Aspectos da ciência e da educação em Platão

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Os diálogos platônicos Protágoras, Sofista e Teeteto são referências fundamentais para compreendermos o modo como Platão entendia a ciência. Há milênios eles nos ensinam a melhor maneira de procuramos o avanço da ciência e do conhecimento, e nos servem de aviso sobre como não fazer ciência, uma vez que dois dos grandes obstáculos que o filósofo enfrenta são: uma “ciência” produzida por uma indução feita a partir dos dados dos sentidos, e o discurso, ou retórica, do sofista sobre o não-ser, que nada mais é do que uma aparência de sabedoria. [Read more…]

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Filosofia e economia: a construção da negentropia

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O presente artigo procura estabelecer uma ligação entre os pensamentos de Nicolau de Cusa e Karl Marx. O elo de ligação entre os dois seria o espírito neoplatônico de produção da negentropia ( que é a negação da entropia) para a construção de uma sociedade e de uma economia que fizessem brotar no ser humano todas as suas capacidades. O trabalho é o elemento fundamental para a criação da negentropia. Foi feita uma abordagem sobre aspectos econômicos e metafísicos. [Read more…]

O Credo do Filósofo Platônico de Thomas Taylor

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O credo escrito pelo grande filósofo neoplatônico inglês Thomas Taylor (1758- 1835) é de uma beleza inacreditável. A tradução é nossa e foi feita a partir do original em inglês que pode ser acessado em  http://www.prometheustrust.co.uk/Platonic_Philosophers_Creed.pdf

 

  1. Eu acredito que exista uma causa única para todas as coisas, cuja natureza é tão imensamente transcendente, que é mesmo supraessencial; e, em consequência disto, ela não pode ser propriamente nem nomeada nem discutida, ou mesmo concebida pela opinião, ser conhecida e nem percebida por nenhum ser.

  1. Eu acredito, no entanto, que é legítimo dar um nome àquilo que é verdadeiramente inefável as denominações de O Uno e O Bem, pois estas são as mais adequadas para isso. O primeiro desses nomes indica o princípio de todas as coisas, e o último aquilo que é o objeto último de desejo de todas as coisas.

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Uma perspectiva metafísica sobre o aborto e a embriologia

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“Andas triste por algo que tristeza não merece – e tuas palavras carecem de sabedoria. O sábio, porém, não se entristece com nada, nem por causa dos mortos nem por causa dos vivos.”

“Nunca houve tempo em que eu não existisse, nem tu, nem algum desses príncipes – nem jamais haverá tempo em que algum de nós deixe de existir em seu Ser real.”

“O verdadeiro Ser vive sempre. Assim como a alma incorporada experimenta infância, maturidade e velhice dentro do mesmo corpo, assim passa também de corpo a corpo – sabem os iluminados e não se entristecem.”

Bhagavad-Gîtâ

Um dos temas mais desafiadores para quem lida com Bioética é a questão do aborto, que envolve o status moral do feto, uma abordagem às vezes metafísica da embriologia, e que nos leva a muitas polêmicas entre ciência e religião. Recentemente, através da leitura da obra de James Wilberding Formas, Souls and Embryos, fiquei fascinado por como os neoplatônicos entendiam o desenvolvimento do embrião humano. O autor fez um trabalho excelente em fornecer dados pouco acessíveis para um tema bastante atual, e com isso ajudou muito em ampliar o nosso campo de visão sobre o tema. É claro que os neoplatônicos possuíam um ponto-de-vista inteiramente metafísico sobre a embriologia, o que não poderia ser diferente, haja visto os meios precários ou inexistentes que havia na época. [Read more…]

Uma análise do Contra Celso de Orígenes de Alexandria

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O filósofo platônico Celso publicou por volta do ano 178 da Era Cristã um texto contra os cristãos chamado de Discurso Verdadeiro. Praticamente desconhecido nos séculos seguintes, deve, no entanto, ter causado um impacto considerado na comunidade cristã de sua época. Em 248, o teólogo Orígenes de Alexandria publicou seu Contra Celso, talvez porque houvesse uma grande necessidade de resposta aos argumentos do filósofo pagão que deveria ser um grande problema para a nova religião. Não houve, é claro, um embate direto entre os dois, mas Orígenes escreve com tanta paixão que parece que está respondendo diretamente a Celso. [Read more…]

Resenha: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

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Zaratustra grita, entre montanhas e vales, em um tom grandioso: “eu vos anuncio o super-homem!” As consequências destas palavras poderosas estão vivas ao longo do tempo. Zaratustra é uma mistura de filósofo pré-socrático com profeta bíblico. A principal obra de Nietzsche é um grito desesperado de uma civilização perdida em termos religiosos, metafísicos e morais. A história problemática da religião cristã na Europa produziu Zaratustra. Deus e seus mandamentos, o sentido histórico, a impossibilidade da metafísica a partir de Kant, as ciências, o Darwinismo, todos são responsáveis pela crise que Zaratustra pretende solucionar. Se Nietzsche estava correto em sua obra, que mistura poesia, filosofia em um tom bombástico, que não aprecio muito, semelhante ao de Santo Agostinho em sua Cidade de Deus, esta pequena análise pretende fornecer alguns elementos.

