Resenha: The Destruction of Reason, de György Lukács

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O historiador de origem húngara John Lukacs, compatriota do filósofo György Lukács, em seu livro O Hitler da História, afirma que The Destruction of Reason é o livro mais fraco do filósofo húngaro de inegável talento. O historiador Lukacs é confessadamente conservador, ao contrário do filósofo Lukács, que foi um dos grandes intelectuais do marxismo. Não conheço em toda sua extensão a obra do filósofo marxista, mas, comparando The Destruction of Reason com os outros livros de Lukács, creio que ele está dentro do mesmo nível tanto em seus erros como em suas verdades. [Read more…]

Problemas e possibilidades do Transumanismo

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Felipe  Pimenta

“Trasumanar significar per verba

non si poria; però l’essemplo basti

a cui esperienza grazia serba.”

Dante Alighieri, Paradiso, Canto I

O trabalho pretende abordar  algumas visões de representantes do movimento transumanista e apontar problemas éticos e metafísicos que surgem a partir disso. Também irá analisar o conceito de evolução da humanidade e a concepção Transumanista. A tentativa de criar um novo ser humano, mesmo que seja com intenções nobres, tais como o prolongamento da vida, o combate às doenças e uma inteligência expandida, deve ser possível em termos éticos e metafísicos.

Palavras-Chave: Transumanismo. Bioética. Nicolau de Cusa. Proclo. Charles Taylor.

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Resenha: From Aristotle to Darwin and Back Again, de Étienne Gilson

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A verdadeira missão da Filosofia: o pensamento sobre o próprio pensamento e o questionamento das razões da ciência.

Poucos filósofos ou intelectuais possuem a coragem de questionar a assim chamada Teoria da Evolução que, mais do que simplesmente uma hipótese científica (ou pseudocientífica), virou já um dogma religioso. Louvemos, portanto, a bravura do filósofo francês Étienne Gilson, que escreveu esse livro numa época em que tal dogma era ainda mais inquestionável. [Read more…]

Resenha: O Erro de Narciso, de Louis Lavelle

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O Erro de Narciso é uma pequena-grande obra do filósofo francês de inspiração platônica Louis Lavelle. Infelizmente ainda pouco conhecido no Brasil, o pensamento desse autor é um bálsamo para a alma e suas reflexões profundas e claras. Lavelle é um metafísico de primeira grandeza, e o que ele consegue realizar a partir do mito de Narciso é uma grande aula para nosso autoconhecimento.
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Resenha: Finnegans Wake, de James Joyce

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Riverrun, past Eve and Adam’s, from swerve of shore to bend of bay, brings us by a commodius vicus of recirculation back to Howth Castle and Environs.” Essas misteriosas palavras marcam o início da mais difícil obra da literatura mundial. Não cometo nenhum exagero ao enfatizar essa dificuldade. Mesmo os grandes críticos de vários países dificilmente chegam a uma conclusão satisfatória sobre o significado dessa obra escrita entre 1922 e 1939 por James Joyce. Se seu Ulisses já era complicado, em Finnegans Wake tudo fica ainda mais complexo. [Read more…]

Resenha: A Nervura do Real, de Marilena Chaui

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Posso dizer que A Nervura do Real está no nível das grandes obras referências sobre os maiores filósofos tais como os de Giovanni Reale sobre Platão a de Charles Taylor sobre Hegel. O livro é espetacular, imenso (mais de 900 páginas) e não faz concessões ao leitor. Marilena Chaui demonstra total conhecimento não somente da vida e da filosofia de Baruch Spinoza, mas também da época na qual o filósofo viveu (século XVII) e da filosofia que o precedeu (principalmente da filosofia cartesiana e da filosofia medieval). [Read more…]

Resenha: Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire

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Pedagogia do Oprimido é a obra mais famosa do educador brasileiro reconhecido mundialmente Paulo Freire (1921-1997). Tentei ler este livro colocando à parte o que já conhecia das polêmicas envolvendo não somente a Pedagogia do Oprimido mas também o nome de Paulo Freire. É claro que é bastante complicado que esses pré-conceitos não “contaminem” de uma maneira ou outra a avaliação do livro; no entanto, foi o que tentei fazer.

