Resenha: Político, de Platão

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Um dos grandes momentos da filosofia de Platão é a busca por uma definição do sofista, do político e do filósofo. Platão jamais escreveu um diálogo chamado de Filósofo, isso porque a definição de filósofo está já contida dentro do diálogo Sofista. No Político, o grande filósofo ateniense deseja ter um entendimento a quem caberia a arte de governar, o que permite uma articulação com seu diálogo A República. [Read more…]

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Resenha: História das ideias políticas- Volume I, de Eric Voegelin

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Desde a Queda do homem toda filosofia ou teoria política pode visar apenas atenuar os efeitos da maldade e do egoísmo intrínseco à Humanidade. Essa foi a sábia conclusão a que chegou o pensamento cristão desde a Era Patrística. Toda solução política não é definitiva e está sujeita ao desastre pela própria imperfeição dos homens e mulheres. Mesmo Platão já havia fracassado em sua atividade política, e em seu diálogo A República fica claro que todo o filósofo deve exercer a política e a atividade educativa para ensinar ao povo o Bem contemplado após sua libertação da caverna. Isso implica que ele deverá enfrentar a incompreensão da sociedade e manterá sua alma tranquila para um possível sacrifício da sua própria vida por parte de quem tem o poder. Foi o que aconteceu com Sócrates. [Read more…]

Resenha: Ordem e História- Em busca da Ordem, de Eric Voegelin

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Último volume da grandiosa série Ordem e História, Em Busca da Ordem é um livro incompleto, pois Eric Voegelin morreu antes de terminá-lo. Ele pretendia terminar seu estudo da consciência e do simbolismo de algumas civilizações neste livro; junto a essa tarefa também está sua apreciação final da filosofia platônica e um estudo sobre Hegel. A História, para ele, é um movimento e um contramovimento entre o divino e o humano. A constante busca pela verdade pelas diversas civilizações e religiões sempre foi seu objeto de estudo. Voegelin reconhece que nossa experiência atual sobre os antigos símbolos da ordem está em declínio, e ele acredita que a busca pela verdade só terá valor se estiver harmonizada a partir de uma evocação pneumática da ordem a partir da desordem. Voegelin crê que aquele que busca a verdade deve buscar a ordem no tempo externo para que ele seja impelido a essa mesma ordem pela realidade divina fora do tempo. [Read more…]

A Marcha do Golpe em 2014

GOLPE MILITAR DE 1964 NO BRASIL- RESUMO_

Essa marcha pela família com Deus não passa de golpismo e histerismo. Qualquer tentativa de justificar uma revolta contra o governo por suas supostas simpatias pelo comunismo é puro reacionarismo. Não há por parte de Dilma qualquer ação que tenha como objetivo revolucionar as leis e ao Estado de direito. Eric Voegelin julgava necessário um golpe apenas quando o governante dizia-se enviado da História. John Rawls reconhecia que mesmo quando o presidente formula leis aparentemente injustas, a parte da população que se sente incomodada com tais leis não pode, por conta própria, dar início a uma revolução contra o governo. Para que uma marcha com essa intenção fosse válida, seus representantes teriam que demonstrar que Dilma está implantando uma real ditadura no Brasil, e já respondo que isso não é possível. O fantasma de um Terror Vermelho foi a desculpa que Hitler usou para tomar o poder na Alemanha, e com isso arrastou milhões de iludidos para o partido nazista- inclusive parte das igrejas católica e protestante. Percebo que muitos daqueles que aderiram ao medo do governo  petista no fundo não toleram uma população que vota em quem os desagrada, e acabam por demonstrar uma inegável nostalgia do governo militar. Esse governo funesto que dominou o Brasil por 21 anos foi o responsável por torturas, pelo aumento da violência, da favelização, pela destruição da escola pública (sim, os militares foram aqueles que formularam a tragédia educacional do Brasil); que não investiram nada nas universidades nem em escolas técnicas e que, por último,  deixaram um legado inflacionário e de endividamento que só agora foi controlado. Quem apoia essa marcha -que é golpista- tem a obrigação de provar que o governo atual não merece mais ser obedecido e justificar, filosoficamente e pelas leis, que ele merece ser derrubado. Se não for assim, que declarem abertamente que o que estão fazendo não é o mesmo processo revolucionário que julgam estar combatendo, apenas que o seu tem um lema diferente.