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Resenha: Em Berço Esplêndido, de José Osvaldo de Meira Penna

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Mais do que nunca, dada a crise no qual vivemos, faz-se necessária uma análise do que é o Brasil e o caráter de seu povo. Nós sempre vivemos à luz de falsas esperanças: a culpa era de Portugal, depois da monarquia, depois da oligarquia paulista, do estatismo de Vargas, dos delírios arquitetônicos de JK e dos militares. Com a chegada da democracia verdadeira e da Constituição de 1988, nada mais poderia nos deter! Falso. Durante a década de 2000 tínhamos certeza de que havia chegado nossa vez, ainda mais com a descoberta do pré-sal! Veio um desastre como nunca havíamos presenciado…seguimos assim, de decepção em decepção, mas sempre com alguma esperança de que algo mágico vá acontecer… [Read more…]

Carl Gustav Jung e o Problema do Mal no Livro de Jó

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Para realizarmos uma verdadeira investigação filosófica, ainda mais quando estamos diante do problema do Mal metafísico, precisamos estar preparados para as consequências que surgirão à nossa frente. Jung menciona essa preocupação durante sua brilhante e impactante obra Resposta a Jó. O tema do livro, ele sabe disso, já é suficiente para atrair a atenção de pessoas religiosas e/ou de teólogos, e como o filósofo René Guénon ensinava em uma das suas obras, a teologia envolve uma alta dose de emoção. De maneira alguma é fácil dialogar e debater com teólogos, e quando um autor inverte de certa maneira certas concepções que estavam arraigadas em nossa psique durante séculos, pode-se esperar respostas violentamente passionais. Pelo menos é o que Jung imaginava. [Read more…]

Sobre o Sofista de Martin Heidegger

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Cada palavra dita é a voz de um morto.

Aniquilou-se quem se não velou,

Quem na voz, não em si, viveu absorto.

Se ser Homem é pouco, e grande só

Em dar voz ao valor das nossas penas

E ao que de sonho e nosso fica em nós

Do universo que por nós roçou;

Se é maior ser um Deus, que diz apenas

Com a vida o que o Homem com a voz:

Maior ainda é ser como o Destino

Que tem o silêncio por seu hino

E cuja face nunca se mostrou.

Fernando Pessoa

 

No terrível ano de 2016 que vivemos no Brasil, vimos o triunfo do discurso vazio e da mera opinião triunfarem. Reconhecidamente, agora sem mais disfarces, somos um povo violento, preconceituoso e ignorante.  Nosso país é fruto de uma civilização oral, herdeiros de um catolicismo ibérico, pouco afeito à leitura e à busca do conhecimento. Somado a tudo isso, temos a internet agora à nossa disposição, onde cada um pode dar voz a suas opiniões mais loucas, na maioria das vezes sem temer maiores consequências. Mesmo autoridades, que deveriam dar o exemplo, repetem lugares comuns fornecidos pela mídia. [Read more…]

Sobre o quinto livro do De Divisione Naturae de João Escoto Erígena

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Exivit igitur a Patre et venit in mundum, humanam videlicet naturam accepit in qua totus mundus subsistit; nihil enim in mundo est quod non in humana natura comprehendatur : et iterum reliquit mundum et ivit ad Patrem, hoc est humanam quam acceperat naturam, super omnia visibilia et invisibilia, super omnes virtutes coelestes, super omne quod dicitur et intelligitur, suae deitate quae Patri est aequalis, adunans sublimavit. Quanquam enim totam humanam naturam, quam totam accepit, totam in seipso et in Toto humano genere totam salvavit; quosdam quidem in pristinum naturae statum restituens, quosdam vero per excellentiam ultra naturam deificans: in nullo tamen nisi in ipso solo humanitas deitati in unitatem substantiae adunata est, et in ipsam deitatem mutata omnia transcendit.

 

E Ele saiu do pai e veio ao mundo, e tomou para si a natureza humana no qual todo o mundo subsiste, e não há nada na natureza humana que não compreenda. E novamente ele saiu do mundo e foi para o Pai, ou seja, a natureza humana que recebeu, acima de todas as coisas visíveis e invisíveis, acima de todas as virtudes celestes, sobre tudo aquilo que é dito e compreendido, sua divindade que é igual à do Pai, na união sublimou-se. Ao mesmo tempo, para a totalidade da natureza humana, à qual recebeu, ele salvou todo o conjunto da raça humana em si mesmo: para alguns, deve ser restaurado seu estado original na natureza; em outros a excelência está na deificação; no entanto, de modo algum a humanidade em si é unida em uma substância única, mas transcendemos todos na Divindade.

João Escoto Erígena, De Divisione Naturae, Quinto Livro. [Read more…]