Uma análise do Contra Celso de Orígenes de Alexandria

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O filósofo platônico Celso publicou por volta do ano 178 da Era Cristã um texto contra os cristãos chamado de Discurso Verdadeiro. Praticamente desconhecido nos séculos seguintes, deve, no entanto, ter causado um impacto considerado na comunidade cristã de sua época. Em 248, o teólogo Orígenes de Alexandria publicou seu Contra Celso, talvez porque houvesse uma grande necessidade de resposta aos argumentos do filósofo pagão que deveria ser um grande problema para a nova religião. Não houve, é claro, um embate direto entre os dois, mas Orígenes escreve com tanta paixão que parece que está respondendo diretamente a Celso. [Read more…]

Resenha: Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche

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Zaratustra grita, entre montanhas e vales, em um tom grandioso: “eu vos anuncio o super-homem!” As consequências destas palavras poderosas estão vivas ao longo do tempo. Zaratustra é uma mistura de filósofo pré-socrático com profeta bíblico. A principal obra de Nietzsche é um grito desesperado de uma civilização perdida em termos religiosos, metafísicos e morais. A história problemática da religião cristã na Europa produziu Zaratustra. Deus e seus mandamentos, o sentido histórico, a impossibilidade da metafísica a partir de Kant, as ciências, o Darwinismo, todos são responsáveis pela crise que Zaratustra pretende solucionar. Se Nietzsche estava correto em sua obra, que mistura poesia, filosofia em um tom bombástico, que não aprecio muito, semelhante ao de Santo Agostinho em sua Cidade de Deus, esta pequena análise pretende fornecer alguns elementos.

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Resenha: Em Berço Esplêndido, de José Osvaldo de Meira Penna

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Mais do que nunca, dada a crise no qual vivemos, faz-se necessária uma análise do que é o Brasil e o caráter de seu povo. Nós sempre vivemos à luz de falsas esperanças: a culpa era de Portugal, depois da monarquia, depois da oligarquia paulista, do estatismo de Vargas, dos delírios arquitetônicos de JK e dos militares. Com a chegada da democracia verdadeira e da Constituição de 1988, nada mais poderia nos deter! Falso. Durante a década de 2000 tínhamos certeza de que havia chegado nossa vez, ainda mais com a descoberta do pré-sal! Veio um desastre como nunca havíamos presenciado…seguimos assim, de decepção em decepção, mas sempre com alguma esperança de que algo mágico vá acontecer… [Read more…]

Carl Gustav Jung e o Problema do Mal no Livro de Jó

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Para realizarmos uma verdadeira investigação filosófica, ainda mais quando estamos diante do problema do Mal metafísico, precisamos estar preparados para as consequências que surgirão à nossa frente. Jung menciona essa preocupação durante sua brilhante e impactante obra Resposta a Jó. O tema do livro, ele sabe disso, já é suficiente para atrair a atenção de pessoas religiosas e/ou de teólogos, e como o filósofo René Guénon ensinava em uma das suas obras, a teologia envolve uma alta dose de emoção. De maneira alguma é fácil dialogar e debater com teólogos, e quando um autor inverte de certa maneira certas concepções que estavam arraigadas em nossa psique durante séculos, pode-se esperar respostas violentamente passionais. Pelo menos é o que Jung imaginava. [Read more…]

Sobre o Sofista de Martin Heidegger

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Cada palavra dita é a voz de um morto.

Aniquilou-se quem se não velou,

Quem na voz, não em si, viveu absorto.

Se ser Homem é pouco, e grande só

Em dar voz ao valor das nossas penas

E ao que de sonho e nosso fica em nós

Do universo que por nós roçou;

Se é maior ser um Deus, que diz apenas

Com a vida o que o Homem com a voz:

Maior ainda é ser como o Destino

Que tem o silêncio por seu hino

E cuja face nunca se mostrou.

