Resenha: A era de T.S.Eliot, de Russell Kirk

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T.S. Eliot não foi somente um dos grandes poetas do século XX e da língua inglesa, mas também um conservador no melhor sentido da palavra e um ser humano excepcional. Sua história é narrada por um dos expoentes do conservadorismo norte-americano, Russell Kirk, que além de conhecer profundamente a obra do poeta, também conheceu Eliot pessoalmente. Isso garante ao livro uma grande sinceridade tanto nos elogios como igualmente na defesa que o autor faz das crenças de Eliot contra os ataques da esquerda política.
T.S.Eliot nasceu nos Estados Unidos e teve uma educação familiar e protestante que o marcou por toda a vida; desde cedo tinha um profundo interesse em religião e na mais alta literatura. Frequentou a universidade de Harvard onde estudou Filosofia. Interessava-se pela Filosofia Idealista e teve já naquela época as figuras de Virgílio e Dante como referências que conservou por toda vida. O livro narra o relacionamento trágico que teve com sua primeira esposa Vivienne, da mesma forma que as amizades que Eliot teve a partir do momento em que passou a viver na Inglaterra, onde assumiria a nacionalidade britânica alguns anos mais tarde.
Bertrand Russell foi uma dessas amizades, sendo que o filósofo britânico via em Eliot um grande potencial para a Filosofia, porém achava que o poeta carecia de energia e de vontade de viver.Russell demonstrou maior interesse ainda pela esposa de Eliot, e terminou por cornear o poeta. Eliot desde o primeiro momento percebeu o perigo e o aspecto desesperador do pensamento de Russell, a acabou se afastando cada vez mais dele. Outra amizade marcante na vida de Eliot foi o escritor Ezra Pound, que Russell Kirk credita ter ajudado e muito a tornar o texto do Magnum opus de Eliot em uma obra de mais qualidade. Pound terminou a vida de forma trágica por seu entusiasmo pelo fascismo de Mussolini. Foi preso e enjaulado e jogado louco em um hospital psiquiátrico, mas Eliot ainda assim tentou ajudá-lo.
Alguns temas polêmicos na vida do poeta são abordados pelo autor como, por exemplo, a suposta homossexualidade de Eliot e seu alegado antissemitismo. Kirk afirma que a homossexualidade é uma tese impossível, pois nenhum amigo mais próximo de Eliot jamais percebeu qualquer coisa, porém Eliot escreveu sim alguns textos antijudaicos, mas nada que não fosse a prática entre a intelectualidade da primeira metade do século XX. Orwell, que era um grande admirador da poesia de Eliot, defendeu-o de ser um antissemita.
O tema central do livro de Russell Kirk porém é o conservadorismo de Eliot e sua tentativa de salvar de certa forma a cultura Ocidental. O poeta foi um intelectual militante do patrimônio cultural do mundo clássico e cristão. Eliot escreveu livros sobre educação e soube manter sua integridade moral e intelectual quando todos praticamente abandonavam Deus para seguir Hitler ou Stalin. Naquele tempo, era quase que exigido que os homens de letras aderissem ou ao fascismo ou ao comunismo. Eliot negou ambas as soluções porque achava que as ideologias nada mais eram que um substituto à fé religiosa, essa mesma fé religiosa que marcou o seu pensamento. Ele se converteu ao anglo-catolicismo e praticou uma fé sincera.
Como diz Russell Kirk, Eliot buscava aquilo que Edmund Burke definiu como “contrato da sociedade eterna”, que era a antítese do que buscavam nazismo e comunismo. Eliot só conseguia ver sentido em uma vida que buscasse à transcendência, pois o Ocidente, ao negar o Cristianismo, necessariamente encontraria a ruína moral e espiritual. Sem fé, diz Eliot, nossa civilização não vai encontrar mais razões para viver, até porque o que vai ser restaurado não é o paganismo clássico da Grécia, mas sim um paganismo que mistura nazismo e cientificismo.
Eliot acreditava que sem literatura cairíamos na barbárie, e que os profetas do passado (com Dante e Virgílio na dianteira) juntamente com as línguas clássicas (grego e Latim) seriam os alicerces que poderiam sustentar nossa civilização, mas acrescentando claro que o mais importante era a Fé cristã. A sociedade Ocidental foi guiada por “cientistas” e economistas no século XIX, que para Eliot era o século mais abominável de todos. Ele sempre ensinava que para reverter esse horror pós-guerra seria necessário restaurar a moral e a espiritualidade, tarefa essa que cabe aos filósofos e teólogos. Para terminar, T.S.Eliot foi um grande entusiasta da restauração da Igreja e da Religião. Russell Kirk escreve essas palavras (citando Eliot) na página 385 do livro:
“sempre a desabar, sempre ameaçada por fora, a Igreja deve estar sempre em construção.”
“Que vida tendes se não viveis em comunhão?
Não há vida que floresça sem comunidade,
E comunidade não há que perdure sem louvar a DEUS.”

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