Resenha: O Princípio Responsabilidade, de Hans Jonas

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Desde o século XIX, século do otimismo e da técnica, e tendo seu auge no século XX, o avanço da civilização Ocidental produziu uma enorme “fé” secularizada nos poderes do homem e um progressismo bastante doentio. O livro do filósofo alemão Hans Jonas O Princípio Responsabilidade, escrito em 1979, no fundo é uma grande denúncia contra qualquer utopia progressista, seja capitalista ou comunista.

Não há dúvidas de que para que haja qualquer ideia de progresso existe a necessidade de que o Ser exista, pois Jonas não cansa de afirmar que a vida é “um não enfático ao não-ser”. Sem qualquer otimismo raso e mesmo reconhecendo que doutrinas filosóficas pessimistas são realmente difíceis de refutar, Jonas afirma que a pergunta radical e de origem teológica feita por Leibniz “Por que existe alguma coisa ao invés do nada?” já garante, na mesma medida que o Gênesis e o Timeu de Platão, que o mundo seja bom, pois o existir é preferível ao não-existir. Muito provavelmente sem essa visão religiosa platônico-mosaica, que Jonas não esconde que prefere, a ética da responsabilidade já estaria comprometida seriamente. [Read more…]

Resenha: Pensar a Bioética- Metas e Desafios, de Diego Gracia

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Diego Gracia é o grande especialista em Bioética espanhol e a referência nessa área para toda América Latina, inclusive o Brasil; ele é psiquiatra e graduado em Filosofia. No livro Pensar a Bioética- Metas e Desafios, Gracia vai muito além de uma simples introdução ao tema da Bioética, pois também aborda os fundamentos filosóficos dessa ética e demonstra também o que a mesma não deve ser. Os fundamentos filosóficos da Bioética são importantíssimos, pois sem eles toda a discussão ficaria restrita a aspectos econômicos ou utilitaristas. A ciência, como dizia Martin Heidegger, não tem capacidade de pensar sobre a própria ciência, pois isso é tarefa da Filosofia. [Read more…]

Resenha: As fontes do self, de Charles Taylor

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 O filósofo canadense Charles Taylor, autor do excelente Hegel-Sistema, Método e Estrutura, procurou analisar em sua obra As Fontes do Self, a evolução da consciência de si no mundo ocidental desde suas origens gregas até o mundo moderno. Taylor procura ser bastante honesto com o leitor desde o início, portanto, não esconde suas preferências pessoais durante todo o livro. Começando com Homero, esse o representante clássico da ética do guerreiro que busca a glória nesse mundo em incontáveis batalhas, Taylor crê que essa mentalidade, que não consegue estabelecer qualquer conceito de um bem maior do espírito, nunca deixou de existir no Ocidente. Basta lembrarmos-nos da cavalaria medieval e da prática dos duelos. Com Platão, surge uma filosofia que situa o Bem fora desse mundo, pois Platão cria o conceito do hiperbem. Platão associa esse Bem à imagem do Sol (o Filho que se mostra na narrativa platônica), situada no alto e que ilumina a todos os seres humanos. Para ele, a felicidade não era possível nesse mundo, nem mesmo através da prática da virtude, o que é uma opinião bem diferente de vários outros filósofos ao longo da história. Platão de certa maneira cria a vida interior na alma do homem situando o Bem em um mundo imaterial, o qual pode ser alcançado pelo autocontrole e pela criação dentro do homem do “Estado interior”, desconfiando sempre de qualquer apoio do mundo material para alcançarmos essa meta. [Read more…]