Fernando Pessoa

 

No terrível ano de 2016 que vivemos no Brasil, vimos o triunfo do discurso vazio e da mera opinião triunfarem. Reconhecidamente, agora sem mais disfarces, somos um povo violento, preconceituoso e ignorante.  Nosso país é fruto de uma civilização oral, herdeiros de um catolicismo ibérico, pouco afeito à leitura e à busca do conhecimento. Somado a tudo isso, temos a internet agora à nossa disposição, onde cada um pode dar voz a suas opiniões mais loucas, na maioria das vezes sem temer maiores consequências. Mesmo autoridades, que deveriam dar o exemplo, repetem lugares comuns fornecidos pela mídia. [Read more…]

Sobre o quinto livro do De Divisione Naturae de João Escoto Erígena

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Exivit igitur a Patre et venit in mundum, humanam videlicet naturam accepit in qua totus mundus subsistit; nihil enim in mundo est quod non in humana natura comprehendatur : et iterum reliquit mundum et ivit ad Patrem, hoc est humanam quam acceperat naturam, super omnia visibilia et invisibilia, super omnes virtutes coelestes, super omne quod dicitur et intelligitur, suae deitate quae Patri est aequalis, adunans sublimavit. Quanquam enim totam humanam naturam, quam totam accepit, totam in seipso et in Toto humano genere totam salvavit; quosdam quidem in pristinum naturae statum restituens, quosdam vero per excellentiam ultra naturam deificans: in nullo tamen nisi in ipso solo humanitas deitati in unitatem substantiae adunata est, et in ipsam deitatem mutata omnia transcendit.

 

E Ele saiu do pai e veio ao mundo, e tomou para si a natureza humana no qual todo o mundo subsiste, e não há nada na natureza humana que não compreenda. E novamente ele saiu do mundo e foi para o Pai, ou seja, a natureza humana que recebeu, acima de todas as coisas visíveis e invisíveis, acima de todas as virtudes celestes, sobre tudo aquilo que é dito e compreendido, sua divindade que é igual à do Pai, na união sublimou-se. Ao mesmo tempo, para a totalidade da natureza humana, à qual recebeu, ele salvou todo o conjunto da raça humana em si mesmo: para alguns, deve ser restaurado seu estado original na natureza; em outros a excelência está na deificação; no entanto, de modo algum a humanidade em si é unida em uma substância única, mas transcendemos todos na Divindade.

João Escoto Erígena, De Divisione Naturae, Quinto Livro. [Read more…]

Sobre a filosofia de Aristóteles segundo Werner Jaeger

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Devemos reconhecer que existe algo de extraordinário ao lermos o Aristóteles de Werner Jaeger (como também as interpretações neoplatônicas do Estagirita): vermo-nos livres de abordagens dogmáticas e mistificadoras de apologistas católicos (jesuítas, tomistas e neotomistas)! [Read more…]

Sobre o pensamento político de Nicolau Maquiavel

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Em tempos sombrios como o que estamos vivendo em nosso país, nada melhor que nos voltarmos para o estudo da ciência política para uma melhor compreensão das ações de qualquer governo. Como afirmou São Tomás de Aquino em seu Comentário à Ética a Nicômaco, “a ciência política dá ordem sobre quais ciências devem ser buscadas em um Estado, quais ciências o homem deve aprender e por qual período”. Sem uma ciência política adequada, como as outras ciências ou a educação poderão florescer em um Estado?

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Resenha: The Destruction of Reason, de György Lukács

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O historiador de origem húngara John Lukacs, compatriota do filósofo György Lukács, em seu livro O Hitler da História, afirma que The Destruction of Reason é o livro mais fraco do filósofo húngaro de inegável talento. O historiador Lukacs é confessadamente conservador, ao contrário do filósofo Lukács, que foi um dos grandes intelectuais do marxismo. Não conheço em toda sua extensão a obra do filósofo marxista, mas, comparando The Destruction of Reason com os outros livros de Lukács, creio que ele está dentro do mesmo nível tanto em seus erros como em suas verdades. [Read more…]

Problemas e possibilidades do Transumanismo

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Felipe  Pimenta

“Trasumanar significar per verba

non si poria; però l’essemplo basti

a cui esperienza grazia serba.”

Dante Alighieri, Paradiso, Canto I

O trabalho pretende abordar  algumas visões de representantes do movimento transumanista e apontar problemas éticos e metafísicos que surgem a partir disso. Também irá analisar o conceito de evolução da humanidade e a concepção Transumanista. A tentativa de criar um novo ser humano, mesmo que seja com intenções nobres, tais como o prolongamento da vida, o combate às doenças e uma inteligência expandida, deve ser possível em termos éticos e metafísicos.

Palavras-Chave: Transumanismo. Bioética. Nicolau de Cusa. Proclo. Charles Taylor.

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