Sem dúvida, a parte do livro que mais influência obteve em longo prazo foi a crítica de Paulo Freire a assim chamada “educação bancária”. O que seria, portanto, a “educação bancária”? Nada mais é do que um processo de aprendizagem no qual o aluno é apenas um sujeito passivo em sala de aula. O professor “deposita” o conhecimento no “banco” (a mente do aluno), que nada mais é o método que tradicionalmente era aplicado nas escolas. Era basicamente uma educação autoritária e na qual o conhecimento e a experiência de vida prévia do aluno (adulto ou criança) era ignorada. [Read more…]

Uma visão ética e filosófica sobre o movimento transumanista

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O transumanismo é fruto da mentalidade progressista que assola o Ocidente desde o século XIX. Insatisfeitos com a condição do ser humano, sempre sujeito a doenças, misérias do corpo e da mente e dos próprios limites que a natureza (ou Deus) colocou, o movimento transumanista busca superar todas essas limitações que, queiram eles ou não, definem o ser humano. Fazer a Humanidade “progredir” parece algo positivo à primeira vista, porém aspectos éticos importantes surgem durante a discussão. “Progredir” e “evoluir” são palavras agradáveis aos ouvidos modernos, pois se têm a impressão de que seja algo otimista ou mesmo desejável para todos. Porém, não haveria algo de profundamente pessimista em julgar que somos inadequados e que devemos, portanto, “avançar”, seja lá por quais meios? Esses avanços serão possíveis? Vamos tentar esclarecer esses pontos.

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Resenha: O mundo de Parmênides, de Karl Popper

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Karl Popper possui uma admiração sem reservas pelo grande filósofo pré-socrático Parmênides, e nesse livro mesmo quem pouco conhece sobre esse pensador, cuja obra pouco resta, vai passar a admirá-lo também por sua profundidade, espírito científico e de tolerância e, claro, pela paixão com que Popper o exalta durante centenas de páginas.

Para situar melhor o leitor, é importante dizer que Popper nesse livro também enaltece filósofos anteriores a Parmênides, como Tales de Mileto e, principalmente, Xenófanes. Popper tende a criticar Pitágoras, por exemplo, por já ter degenerado a filosofia em um círculo fechado de iniciados, o que é mais religião do que filosofia, segundo ele. [Read more…]

Sobre o amor e o respeito pelas mulheres

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Existem coisas belíssimas na relação de um casal, como o amor, o companheirismo e a cumplicidade. Deve-se reconhecer em sua mulher não uma pessoa que deva ser submissa a você, pois isso indica insegurança e incapacidade de fazer-se amar voluntariamente. A relação que funciona verdadeiramente é aquela que oscila levemente como uma balança: às vezes o homem sobe um pouco mais que a mulher, às vezes acontece o contrário; porém, isso indica uma relação que está viva, pois está em movimento. Um relacionamento de submissão pura e simples da mulher está condenado a ser imóvel, ou seja, está morto como um cadáver, pois não há movimento. Mesmo os desentendimentos precisam ser encarados como choques dialéticos que vão gerando sínteses cada vez mais poderosas no casamento. Sua mulher é alguém semelhante a você em um aspecto fundamental: possui um intelecto semelhante a Deus, ou seja, é livre, ativo e criativo.

O texto abaixo também é muito bonito e revela o espírito neoplatônico de respeito pelas mulheres como seres iguais em dignidade ao homem. Vale a pena ler:

 

“Então nós diremos que é impossível que almas que alcançaram a perfeição recentemente passem para um corpo de mulher? Ou é necessário que a alma que viva de maneira apocastática deva passar pelo corpo de um homem? Ou devemos dizer que essa alma deva levar esse tipo de vida no corpo de uma mulher? Mas se nós admitimos o anterior e não o último, então como nós ainda podemos dizer que o homem e a mulher possuem virtudes em comum? Porque se a mulher nunca vive uma vida de catarse, mas o homem vive de maneira apocastática, as virtudes não seriam comuns a eles. Ao que podemos adicionar o absurdo que seria Sócrates ter aprendido os mistérios do amor e ser elevado através de Diotima, mas essa mesma Diotima que o elevou, e que o superava em sabedoria, não teria obtido a mesma forma de vida de Sócrates porque estava investida no corpo de uma mulher. Se nós admitirmos que a mulher possa viver uma vida apocastática, seria então absurdo que as almas ascendessem de um corpo de mulher, mas que não pudessem descer para essa natureza do mundo Inteligível. Porque as mulheres quando sofrem com a perda de suas asas, elas ficam próximas a uma natureza menos excelente, pois quando elas estão com asas, elas ascendem pelas mesmas coisas pelas quais elas descem a esse mundo. Isso é evidente pela História. Porque a Sibila, quando prosseguiu através da luz, conhecia sua própria Ordem, e manifestou que vinha dos deuses dizendo:

Entre os deuses e os homens, eu sou o termo médio.”

Proclo de Constantinopla- Comentário ao Timeu de Platão