Resenha: O Jogo da Amarelinha, de Julio Cortázar

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Um livro com múltiplas possibilidades de interpretação, O Jogo da Amarelinha, do grande escritor argentino Julio Cortázar, é uma das grandes obras da literatura latino-americana. Lembrou-me levemente de O Aleph, de Jorge Luis Borges, por seu estilo de histórias fora de ordem e que surgem ao acaso. Apesar de considerar este livro de Cortázar bastante desafiador, o que para mim é sempre estimulante, nem de longe é comparável a uma obra de James Joyce. [Read more…]

Resenha: A Relíquia, de Eça de Queiroz

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O grande escritor português Eça de Queiroz, que considero superior a Machado de Assis, foi bastante polêmico e ousado em seu romance A Relíquia. Em sua época, muito influenciado pela obra de Ernest Renan “Vida de Jesus”, que recriava a narrativa do Evangelho sem os aspectos sobrenaturais, a obra de Eça de Queiroz serviria de base também para outro escritor português, José Saramago, em seu livro “O Evangelho segundo Jesus Cristo”. A Relíquia denuncia uma sociedade falsamente religiosa, no qual o parecer ser é mais importante do que ser. [Read more…]

Resenha: João Goulart- Uma Biografia, de Jorge Ferreira

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Com o país vivendo uma crise política e econômica sem precedentes, pois julgo que nem em 1964 o sistema político, a imprensa, o judiciário e a população como um todo desceram a um nível tão baixo, estudarmos a história política de alguns de nossos maiores líderes políticos do século XX foi revelador. Tanto a biografia de Getúlio Vargas escrita por Lira Neto quanto a de João Goulart, de autoria de Jorge Ferreira, revelaram incríveis semelhanças com o estado atual do Brasil. A crise política vivida por Goulart teve sua origem no período Vargas, e ele não soube como reverter o processo de radicalização alimentado pela Direita e por uma imprensa irresponsável; da mesma forma que o governo Dilma Rousseff foi incapaz de administrar um sentimento de revolta que vinha desde o início de seu governo. A diferença é que Goulart foi um político muito mais hábil e menos ingênuo que Dilma. [Read more…]

Resenha: Em Berço Esplêndido, de José Osvaldo de Meira Penna

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Mais do que nunca, dada a crise no qual vivemos, faz-se necessária uma análise do que é o Brasil e o caráter de seu povo. Nós sempre vivemos à luz de falsas esperanças: a culpa era de Portugal, depois da monarquia, depois da oligarquia paulista, do estatismo de Vargas, dos delírios arquitetônicos de JK e dos militares. Com a chegada da democracia verdadeira e da Constituição de 1988, nada mais poderia nos deter! Falso. Durante a década de 2000 tínhamos certeza de que havia chegado nossa vez, ainda mais com a descoberta do pré-sal! Veio um desastre como nunca havíamos presenciado…seguimos assim, de decepção em decepção, mas sempre com alguma esperança de que algo mágico vá acontecer… [Read more…]

Carl Gustav Jung e o Problema do Mal no Livro de Jó

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Para realizarmos uma verdadeira investigação filosófica, ainda mais quando estamos diante do problema do Mal metafísico, precisamos estar preparados para as consequências que surgirão à nossa frente. Jung menciona essa preocupação durante sua brilhante e impactante obra Resposta a Jó. O tema do livro, ele sabe disso, já é suficiente para atrair a atenção de pessoas religiosas e/ou de teólogos, e como o filósofo René Guénon ensinava em uma das suas obras, a teologia envolve uma alta dose de emoção. De maneira alguma é fácil dialogar e debater com teólogos, e quando um autor inverte de certa maneira certas concepções que estavam arraigadas em nossa psique durante séculos, pode-se esperar respostas violentamente passionais. Pelo menos é o que Jung imaginava. [Read more…]

Sobre o Sofista de Martin Heidegger

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Cada palavra dita é a voz de um morto.

Aniquilou-se quem se não velou,

Quem na voz, não em si, viveu absorto.