 

 A que vemos naquele que odeia em lugar de amar aquilo que julga ser nobre e bom, ao mesmo tempo que ama e acarinha o que julga ser mau e injusto. Essa falta de harmonia entre os sentimentos de dor e prazer e o discernimento racional é, eu o sustento, a extrema forma da ignorância e também a maior porque é pertinente à maior parte da alma, ou seja, aquela que sente dor e prazer, correspondente à massa populacional do Estado. Assim sempre que essa parte se opõe ao que por natureza são os princípios reguladores ( conhecimento, opinião ou razão), chamo essa condição de estultícia seja num Estado ( quando as massas desobedecem aos governantes e as leis), seja num indivíduo ( quando os nobres elementos racionais que existem na alma não produzem nenhum bom efeito, mas precisamente o contrário). todas estas eu teria na conta das mais discordantes formas de ignorância, seja no Estado ou no indivíduo, e não a ignorância do artesão, se é que me entendeis, estrangeiros.” (Platão, As Leis)

Resenha: A Era Ecumênica, de Eric Voegelin

Voegelin Era Ecumênica

 

A Era Ecumênica é o volume mais difícil de ser compreendido de toda a série Ordem e História. O filósofo Eric Voegelin teve que rever a sequência da história da Ordem na Antiguidade pois novos temas se apresentaram. Como nos três primeiros livros da série havia um estudo de Israel e do mundo grego, em a Era Ecumênica, Voegelin apresenta-nos às civilizações do ecúmeno, que viriam a suceder às civilizações cosmológicas do Egito e da Babilônia. Os novos impérios ecumênicos da Pérsia, de Alexandre e de Roma vão fundar um novo tipo de império mundial que vai incluir novas religiões, conhecimentos geográficos e trazer um desafio aos filósofos e fundadores de religiões que, a partir desse momento, vão esforçar-se por incluir em seus sistemas toda a humanidade. São citados como exemplos dessa mentalidade ecumênica os profetas Mani e Maomé. Ambos tinham a visão de que o que vinha anteriormente a eles era válido, porém estava destinado a apenas uma parte da humanidade. Mani e Maomé viriam, portanto, como mensageiros destinados a levar sua mensagem a todo globo, seja por meio de incansáveis viagens, como no caso de Mani, seja por meio da expansão violenta, como foi no caso de Maomé. A base do pensamento de Voegelin nesse livro é o conceito do Apeiron (ἄπειρον) de Anaximandro, que o filósofo alemão vê refletido na obra de Heródoto já na Antiguidade. Heródoto escreve em sua História que Creso deu um conselho a Ciro, imperador persa, ” que existe no mundo uma roda dos assuntos humanos que, girando, não permite que o mesmo homem prospere para sempre”. O ἄπειρον , nas palavras de Voegelin, promove a tensão da vida e da morte. . Platão escreve nas Leis que o mundo atual é resultado de catástrofes cósmicas nas quais apenas uns poucos sobreviveram. O filósofo grego rejeita nesse diálogo a proposta de Protágoras de que o homem é a medida de todas as coisas, e escreve em seu lugar que “Deus é o verdadeiro governante dos seres humanos que possuem nous“. O nous ( inteligência) é muito citado por Voegelin em todas as suas obras, porque ele foi considerado  um filósofo da consciência O nous e o Apeiron são vistos como um modo de equilibrar-se a imortalidade e a mortalidade. Nas palavras de Voegelin ” o ser humano somente pode imortalizar-se quando aceita o fardo apeirôntico da mortalidade”. Quando Platão colocou o centro da realidade na revelação do nous, terminou por aproximar-se do Logos cristão. Essa é a verdadeira vida da razão, segundo Eric Voegelin.  Em a Era Ecumênica, Eric Voegelin não deixa de fazer suas recorrentes e importantes críticas a Comte, Hegel e Marx. O motivo é que todos esses três pensadores acreditavam que a história tinha o seu fim no tempo deles. Hegel, principalmente, acreditava que era o único homem e que a história acabava nele. Todos eles eram imanentizadores e inimigos da transcendência. Marx queria pegar a história em suas mãos e transformá-la, mesmo sabendo que isso teria um custo enorme de sangue humano. Como demonstrou Voegelin, o fim do mundo (Eschaton) sempre foi uma tentação ao longo do pensamento cristão, que atormentou pessoas como São Paulo e Joaquim de Fiore. O que podemos entender desse livro extremamente difícil, é que todos os impérios cosmológicos ou ecumênicos estão destinados à destruição. Toda a tentativa de deter a história e o ἄπειρον terminarão em fracasso- isso quando não produzirem extermínio em massa. Voegelin não fala sobre isso no livro, mas com a passagem dos séculos e dos impérios, o que permanece é o nous, a revelação e o mistério da Encarnação de Cristo.

