A Dialética em busca da Verdade

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“Então Hegel pode justificadamente dizer que este mundo é “pervertido” (verkehrt) em si mesmo, a perversão de si mesmo, porque não é meramente o oposto. O verdadeiro mundo, ao contrário, é ao mesmo tempo a verdade projetada como um ideal e sua própria perversão. Agora se temos em mente também que um dos principais objetivos da sátira é expor a hipocrisia moral, a inverdade do mundo como ele é supostamente para ser, a verdadeira mordacidade do verkehrt torna- se aparente. A perversão da verdadeira realidade torna-se visível atrás da sua frente falsa desde que em todas as instâncias satíricas o retrato é “o oposto em si mesmo”, seja se isso tome a forma de um exagero, a inocência em contraste com a hipocrisia, ou seja o que for.


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Resenha: Curso de Estética- O Sistema das Artes, de G.W.F.Hegel

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O curso de Estética oferecido por Hegel na Universidade de Berlim no fim de sua vida transformou-se em referência para quem quer estudar esse tema. Aqui nessa edição da Martins Fontes, o curso está dividido em duas partes: a primeira é o Belo na Arte; a segunda, para a qual estou fazendo essa resenha, tem o título de O Sistema das Artes. Esses dois livros não foram escritos pessoalmente por Hegel, mas foram seus alunos que tomaram nota de suas aulas e depois transformaram em livro. Isso explica o porquê da linguagem ser bem mais acessível do que a dos outros livros desse filósofo. [Read more…]

Resenha: Fenomenologia do Espírito, de G.W.F. Hegel

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A Fenomenologia do Espírito representa a teoria do conhecimento de Hegel. Ela forma uma árvore do saber que vai desde o conhecimento pelos sentidos, que é o mais baixo da escala, até o saber Absoluto. A certeza sensível é a verdade mais pobre e abstrata e produz o universal. Hegel escreve sobre o tipo de certeza sensível que podemos ter. Imaginemos uma casa. Em um momento olhamos para ela, mas quando nos viramos vemos uma árvore. O aqui é uma casa, mas quando viramos o aqui se desvanece. Hegel escreve: “o puro ser permanece como essência dessa certeza sensível enquanto ela mostra em si mesma o universal como a verdade do seu objeto; mas não como imediato, e sim como algo a que a negação e a mediação são essenciais. Por isso, não é o que visamos como ser, mas é o ser com a determinação de ser a abstração ou o puro universal.” Segundo Hegel, o saber e o objeto surgem primeiro, mas o objeto deixa de ser essencial porque ele se tornou o universal. A verdade está no meu objeto, ou seja, no visar (meinem). O objeto é porque Eu sei dele. A certeza do objeto passa a depender do Eu. O fato de eu ver uma casa e meu amigo ver uma árvore gera uma dialética que produz o Eu universal, que é um ver simples que é mediatizado pela negação da casa e da árvore. A ciência não pode dizer a priori o que é uma coisa ou um homem, segundo Hegel. Se tenho a certeza sensível de que isto é uma árvore temos que buscar razões para esta afirmação. Se afirmo que isto é uma árvore, nesse momento esta afirmação já é passado e isto não é mais uma essência, segundo Hegel. Ele escreve: “o agora e o indicar do agora não são assim um Simples imediato e sim um movimento. Este é um Outro que é posto, ou seja, o este é suprassumido. O indicar é o movimento que exprime o que em verdade é o agora, a saber: um resultado ou uma pluralidade de agora rejuntados; e o indicar é o experimentar que o agora é um universal.” [Read more…]