Platão e o problema dos Universais

Platão busto

O problema dos universais teve duas visões que moldaram todas as discussões posteriores. A opinião de Aristóteles é de que os Universais participam no sensível, e não existem separados dele como Platão acreditava. Esse último acreditava, de acordo com São Tomás, que o Homem não existiria em coisas particulares, mas a Ideia do homem seria separada de qualquer particular. Aristóteles rejeitava a definição do Universal como sendo uma substância, mas dizia que o Universal é conhecido através da experiência sensível de objetos particulares. Porfírio dizia que os Universais de Aristóteles são incorpóreos, mas estão juntos ao sensível. [Read more…]

Bertrand Russell e a Teoria das Descrições

Bertrand Russell, 1951

A teoria das descrições foi a grande contribuição de Bertrand Russell para a filosofia da Linguagem. Uma descrição definida é aquela que, aparentemente, refere-se a termos singulares como “o atual presidente do Brasil”. Expressões como “algum presidente do Brasil” ou “um presidente do Brasil” são consideradas descrições indefinidas. Russell preocupou-se mais com as descrições definidas. A fórmula “ o F que” representa uma descrição definida. Argumentar que a seguinte frase “ Carlos é engenheiro” é uma descrição verdadeira é falso, pois trata-se de um predicado. Pronomes como “isto” são considerados por Russell como uma descrição. Segundo o professor Arturo Fatturi, uma descrição definida possui a seguinte forma lógica: [Read more…]

Resenha: História do Pensamento Ocidental, de Bertrand Russell

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A História do pensamento ocidental de Bertrand Russell é um livro excelente, embora um tanto resumido, para que aqueles que estejam interessados em filosofia tenham um primeiro contato com essa disciplina. O livro é bastante crítico com a maioria dos filósofos. Isso é muito bom porque vai além daqueles livros de introdução à filosofia que só fazem apresentar as principais ideias dos filósofos sem nenhum tipo de advertência contra ideias contraditórias. A melhor parte do livro é sobre os filósofos gregos, porque ali Russell foi mais profundo e detalhado do que no resto do livro, o que é uma pena, pois esta obra tinha potencial para ser ainda melhor. O autor não esconde sua preferência por filósofos como Pitágoras e Platão, sendo que ele é bastante crítico da filosofia de Aristóteles, classificando sua cosmologia muito acertadamente de “lunatismo”. Passando para a Idade Média, o livro torna-se um pouco enfadonho, pois Russell fala mais sobre aspectos históricos do que sobre a filosofia em si. Achei  que o tratamento que ele dá a Santo Agostinho é muito ruim e não faz justiça a esse filósofo. Quando ele fala sobre Escoto Erígena ele é mais fiel ao que esse filósofo quis dizer. Sobre São Tomás de Aquino, ele reconhece que sua obra é monumental, mas muitos dos seus argumentos são falhos, como as provas da existência de Deus. Russell critica São Tomás pela sua ignorância do grego e da matemática. Quando o livro chega ao Renascimento ocorre o mesmo problema da parte sobre a Idade Média, porque novamente a História prevalece. Na filosofia moderna, Russell dá boas explicações sobre Descartes , Spinoza e Leibniz, esse último sendo um dos heróis filosóficos do autor. O que achei mais surpreendente, o que me fez gostar ainda mais do livro, foi o reconhecimento da importância da filosofia de Vico. Russell o considera como superior a Hegel e Marx pela razão de que Vico não era um progressista romântico como os dois primeiros, mas que ele reconhecia que no processo histórico a civilização pode muito bem retroceder e voltar a períodos de decadência e barbárie. Isso aconteceu com a Europa, a China e com o Islã. Este livro de Russell é um resumo da sua História da filosofia ocidental, mas mesmo assim eu o recomendo. Para ser usado nas escolas não é muito bom por ser muito resumido, apesar de que em vários momentos sua crítica é extremo valor.

O debate sobre a existência de Deus entre Frederick Copleston e Bertrand Russell

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O debate aconteceu em 1948 ,na rádio BBC. Bertrand Russell, filósofo e matemático, enfrentou um debate sobre a existência de Deus com o padre jesuíta Frederick Copleston. Russell era ateu e Copleston era obviamente católico. Segue abaixo minha tradução.

Copleston: Como nós vamos discutir a existência de Deus, deve ser benéfico chegarmos a um acordo provisório sobre o que nós entendemos pelo termo “Deus”. Eu presumo que nós entendemos um Ser supremo e pessoal, distinto do mundo e criador dele. Você estaria de acordo- provisoriamente, ao menos- em aceitar esta exposição como o significado do termo “Deus”?

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