 

Resenha: O Mundo da Pólis, de Eric Voegelin

O Mundo da Pólis

A série Ordem e História de Eric Voegelin é bastante desafiadora para quem a lê. Depois de haver analisado Israel em seu primeiro volume, Voegelin faz um estudo sobre alguns personagens que ajudaram a definir a mentalidade grega. Ele primeiro escreve sobre os poetas Homero e Hesíodo, que representam uma primeira fase do pensamento grego, que é o mítico. Eu particularmente achei o estudo sobre Hesíodo mais interessante. A parte sobre Homero pode ser complementada com a opinião de Giambattista Vico em sua Ciência Nova. Sobre o poeta grego, Voegelin escreve em detalhes a respeito da personalidade de Aquiles como definida por Homero. A parte seguinte fala sobre o amor entre Páris e Helena, visto pelo filósofo alemão como o início da desordem. Páris está cego pelo domínio em sua alma do Eros, sendo essa uma das metáforas utilizadas por Homero para demonstrar a presença do mal. Isso vai fazer com que Homero passe a ensinar aos gregos que o mal está no homem, e não nos deuses. Como define Voegelin: ” é o homem, e não os deuses, o responsável pelo mal. Na prática, esse hábito é perigoso para a ordem social. Os delitos serão mais facilmente cometidos caso se possa transferir a responsabilidade aos deuses. Historicamente, uma ordem civilizacional está em declínio e irá perecer se esse hábito obtiver aceitação geral.”

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Resenha: Israel e a Revelação, de Eric Voegelin

Israel e a Revelação

Primeiro livro da série Ordem e História, Israel e a Revelação faz uma avaliação das civilizações do Oriente próximo e do Egito através de seus símbolos cosmológicos. Todos esses povos possuíam uma elaborada mitologia que garantia a ordem de sua sociedade na figura de seu governante, seja na Assíria ou no Egito.

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Resenha do livro Anamnese, de Eric Voegelin

Anamnese

Anamnese é um livro muito rico e exuberante, que exige do leitor um vasto conhecimento filosófico e histórico. O título do livro vem do grego, sendo um conceito criado por Platão, que significa trazer à memória o conhecimento perdido. Voegelin parece ser ao mesmo tempo um filósofo da história e um filósofo da consciência. O livro é dividido em capítulos que aparentemente não estão relacionados, pois em um é apresentada a crítica do autor à fenomenologia de Husserl, em outro uma discussão sobre a historiogênesis dos mitos egípcios, sumérios, gregos e israelitas. Em um desses capítulos está o título do livro, porque nessa parte Voegelin relembra acontecimentos de sua infância que ajudaram a formar sua consciência.

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A Teoria do Domínio dos Fatos, por Eric Voegelin

Eric Voegelin imagem artigoExtraído do livro Hitler e os Alemães, páginas 304 e 305.

” Este é um bom material, mas ainda não terminamos com ele. Tenho falado continuamente da degeneração moral;ela não existe abstratamente, especialmente em uma sociedade.É, ao contrário, uma questão de todo esse processo de degeneração espiritual e intelectual que já exemplifiquei, começando com Schramm, passando pela igreja, e assim por diante, e agora com essas decisões judiciais. Para realmente se chegar à profundeza da questão, tem-se de introduzir um conceito do Direito Anglo-Saxão, creio eu. É o conceito de partícipe, antes do fato, durante o fato, e depois do fato. Não sei se há uma expressão legal correspondente em alemão para “partícipe”, aquele que ajuda e instiga. Mais concretamente: alguém que, estando ausente no momento em que o crime é cometido, no entanto, ajuda, influencia, aconselha, incita, encoraja, engaja-se ou manda outrem cometê-lo é partícipe antes do fato e tão punível como quem de fato cometeu o crime.

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Resenha de Hitler e os Alemães, de Eric Voegelin

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” a guerra é de todas as coisas o pai, e de todas as coisas o rei; de alguns ela faz deuses e de alguns, ainda,faz homens; alguns ela torna escravos e alguns, homens livres.” Heráclito- Fragmentos.

Existem muitos livros sobre a vida de Hitler, sendo que um eu recomendo especialmente, que é a biografia de Hitler de Joachim Fest; entretanto, nenhuma das biografias que eu li fazem uma análise filosófica sobre a personalidade de Hitler e  a população alemã da época, incluindo os filósofos e pensadores de destaque, e também o comportamento das igrejas evangélicas e católica no período antes,durante e posterior à guerra.

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