Se ser Homem é pouco, e grande só

Em dar voz ao valor das nossas penas

E ao que de sonho e nosso fica em nós

Do universo que por nós roçou;

Se é maior ser um Deus, que diz apenas

Com a vida o que o Homem com a voz:

Maior ainda é ser como o Destino

Que tem o silêncio por seu hino

E cuja face nunca se mostrou.

Fernando Pessoa

 

No terrível ano de 2016 que vivemos no Brasil, vimos o triunfo do discurso vazio e da mera opinião triunfarem. Reconhecidamente, agora sem mais disfarces, somos um povo violento, preconceituoso e ignorante.  Nosso país é fruto de uma civilização oral, herdeiros de um catolicismo ibérico, pouco afeito à leitura e à busca do conhecimento. Somado a tudo isso, temos a internet agora à nossa disposição, onde cada um pode dar voz a suas opiniões mais loucas, na maioria das vezes sem temer maiores consequências. Mesmo autoridades, que deveriam dar o exemplo, repetem lugares comuns fornecidos pela mídia. [Read more…]

Sobre o quinto livro do De Divisione Naturae de João Escoto Erígena

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Exivit igitur a Patre et venit in mundum, humanam videlicet naturam accepit in qua totus mundus subsistit; nihil enim in mundo est quod non in humana natura comprehendatur : et iterum reliquit mundum et ivit ad Patrem, hoc est humanam quam acceperat naturam, super omnia visibilia et invisibilia, super omnes virtutes coelestes, super omne quod dicitur et intelligitur, suae deitate quae Patri est aequalis, adunans sublimavit. Quanquam enim totam humanam naturam, quam totam accepit, totam in seipso et in Toto humano genere totam salvavit; quosdam quidem in pristinum naturae statum restituens, quosdam vero per excellentiam ultra naturam deificans: in nullo tamen nisi in ipso solo humanitas deitati in unitatem substantiae adunata est, et in ipsam deitatem mutata omnia transcendit.

 

E Ele saiu do pai e veio ao mundo, e tomou para si a natureza humana no qual todo o mundo subsiste, e não há nada na natureza humana que não compreenda. E novamente ele saiu do mundo e foi para o Pai, ou seja, a natureza humana que recebeu, acima de todas as coisas visíveis e invisíveis, acima de todas as virtudes celestes, sobre tudo aquilo que é dito e compreendido, sua divindade que é igual à do Pai, na união sublimou-se. Ao mesmo tempo, para a totalidade da natureza humana, à qual recebeu, ele salvou todo o conjunto da raça humana em si mesmo: para alguns, deve ser restaurado seu estado original na natureza; em outros a excelência está na deificação; no entanto, de modo algum a humanidade em si é unida em uma substância única, mas transcendemos todos na Divindade.

João Escoto Erígena, De Divisione Naturae, Quinto Livro. [Read more…]

Sobre a filosofia de Aristóteles segundo Werner Jaeger

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Devemos reconhecer que existe algo de extraordinário ao lermos o Aristóteles de Werner Jaeger (como também as interpretações neoplatônicas do Estagirita): vermo-nos livres de abordagens dogmáticas e mistificadoras de apologistas católicos (jesuítas, tomistas e neotomistas)! [Read more…]

Resenha: Sagarana, de João Guimarães Rosa

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Sagarana é o romance inaugural de Guimarães Rosa publicado em 1946, dez anos antes de Grande Sertão: Veredas. Nos diversos contos que fazem parte do livro, Rosa reproduz a linguagem do homem simples do sertão brasileiro, mas com a característica incomum em escritores brasileiros de tentar alcançar o universal, ou seja, de falar de temas presentes no espírito da humanidade em qualquer canto do mundo. [Read more…]

Resenha: Recordações do escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto

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Lima Barreto foi um dos nossos grandes escritores, e sua obra pode ser considerada extremamente atual para os nossos dias. De linguagem simples, sem pedantismos, Lima Barreto sempre denunciou duas coisas que são verdadeiras pragas da vida do brasileiro: o racismo e a mediocridade. [Read more…]