenhuma credibilidade real.”

Parmênides também declara a diferença entre Conhecimento e Fé. A primeira com a definição dada acima; e a Fé a qual ele exclui qualquer verdade estável. A Fé, segundo Platão, é algo irracional porque envolve os sentidos e pesadas conjecturas. Para Platão, portanto, o Universal existe sem precisar estar unido ao sensível. Tanto Proclo quanto Bertrand Russell definiram bem o Universal como existindo fora de algum local ou tempo. Russell, em sua obra Problemas da Filosofia, negava a definição dos Universais por Aristóteles porque envolvia a presença da matéria e de objetos desse mundo. Apenas o Ser é imutável, diz Russell, “enquanto o nosso mundo é imperfeito e representa uma multidão de coisas físicas e mentais que não fazem qualquer diferença para definirmos o valor da vida e do nosso mundo.” O filósofo britânico estava certo quando disse que a filosofia platônica era o paraíso dos matemáticos e dos metafísicos, justamente os que lidam com coisas eternas e imutáveis, enquanto a filosofia aristotélica era a doutrina dos biólogos, ou seja, os que lidam com coisas temporárias e que estão sujeitas à mudança.

No meu artigo anterior eu já havia confrontado a visão platônica e aristotélica sobre o princípio de individuação. O grande problema da filosofia de Aristóteles, e que criou enormes dificuldades para São Tomás de Aquino, é a sua ênfase no mundo material. Se o princípio da individuação necessita obrigatoriamente da matéria, então como se dará a individuação na outra vida depois que morrermos? Se o Universal só está completo no objeto sensível, como contemplaremos as Formas eternas e imutáveis depois da morte, onde já não há matéria? São perguntas que Aristóteles jamais elaborou e que São Tomás não conseguiu responder de maneira convincente. O verdadeiro Universal é o Ser perpétuo. Proclo afirma que tudo o que foi gerado só pode ser objeto de opinião, e que o Universal eterno permite o homem ter acesso às suas essências gnósticas.

 

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